3 de setembro de 2016

Guerra Política | Rotulagem

O que tenho para dizer deveria ser óbvio, é algo que especialistas em marketing, publicidade e política do mundo inteiro fazem há pelo menos algumas décadas: Rotular é essencial para fazer uma ideia pegar.

O rótulo simplifica as coisas, você não acha? O rótulo de um pote de maionese, quando você o vê na prateleira do supermercado, é algo de fácil identificação. Normalmente ele é amarelo, na maioria das vezes tem a foto de algum delicioso prato de comida com maionese em cima, ou de um hot dog com maionese, e obviamente está escrito que é maionese, junto com a marca do produto. Na realidade, é bem provável que você nunca sequer tenha lido o que está escrito no rótulo, e talvez tenha apenas reconhecido a marca e a embalagem pelo fato de ser algo que você já viu várias vezes.

Isso significa que o trabalho de quem desenvolveu a publicidade da marca funcionou. Se, por outro lado, o rótulo fosse vermelho, se ele tivesse a foto de um churrasco na grelha, e se tivesse uma tampa azul escura, as pessoas demorariam a perceber que é um pote de maionese e só o saberiam se realmente parassem para ler. Deste modo a marca não seria tão bem sucedida.

Agora, imagine que em vez disso, o rótulo de maionese fosse totalmente branco, em um pote que não é transparente, e nele estivessem todos os ingredientes usados na produção da maionese, mas sem a palavra "maionese" em lugar algum. A não ser que você seja um químico ou um cozinheiro profissional, dificilmente reconheceria os ingredientes, e ainda passaria um trabalhão para ler tudo até saber do que se trata.

Na política, não é muito diferente. A maioria das pessoas não está disposta a ler um conceito detalhado, uma explicação longa e técnica cheia de linguagem jurídica, muito menos ficar enfiada em livros de economia ou história para entender as coisas.

Existem normalmente três tipos de público alvo quando se trata de política. Um deles, que é o menor de todo, é o pessoal ideologicamente engajado. Para estas pessoas você deve falar a linguagem dos intelectuais apologistas, caso queira conquistá-las. Já para o segundo grupo, um pouco maior, é preciso falar a linguagem dos técnicos, e aí até cabem argumentos jurídicos e econômicos. No entanto, a maior parte do público é apenas leiga, e leigos não entendem linguagem jurídica, não entendem gráficos, não entendem conceitos complexos.

Claro, eles podem vir a entender, você pode explicar até que entendam, mas isso é trabalho para professores e não para políticos ou articulistas. Se você quer obter algum tipo de vantagem com esse público, use bons rótulos, especialmente quando for para criticar ou atacar um oponente. Você deve sempre se lembrar de atacar o adversário, e é preferível que o faça a partir de rótulos fáceis de entender. 


Viu a imagem acima? Então, isso é baboseira politicamente correta. As pessoas rotulam umas às outras o tempo inteiro, e isso é apenas parte do nosso cotidiano. O seu chefe é um nazista babaca, o seu irmão é um gigolô folgado, sua vizinha é uma pervertida sexual. Todos estes adjetivos são rótulos que colocamos nas pessoas, conscientemente ou não. Então é melhor que passemos a fazê-lo de forma consciente, porque pode ser algo eficaz.

Um exemplo de bom rótulo, apesar de limitado, é chamar os adversários de "fascistas". A extrema-esquerda faz isso com frequência. Este rótulo não é tão bom para lidar com as grandes massas, uma vez que a esmagadora maioria das pessoas não sabe o que foi o fascismo. Contudo, os movimentos de extrema-esquerda o fazem para engrossar a militância. Mesmo a maioria dos idiotas que repete isso não sabe o que significa, mas quando se trata de um público alvo jovem e cheio de hormônios, gritar "Fascistas!" tende a funcionar.

Outro tipo de rótulo - e este é bem melhor - foi usado pelos petistas em 2014, contra Aécio Neves. Nas redes sociais, espalhou-se a notícia de que o senador tucano havia batido na esposa. Obviamente o PT não poderia usar isso na televisão, pois era uma enorme mentira. Contudo, a notícia se espalhou rapidamente e ganhou certa notoriedade, e Aécio ficou por agressor de mulheres. Por mais que depois tenham comprovado a farsa, a primeira notícia teve muito mais impacto que a primeira. Se de cada mil pessoas que viu o boato, apenas dez permaneceram na crença, já são dez votos a menos para Aécio, além de um aumento de rejeição.

Na TV, entretanto, o PT apostou em outro tipo de rótulo, algo que qualquer pessoa entende: Aécio Neves iria acabar com os programas sociais "do PT." Essa narrativa estava atrelada ao rótulo de que "o PSDB odeia os pobres", e por outro lado "o PT ama os pobres". A ideia vendida foi essa. Pode parecer idiotice, mas funciona com muita gente que é realmente leiga e inocente, ainda mais se a tese for repetida por líderes sindicais, movimentos sociais e lideranças regionais do partido, nas cidades e nos bairros.

É por isso que considero de grande importância repetir o termo "extrema-esquerda", assim como atribuir a ele a pecha de "radicais", "extremistas" e outros termos pejorativos. Até porque é verdade, eles são extremistas mesmo. Quando nos referirmos aos black blocs, outro erro seria chamá-los de "manifestantes", pois não é isso o que são. Eles são baderneiros, são vândalos, são irresponsáveis que colocam vidas em risco. Alguns são até terroristas em potencial. É assim que eles precisam ser chamados por nós.

E, lembre-se: Você nunca deve falar visando agradar adversários. O seu público alvo nunca pode ser o público oponente. Sempre fale visando atingir o coração das pessoas que te seguem e daquelas que ainda podem vir a te seguir, e esqueça a estúpida ideia de "converter" inimigos. Trate os inimigos como em uma guerra e procure, sempre, exterminá-los (politicamente, é claro).