11 de agosto de 2016

Para agradar a extrema-esquerda, Carlos Góes baba nos ovos de Piketty

Não é novidade para a maioria de meus contatos que nutro, há muito tempo, certo desprezo pelo Instituto Mercado Popular. Apesar de já ter considerado, em outras épocas, que o site tem lá seus atributos positivos, o tempo passou e cada vez fica mais difícil encontrar o lado bom dele. A cada dia mais o lado ruim aflora. E hoje li outro artigo postado lá que comprova isso.

Carlos Góes, o autor da peça, é já conhecido por ter posturas anti-libertárias e absolutamente condescendentes com os extremistas de esquerda. Recentemente, ele quase pediu desculpas de joelhos para MAVs do PSOL que reclamaram em sua página sobre um debate no qual não havia "pluralidade de gênero". Diferente de como ele age ao ser criticado por outros liberais - e na maioria das vezes com motivos legítimos, diante dos justiceiros sociais de extrema-esquerda o autor se mija todo, quase chora implorando perdão.

O artigo que ele publicou é sobre o picareta conhecido por Thomas Piketty, que em 2014 publicou "O Capital no Século XXI", um livro que eu comprei e li. Como alguns já sabem, eu fui marxista no passado, e realmente li Karl Marx. Da mesma forma, quando deixei de ser marxista, também li autores pós-marxistas como Marcuse ou Gramsci. Pikkety, só para começo de conversa, foi o mais ridículo no que tange a fazer releitura do marxismo - porque é isso que ele tentou fazer em seu livro. Se eu tivesse que resumir toda a obra em uma só frase, diria que é uma bela porcaria tentando atualizar toda a base marxista para a economia global, mas sem nenhum sucesso nisso.

No entanto, não sou economista. É perfeitamente possível que certos aspectos tenham passado despercebidos por mim. Mesmo assim, há questões lógicas que não dependem exclusivamente de conhecimento econômico, e vou colocá-las a seguir para que fique bastante claro: Carlos Góes é um pseudo-libertário, embusteiro, e tudo o que faz é sempre buscando agradar a extrema-esquerda.

Toda a patifaria escrita por Góes é redundantemente baseada no seguinte raciocínio: Pikkety está errado 'aqui' e 'ali', mas está certo. Ou, podemos aferir, ele sabe que o francês é um picareta e mesmo assim passa a mão na cabeça, como lhe é costume, para exercitar sua verdadeira e doentia dedicação em agradar os extremistas das alas mais sujas do esquerdismo brasileiro.

Agora, leia um trecho do artigo:
"Essas hipóteses de Piketty são plausíveis. São também hipóteses sobre a realidade empírica – e, por isso, é possível usar dados empíricos para testar essas hipóteses. 
Acontece que, embora traga muitos dados, o livro de Piketty não traz nenhum teste formal para suas hipóteses. Na realidade, ele traz somente algumas correlações aparentes que o leitor pode visualizar em alguns gráficos de linha."
No artigo, os dois parágrafos estão realmente assim, um após o outro. O que o autor disse aí é exatamente o que acabei de escrever. Ele sabe que Piketty não comprovou suas hipóteses, mas ainda assim diz que elas são hipóteses plausíveis. Claro, não dá para julgar todo o artigo por uma ou duas frases. Então vamos a mais algumas.
"Se as hipóteses de Piketty fossem corretas, seria de se esperar uma relação positiva entre a diferença r-g e as participações do capital e dos mais ricos na renda nacional. Mas, ao se analisar os dados de 19 países ricos numa amostra que se estende por mais de 30 anos, essa correlação simplesmente não existe. Ela é próxima de zero."
Outro trecho:
"Na verdade, segundo os resultados do estudo, em mais de 75% dos casos, quando r-g aumentou a desigualdade de renda caiu – o contrário do previsto por Piketty."

Bacana. Como você pode notar, Carlos Góes sabe que Piketty inventou os dados com base em nada e que sua teoria é uma furada. Ele deixa isso claro em diversos pontos. E aí questiono: Por que o mesmo Carlos Góes, no mesmíssimo artigo, insiste em conferir ao francês algum mérito?

Bem no começo do artigo, justamente a parte que ele sabe que a maioria vai ler, Góes afirma categoricamente sua admiração pelo picareta Piketty. Veja o trecho:
"Eu comprei o livro de Piketty no dia em que ele foi lançado nos Estados Unidos. Pouco tempo depois, escrevi uma das primeira resenhas em português sobre o livro do francês. Desde então, eu já tentava desfazer muitos preconceitos políticos que se disseminaram sobre sua obra. Piketty é um economista sério e respeitado, que já publicou nos mais importantes periódicos científicos. Muito provavelmente, sua obra vai continuar a ser influente durante muito tempo – e suas bases de dados sobre concentração da renda e da riqueza são importantíssimas contribuições para a ciência econômica."
Creio que isso praticamente encerre o assunto. O que temos é um caso claro de sem-vergonhice, e a motivação do autor não é nada nobre. Toda essa palhaçada e esse enaltecimento das "qualidades" de Piketty são fruto de um interesse comum em praticamente tudo o que Góes escreveu até hoje: ele quer e muito agradar a esquerda.

Não é preciso ser um economista para compreender que se alguém mentiu, se alguém escreveu um livro de 700 páginas sobre economia que tem por base dados inventados, exatamente como Piketty fez e justamente como o próprio Góes assume, naturalmente esta pessoa não pode ser considerada importante para a ciência econômica. Certamente a obra de Piketty não será realmente tão influente quanto prega o nosso 'amigo', a não ser que pessoas desonestas como ele façam o trabalho sujo e continuem a divulgar esse lixo impresso como se fosse uma obra de arte.

Carlos Góes, reitero, não é um jovem imaturo e estúpido. Pelo contrário, é um homem inteligentíssimo. Ele usa essa inteligência para ser eficaz naquilo que faz diariamente: enganar pessoas. Trata-se de um embusteiro no meio libertário que, se tivermos sorte, nunca chegará a ser o norte de ninguém.