17 de setembro de 2016

O senso comum que se diz incomum

Li um artigo no site Senso Incomum, que já é relativamente bem conhecido, a respeito do debate entre Flávio Bolsonaro e Marcelo Freixo. O artigo foi, no mínimo, vergonhoso. É algo que mostra a total falta de maturidade de uma direita que se orgulha de ser imatura. Parece que o texto foi feito por uma criancinha, esta é a verdade.



Abaixo, quero destacar trechos e explicar como a análise está equivocada.

"A falta de proposta do socialista Freixo, repetindo o mesmo expediente de milhares de outros assuntos (“temos que fazer um debate a esse respeito”) ficou menos em evidência que a gafe do direitista e sua menor capacidade de articulação."
Este parágrafo, apesar de não estar logicamente errado, visto que Freixo realmente não apresentou uma proposta sólida, na realidade também ignora um ponto importante: a falha de Freixo ficou em menor evidência justamente porque a falha de Bolsonaro foi discrepante, algo visivelmente mais estúpido e grosseiro.

Se, em sua réplica, Flávio tivesse justamente atacando o ponto, dizendo que Freixo não apresentou uma proposta sólida para o problema, então ele teria acertado. Se Flávio tivesse dito o que o autor deste artigo escreveu, apontando que o psolista enrolou e não chegou a lugar algum, teria sido muito melhor do que fazer aquela estúpida piadinha sobre "bolsa-larica."
"Freixo, mais uma vez, enganou todo mundo direitinho. Sua boa retórica lhe salva corriqueiramente."
Errado!

O que salvou Freixo foi a falha de Flávio, não sua retórica. Seu opositor deixou a situação fácil para ele ao cometer uma gafe grosseira e fazer uma piada estúpida. Ele, que é obviamente mais esperto que Flávio, aproveitou, mas não teria sido possível se o próprio Flávio não tivesse cometido o erro que cometeu.
"As pessoas, em geral, votam no sujeito que se expressa melhor, independente de sua ideologia ou propostas."

E outro:

"Bolsonaro não é um orador nato, sabemos, mas é um sujeito bem intencionado, disposto a trabalhar e, mais importante, com a bússola moral apontada para o lado certo."
Se é sabido que existe um método que funciona, por qual razão escolheram o que não funciona? Se a maioria das pessoas tende a votar no sujeito que sabe se expressar melhor, há um motivo para isso: é que elas entendem. Quando um homem aparenta ser boçal e prepotente, ainda mais quando tem pouco conteúdo - exatamente o caso de Bolsonaro - as pessoas criam resistência ao que ele diz, ainda que esteja certo. Se Flávio é este homem bem intencionado ou não, eu realmente não sei, e sinceramente não acredito que seja. Mesmo assim, não justifica sua estupidez. Por acaso ser bem intencionado é sinônimo para tolo, obtuso ou idiota? Claro que não. Nada impede uma pessoa de ser bem intencionada e agir com inteligência.

O restante do artigo é puxação de saco e negação dos fatos, mas o conteúdo inteiro é basicamente isso. Fato é que Flávio Bolsonaro foi muito mal no debate, e ele foi mal de uma maneira que qualquer indivíduo, por menos que entenda sobre política, consegue perceber. Se o sujeito não tem preparo psicológico ou mesmo intelectual para algo do tipo, é melhor mesmo que nem tente, pois ele está ali apenas queimando o seu filme e o de todos que o apoiam, até mesmo do autor do artigo ao qual me referi aqui.

O autor, aliás, é de um senso comum assustador, mesmo que se diga alguém de "senso incomum".