13 de agosto de 2016

"Não se igualar ao inimigo" é a desculpa dos perdedores

Sempre que me dou ao trabalho de explicar que devemos agir taticamente, dando como exemplo o modo operante de parte eficiente da esquerda, recebo de pessoas de direita o comentário estúpido ou ingênuo, para dizer o mínimo, de que isso vai "nos igualar a eles".

Vou trabalhar, neste caso, com três exemplos práticos que explicam como uma tática é amoral e, portanto, não implica necessariamente em copiar a ética do inimigo. Trata-se de copiar a parte útil e eficiente do que ele faz e aplicar para fazer aquilo que julgamos correto.

Exemplo 1: Assalto a mão armada

Imagine que um assaltante te abordou em uma rua deserta, armado com uma pistola, e exigiu que você passasse o dinheiro para ele. Vamos supor, para fins educativos, que o assaltante não seja dos mais experientes e tenha deixado furo: a arma dele escapou e caiu no chão, te dando a oportunidade de reagir, tomando a arma.

Perceba que, neste contexto, copiar a tática do inimigo não significa que você tenha que roubar alguém. O roubo é o objetivo, a tática é o assalto, sendo este assalto a forma utilizada para lhe roubar algo. Assaltar é o mesmo que "pegar de surpresa", por assim dizer. E no caso você poder "assaltá-lo" de volta, basta pegar a arma do chão e apontá-la, exigindo que ele fique parado até que a polícia chegue - ou atire nele, caso não haja testemunhas, o que eu recomendo.

Aquele que não quer "se igualar ao inimigo", no sentido normalmente adotado, terá que admitir que é contra a reação e a favor do roubo, limitando a vítima a fazer um post reclamando no Facebook depois.

Exemplo 2: Você e sua mulher discordam sobre a cor da parede

Suponhamos que você esteja casado e ame sua esposa, mas em uma reforma ambos discordem sobre a cor da parede da sala de estar. Ela quer pintar de uma cor salmão, mas você acha que salmão é peixe e quer uma parede azul claro. Em geral, mulheres costumam ser mais persuasivas, e a maioria dos homens desistiria mais rapidamente de seus ideias em troca do sossego, mas você não quer desistir.

Sua mulher, esperta, te chantageia emocionalmente, dizendo que a cor salmão lembra da vovozinha dela, que tinha uma casa salmão nas colinas e fazia peixe frito aos domingos; ou ela usa da persuasão para convencê-lo de que salmão é mesmo a melhor escolha, pois vai "ampliar o ambiente" e essas baboseiras que decoradores dizem por aí. Neste caso, embora sua mulher não seja exatamente um "inimigo", ela está se opondo ao seu interesse. Cabe a você decidir se vai utilizar de táticas funcionais como persuasão e chantagem emocional ou aceitar a decisão dela para não se incomodar.

Neste caso, a tática não é se ela mentiu sobre a cor da casa da avó, nem se ela mentiu sobre a cor salmão ser melhor para o ambiente. Isso não importa. Chantagem e persuasão é que são as táticas aplicadas, e você pode aplicá-las de volta ou se submeter ao desejo dela, como a maioria dos homens costuma fazer.

Exemplo 3: Alguém te acusou falsamente de um crime

Este caso é bem simples, pois se trata de uma calúnia. Uma pessoa inventou uma história a seu respeito e a tornou pública, de modo que sua imagem foi prejudicada. Apesar de a história ser falsa, muita gente acabou acreditando, e isso causou danos à sua honra. Só que aí temos o seguinte fato: a calúnia não é a tática em si. Na realidade a calúnia foi só a ferramenta usada. A tática é a difamação.

Em tese, se o fato que a pessoa divulgou a seu respeito é verídico ou não, o que realmente interessa a ela e a você é o quão danoso moralmente este fato é. Se o fato fosse verídico o dano à sua imagem seria exatamente o mesmo, a menos que no caso de ser falso você tenha como provar que é falso. Ou seja, a difamação é a tática empregada, não a calúnia.

Sendo assim, você pode usar a tática de difamação contra seus inimigos o quanto quiser para prejudicá-los. Ficará a seu critério escolher se irá difamá-los com verdades ou mentiras. Se for de seu interesse dizer somente a verdade e você tiver um fato negativo sobre um oponente, é burrice não divulgá-lo. Você não estará mentindo ao fazer isso, só estará difamando.

Conclusão

Com exceção daqueles que são verdadeiramente ingênuos, acredito que a maioria dos que usam essa desculpa para não agir são perdedores assumidos, pessoas que, na realidade, são tão acostumadas a apanhar que têm medo de bater e machucar as mãos. Esconder-se por trás de um falso senso de moralidade pode ser a atitude mais covarde quando se está lidando com inimigos perigosos. É uma forma de ajudar o mal a prosperar.