24 de agosto de 2016

O que motiva a perseguição contra Fernando Holiday?

Uma coisa que tenho notado nessa cruzada contra o ativista Fernando Holiday é que seus algozes, em geral, o odeiam não por ele dizer o que diz ou por fazer o que faz, mas pelo simples fato de ser ele um rapaz negro que não concorda e não aceita as ideologias de extrema-esquerda. Não é errado dizer, portanto, que o motivo da perseguição é puramente racial.

No mês passado, por exemplo, o humorista falido Ronald Rios atacou Holiday em seu Twitter, deixando claro que a razão do ataque era o fato de o rapaz ser negro e não ser de esquerda. Outros "intelectuais" de esquerda, como Tico Santa Cruz e Leonardo Sakamoto, já fizeram críticas muito parecidas ao garoto do MBL. Em nenhum dos casos as críticas foram direcionadas ao conteúdo daquilo que Holiday diz ou faz, elas sempre foram carregadas de teor racial.

A bola da vez é o blogueiro petista Eduardo Guimarães, que "por acaso" também é candidato a vereador em São Paulo, mesma cidade na qual Holiday irá concorrer pelo DEM. O blogueiro já tinha escrito um artigo atacando o ativista no ano passado, em março, e todo o artigo é um show de racismo. Guimarães escreveu exatos 25 parágrafos muito mal escritos - ele não é exatamente alfabetizado - para mencionar o fato de Holiday ser um rapaz negro e não ser de esquerda, como se isso estivesse, para ele, acima de qualquer outra coisa.

Na última segunda-feira, o blogueiro voltou a atacar Holiday, desta vez usando como pretexto o ato do garoto na Câmara de Vereadores de São Paulo, quando ele arrancou o cartaz de homenagem a Fidel Castro, que foi colocado por um desses vagabundos do PCdoB. Achei curioso, no entanto, que Guimarães tenha trazido a questão da cor de Holiday novamente a tona, sendo que neste caso não havia nem mesmo um bom pretexto para isso. 

No artigo, o petista ataca Holiday por coisas que ele não fez, chegando a insinuar que ele teria agredido alguém fisicamente - isso nunca aconteceu. Eu nem precisaria dizer, mas o blogueiro é um hipócrita, pois acusa Fernando de fazer algo que seus aliados do mesmo partido fazem com frequência. Em março, quando Lula foi levado pela PF, militantes petistas partiram para a porrada contra manifestantes contrários ao PT. Há poucos meses, o deputado paranaense Tadeu Veneri, do PT, agrediu fisicamente uma mulher do MBL em plena Assembleia Legislativa, só por ela ter protestado contra Gleisi Hoffmann, sua madrinha.

Guimarães também acusa Holiday de ter aproveitado a situação para fazer proselitismo político, o que é engraçado quando se lê no mesmo texto pelo menos quatro parágrafos nos quais o blogueiro cita a própria candidatura e reforça sua campanha. Ademais, Holiday não tinha como controlar as decisões de Jamil, o vereador comunista que levou a homenagem ao ditador cubano para a Câmara. Aliás, Guimarães se refere ao ditador Fidel escrevendo o adjetivo entre aspas, como se Cuba vivesse um regime democrático. Por que não estou surpreso?

A verdade, meus caros, é que todo esse ódio contra Holiday é racial. Para a extrema-esquerda, um negro morto é melhor que um negro de oposição. Até porque a morte de pessoas negras é para eles nada mais que uma moeda política. Nenhum desses ataques mais agressivos é direcionado a outros membros do MBL. Quando atacaram Renan Santos, inventaram contra ele algumas mentiras a respeito de seu caráter e pronto. Quando atacaram Kim, chegaram a atacá-lo pelo fato de ser "jovem demais", mas nunca mencionaram o fato de ele ser descendente de asiáticos como se isso fosse demérito. Holiday irrita porque é negro e se opõe ao que eles desejam. É só isso.