7 de setembro de 2016

O que podemos aprender com os Bastardos Inglórios?

Uma das coisas mais interessantes na trama de Tarantino, o sucesso Bastardos Inglórios, é a forma como o tenente Aldo Raine lida com os nazistas, seus inimigos. Aldo é implacável. Ele, que é conhecido por "Aldo, o Apache", devido às suas supostas raízes indígenas, ensina seus homens a agirem com extrema agressividade e violência ao encontrarem os nazistas, algo que deixa os inimigos apavorados.

Logo no início, no momento em que o filme nos apresenta o personagem interpretado por Brad Pitt, ele fala aos seus homens que eles terão uma missão: trazer ao tenente o escalpo de pelo menos cem nazistas. Em outra cena os Bastardos aparecem escalpelando nazistas na mata, algo que algumas tribos indígenas faziam durante a guerra. Depois, os Bastardos deixam um dos nazistas sobreviver para contar aos outros o terror pelo qual passaram, mas antes fazem algo impressionante: marcam o rosto dele com uma suástica feita a faca.


Se trouxermos estas cenas para o campo político, no mundo real, temos algumas lições. A primeira delas é algo que Saul Alinsky, intelectual radical da esquerda, já disse há décadas: "Poder não é aquilo que você tem, mas aquilo que o inimigo acha que você tem." De fato, assim é. Os Bastardos eram homens comuns, eram soldados, mas suas táticas eram mais do que simplesmente emboscar e matar nazistas. Eles aterrorizavam os inimigos, faziam-nos sentir medo, deixavam os inimigos humilhados. A morte, nas mãos dos Bastardos, era um fato amedrontador. Esse tipo de coisa afeta a moral das tropas em uma guerra.

Na política não é tão diferente. Se um adversário te teme, ele te respeita. E ele irá temer você se houver algo temível naquilo que você faz. Se você for implacável com os adversários, se eles souberem que todo ataque feito contra você terá retaliação, e se eles tiverem consciência de que esta retaliação pode ser muito pior e destrutiva do que eles podem suportar, então a tendência é que eles evitem te atacar. É assim que funciona. Como diria Sun Tzu, a melhor guerra é aquela que você vence antes mesmo de chegar a lutar.

Outro ponto importante é a simbologia do ato de marcar os nazistas com uma suástica. Quem assistiu ao filme sabe como era feito. O tenente Aldo perguntava ao nazista capturado se ele voltaria a usar aquele uniforme. Com medo, o nazista sempre negava, dizia que iria jogar o uniforme fora. Então, Aldo dizia que não gostava disso, e que queria os nazistas fardados para que todos soubessem quem eles são. Aí, com uma faca, ele "desenhava" a suástica na testa do soldado alemão, deixando lá a marca para sempre.

O nome disso, trazendo para a política, é rotulagem. Se você imprime uma marca na testa de seus inimigos, a marca fica lá e todos poderão vê-la. É assim que funciona, por exemplo, quando petistas acusam tucanos de serem "inimigos dos pobres". É um rótulo. Sabemos que o PT é muito mais inimigo dos pobres do que qualquer partido, mas isso não importa se os tucanos não os rotularem de volta. Sem a "suástica na testa", as pessoas não irão reconhecer a verdade sobre o PT.

Um exemplo recente, com o qual tenho colaborado, é a exposição de membros do PT que nestas eleições têm fugido do partido, modificando as cores de campanha e até mesmo ocultando a estrela, símbolo máximo da legenda. Eu e muitos outros liberais na internet estamos trazendo a verdade à tona, mas não para por aí. Uma coisa importante que também fizemos foi redesenhar os materiais de campanha inserindo novamente a cor vermelha e a estrelinha, lembrando todas as pessoas de que eles são petistas.

A razão dos petistas para fugir da imagem do partido é óbvia: O PT nunca esteve tão mal quanto agora. Se desligar da imagem de Lula e Dilma é essencial para quem quer se eleger prefeito ou vereador nestas eleições. Da mesma forma, precisamos marcá-lo, colocando neles a pecha de petistas, que é o que são. Isto é rotulagem eficiente.

Se nós tivéssemos o hábito de agir politicamente como os Bastardos, nos daríamos bem. Se fôssemos sempre implacáveis com os adversários, eles começariam a nos temer. Se tivéssemos o costume de rotulá-los, as pessoas os reconheceriam mais facilmente.

Nunca é tarde para começar.