27 de dezembro de 2016

2016: O ano em que voltou a ser permitido falar mal de presidente

De janeiro de 2003 até maio de 2016, se você fizesse qualquer crítica ao presidente seria chamado de reacionário, coxinha, entreguista e outra bobagens similares.

Quando Lula era presidente, quem o criticava era chamado de elitista porque ele era um "homem pobre" que cresceu na vida. Quando Dilma se tornou presidente quem a criticava era automaticamente defensor da Ditadura Militar ou misógino. Este argumento foi inclusive usado durante todo o processo de impeachment.

O PT tentou calar a imprensa e, em parte, conseguiu, seja por meio de pressão política, seja por meio de infiltrar pessoas dentro dela ou até mesmo por meio da boa e velha verba estatal. Jornalistas foram processados por criticar Lula, pessoas apanharam por pedir o impeachment de Dilma, mas tudo isso chegou ao fim.

Um dia... Bastou um dia de Temer no governo para que criticar o presidente voltasse a ser uma prática democrática e aceitável. Não estou exagerando, foi literalmente um dia.

A primeira "grande polêmica" foi a de não ter colocado mulheres em seu ministério, algo que incrivelmente ganhou até mais relevância do que o fato de ter nomeado ministros corruptos. Outra enorme polêmica, dias depois, foram as gravações envolvendo Romero Jucá e Renan Calheiros. Vale dizer, a propósito, que tais gravações eram do mês de março, mas elas ironicamente só surgiram em maio. Outra coisa importante é que o conteúdo das gravações envolvia diretamente Lula e Dilma, não Temer, mas ainda assim foi um fato usado contra o presidente.

O mais recente de todos os "enormes escândalos" foi o caso Geddel. Um caso de tráfico de influência... Tão banal que nos tempos e Lula passou batido um milhão de vezes, mas que agora veio a tona e quase foi motivo para a queda do presidente. Aliás, teria sido motivo para a queda se o acusador, ex-ministro Marcelo Calero, tivesse provado qualquer uma das informações.

Isso tudo, no entanto, não é ruim. É bom. Se as coisas continuarem dessa forma será mais difícil para os canalhas permanecerem no poder.