12 de setembro de 2016

Como medir o grau de desonestidade de seu oponente?

Descobrir se um opositor é honesto ou não sob certos aspectos é muito mais simples do que parece, ao menos quando o assunto é política. A maioria dos liberais, percebo, tem dificuldade absurda para perceber seus adversários como pessoas desonestas e ardilosas, normalmente preferindo acreditar que o oponente é apenas uma pessoa "iludida", alguém que "se enganou" ou que "foi enganado".

Esse pensamento, como já abordei dezenas de vezes, é danoso e preocupante, sobretudo porque é uma fraqueza. É uma fraqueza porque é, ao mesmo tempo, uma espécie sutil de soberba. O indivíduo que pensa de tal forma, na verdade, se enxerga como alguém intelectualmente superior ao inimigo e, ao mesmo tempo, é também alguém que se apieda dele. De fato, os liberais costumam se portar de forma frágil perante a extrema-esquerda porque se julgam como "mais preparados" ou se veem como detentores da verdade, o que os leva a pensar, erroneamente, que vencerão qualquer disputa apenas por terem razão.

Claro que isso é estúpido, e particularmente sinto pena desses liberais por serem tão ingênuos e arrogantes. Contudo, há formas de se medir o grau de desonestidade de alguém com relação aos seus princípios éticos e suas ideologias, e explicarei aqui para quem possa interessar.

Passo a passo

O primeiro passo é delimitar o campo. Descubra se seu adversário é alguém com estudo, com experiências de vida e se é uma pessoa minimamente inteligente. Isso será útil para você realmente saber com quem está lidando. Perceba que, aqui, não se trata de qual é a sua opinião pessoal acerca do indivíduo, isso nem mesmo importa. É para você fazer uma "análise" imparcial a respeito dele, algo que vise entendê-lo e não apenas julgá-lo.

Nem sempre as ferramentas para isso estarão a sua disposição, e nem sempre o adversário será alguém próximo o suficiente para você ter uma visão boa sobre ele. Neste caso, tente apenas apurar o que puder e da melhor forma possível, pois é o que dá para fazer.

O segundo passo, assim que você tiver certeza ou pelo menos uma noção sobre o grau de intelecto e conhecimento do adversário, é buscar o entendimento sobre em que ele acredita e o que ele defende. No caso, como não somos dotados do poder de ler mentes, a forma mais apropriada para se chegar a uma conclusão racional é analisar o discurso e a prática dele. Não tem outro caminho.

O discurso, normalmente, será inteira ou parcialmente falso - e isso é normal, a esmagadora maioria das pessoas mente. No entanto, sempre há um linha de convergência entre discurso e prática, mesmo que ela seja estreita (e normalmente é). Ao analisar os discursos de alguém e as suas ações, torna-se possível criar um ponto em que haverá, ou não, a convergência entre uma coisa e outra.

Se houver essa convergência, aí teremos que analisar o grau de envolvimento dela. Uma coisa é você defender a sonegação de impostos e, daí, sonegar impostos. Esta é uma convergência relativamente fácil, uma vez que o beneficiado é você mesmo. No entanto, defender a divisão de bens e o fim das diferenças de classes requer, no mínimo, um pingo de dedicação. Se o indivíduo fala que é a favor de ricos ajudarem os pobres, mas se este mesmo indivíduo não faz nada para ajudar estes pobres, nós temos aqui um caso em que não existe a tal convergência entre a ação e o discurso.

É muito fácil dizer algo que os outros devem fazer, mas que você mesmo não faz. É como o caso de Jandira Feghali, que diz defender os interesses dos trabalhadores e o atual modelo de CLT, mas que em seu restaurante sofreu vários processos justamente por violar essa mesma CLT. Este é outro caso em que não há convergência entre discurso e ação, e quando isso acontece sabemos que o indivíduo está mentindo.

No geral, depois de fazer essas apurações, você deve fazer uma "conta" e ver se ela fecha. No caso de Jandira, por exemplo, não fecha. Ela deliberadamente faz o oposto do que defende, inclusive porque é uma empresária e deputada rica que não divide nada do que tem com ninguém, embora queixa obrigar os outros a fazerem isso. Além disso, ela é definitivamente uma pessoa experiente e inteligente, não é leiga, muito menos uma jovem iludida ideologicamente.

Quando a situação for a de uma divergência evidente entre ação e discurso, temos um caso de desonestidade comprovada. Se, por outro lado, houver convergência entre as ideias e as ações, ainda que tais ideias e ações sejam negativas, pelo menos existe coerência, então podemos aferir que, em parte, há honestidade.

Muitos liberais têm o péssimo hábito de dizer que "os socialistas lutam por igualdade", e isso quase sempre é mentira. Uma minoria ínfima de socialistas realmente age em prol da igualdade, a maioria deles apenas fala sobre isso.