10 de setembro de 2016

A estupidez irrecuperável da família Bolsonaro

Primeiramente, sei que esse artigo causará muito choro e ranger de dentes, sei que vários imbecis aparecerão na página para me chamar de comunista ou qualquer palhaçada do tipo. Eu não ligo. Este site é sério, aqui não é um espaço para ficar defendendo ideologias políticas, é um site sobre guerra política e estratégias. Se queremos, de fato, combater comunistas, é preciso ser mais inteligente e tático do que eles. Também esclareço que não faço este artigo para pegar no pé do candidato, pois até já o defendi aqui há alguns meses quando ele foi de fato injustiçado. O problema é que erros foram cometidos e precisam ser analisados para que não aconteçam novamente.


Amigos me enviaram o vídeo do debate na Rede TV entre os candidatos a prefeito do Rio de Janeiro. Quero destacar rapidamente que as atuações de Pedro Paulo e Crivella foram, no máximo, medianas. Jandira Feghali foi fraca. Marcelo Freixo, no entanto, se saiu bem. Sim, ele se saiu bem, quer gostemos ou não. Precisamos lidar com a realidade.

Assim como qualquer membro do PSOL, considero Marcelo Freixo uma figura detestável. Não por acaso, há um dossiê sobre ele que pode ser acessado ali na aba "DOSSIÊS", no qual expus mentiras e fatos negativos a respeito do deputado. Contudo, ele é de longe um dos mais articulados políticos da new-left brasileira. É um cara esperto, tem malandragem, e foi com esta malandragem que ele ridicularizou Flávio Bolsonaro no debate.

Logo no início do debate, na rodada em que os jornalistas fizeram perguntas aos candidatos, o repórter da Veja pegou bem leve com Bolsonaro e lhe mandou uma pergunta a respeito das UPPs, Unidades de Polícia Pacificadora. Ou seja, um tema de segurança pública, uma das poucas áreas em que a família Bolsonaro pelo menos aparentemente tem conhecimento. A resposta dele, no entanto, foi extremamente vaga, passava insegurança e falta de conhecimento dos detalhes.

Ainda sobre o mesmo tema, o jornalista mandou uma réplica e ele teve direito a uma tréplica, que não soube aproveitar muito bem. Ao ser questionado sobre como fazer as "UPPs sociais" funcionarem, gaguejou, se atrapalhou e não explicou nada. Ficou nítida a falta de preparo do candidato. Isso não pode acontecer. Se ele não tem preparo para pelo menos responder perguntas sobre segurança pública, que deveria ser sua especialidade, quem irá confiar nele para o restante?

O pior, no entanto, foi o momento em que Flávio fez a pergunta a Marcelo Freixo. Para isso, escolheu o tema da legalização das drogas. Antes de você ver o vídeo abaixo, sem edição, sugiro que reflita sobre a posição vantajosa na qual estava Flávio diante de seu adversário. Não importa se você é a favor ou contra legalizar, o que conta, no caso, é a atuação no debate. A posição de Flávio é muito mais popular, é uma posição fácil de defender porque possui apoio da população em sua maioria.

Aqui, neste trecho, vou sugerir que você assista sem preconceitos. Apenas analise de fato a articulação de ambos e como cada um reage diante da atuação do outro. Se fizer isso ignorando o histórico dos envolvidos ou a sua fé ideológica, ficará nítido quem se saiu melhor.


A pergunta que ele faz é razoável. Freixo, no entanto, respondeu bem. Não importa se você concorda com a posição dele, é fato que Freixo se saiu bem na resposta por duas simples razões. Primeira, por ele delimitar o campo mostrando que é diferente de Bolsonaro. É a primeira frase que ele diz. Depois, ele demonstra que se preocupa com os usuários de drogas e também com os policiais que morrem no combate ao tráfico. Por mais que seja mentira, ele fez parecer que é verdade. É isso que realmente importa.

A réplica de Flávio, entretanto, é patética. Ele seguiu os passos do pai e achou que ali, num debate sério sobre um tema sério, seria positivo ou adequado fazer piadinhas toscas sobre o assunto. Quando ele diz que o PSOL vai propôr a Marcha da Maconha, na Câmara Municipal, para os 160 municípios, mostrou despreparo novamente, uma vez que esse tipo de coisa não é competência da Câmara de Vereadores, mas da Assembleia Legislativa. 

Quando ele falou que o PSOL vai criar o programa "Bolsa-Larica", de fato, senti pena. Foi uma das coisas mais patéticas que vi. Bolsonaro simplesmente perdeu a oportunidade de esmagar um adversário hipócrita porque achou que seria inteligente atacá-lo com piadinhas. É vergonhosa essa postura. E tudo isso seria menos catastrófico se Freixo não tivesse percebido tudo e aproveitado as chances que Flávio lhe deu.

Na tréplica, ficou fácil para o candidato do PSOL. Qualquer um em seu lugar e com sua malandragem saberia aproveitar a oportunidade para ridicularizar o oponente, principalmente porque a maior parte do trabalho o próprio Flávio fez para ele. Freixo, do início ao fim da tréplica, fez um jogo de rotulagem e shaming. Ele envergonhou Flávio e só fez isso porque o próprio assim permitiu.

Vi por aí diversos blogs e páginas de fãs do Bolsonaro dizendo que ele "destruiu Freixo no debate", mas isso é mentira. É tapar o sol com a peneira. Flávio Bolsonaro se saiu mal, pareceu um amador, foi fraquíssimo e ainda sofreu duros ataques de um deputado como Freixo, que possui um monte de controvérsias a serem exploradas por seus oponentes. Flávio perdeu maravilhosas oportunidades, como esta do controle de drogas, para rotular devidamente o adversário. Ele poderia ter realmente destruído Freixo em sua réplica, mas não o fez porque está mais preocupado em "mitar" na internet com suas piadinhas fajutas do que em vencer oponentes.

Gente assim não pode representar a direita. A família Bolsonaro e seus seguidores carecem de maturidade, e fingir que estes problemas não existem é que o irá destruí-la ainda mais. Os fãs que me perdoem, ou não, mas estes são os fatos. Eu realmente gostaria de vir aqui noticiar que Flávio acabou com Marcelo Freixo, só que não foi isso o que aconteceu. Fingir que não vi e passar a mão na cabeça de um amador não dá, não é produtivo.