5 de setembro de 2016

Meus pêsames aos porto-alegrenses

O estado do Rio Grande do Sul e em especial a capital, Porto Alegre, tem sido judiados pela política dos últimos anos. Os porto-alegrenses têm para as eleições deste ano mais do mesmo, e quase todas as opções são realmente ruins.

A começar, na ponta da lança está Luciana Genro, do PSOL, liderando as pesquisas. Ela aparece com 23% das intenções de voto, seguida por Raul Pont, do PT, com 18%. Em quarto lugar, uma figura também já conhecida: Sebatião Melo, do PMDB, que atualmente é vice-prefeito. Agora, vou explicar a você o tamanho de toda essa desgraça.

Porto Alegre tem vivido uma onda crescente de violência e problemas graves de infra-estrutura. A cidade se transformou, para pior, e de uma maneira radical na última década. A piora foi tão perceptível que ninguém mais consegue fazer de conta que não vê.

Até dezembro de 2014, o governador do estado era Tarso Genro, do PT, que por acaso é pai de Luciana Genro, a líder nas pesquisas. A filhinha do ex-governador, inclusive, já foi do PT também e saiu para fundar o PSOL, um partido ainda pior. Tarso já foi prefeito de Porto Alegre há muitos anos, tendo seu último mandato durado até 2002. Adivinhem quem o sucedeu. Foi o mesmo Raul Pont, do PT, segundo colocado nas pesquisas.

Sebastião Melo entra nessa história de uma maneira irônica. Ele é do PMDB, mas é vice-prefeito da gestão de José Fortunati, do PDT (e ex-petista). Fortunati governa Porto Alegre desde 2010, quando José Fogaça, do PMDB, deixou a prefeitura para concorrer ao governo do estado - sendo derrotado pelo Tarso Genro. Fortunati se reelegeu em 2012 e agora não pode mais concorrer, então colocou Melo para sucedê-lo. O atual governador, Sartori, é do PMDB também.

O PDT, que continua na chapa, nomeou Juliana Brizola como vice de Melo. Como se pode notar, Juliana Brizola é neta de Leonel Brizola, que era amigo de Lula, de Dilma (que também já esteve no PDT), e que também era muito chegado em Tarso Genro. Na coligação que apoia Sebastião Melo, além do PDT há também o REDE, o partido de Marina Silva.

Ou seja, há um projeto de poder maquiavélico no qual o cidadão fica, praticamente, sem nenhuma saída. Com exceção de Nelso Marchezan Jr., que está na terceira posição com 12% dos votos e é um dos poucos candidatos sem passado negro, todos os outros com reais chances de vitória significam a exata continuidade de tudo o que já está acontecendo. É uma forma grotesca de perpetuação de poder, já que se Luciana Genro vencer, ela dará continuidade ao trabalho que o pai fez no estado inteiro. Se Raul Pont ou Sebastião Melo entrarem, também darão continuidade à gestão atual.

A capital gaúcha precisa, urgentemente, se livrar dessa gente. Não gosto de político nenhum, mas por uma questão de mero pragmatismo, se vivesse lá, votaria em Marchezan Jr de olhos fechados.