11 de agosto de 2016

Na política, fatos importam bem menos do que "versões"

Uma lição básica sobre política é a de que uma boa história, seja ela verdadeira ou não, vende muito melhor do que qualquer fato cru, comprovado e mostrado de modo frio e direto. Não é que as pessoas prefiram a mentira, mas elas certamente preferem aquilo que é mais "interessante". 

O que não desperta interesse, por exemplo, é mostrar gráficos econômicos para provar que o socialismo devastou os países por onde passou. Não há nada de empolgante nisso. Apesar de serem fatos, ainda assim a maioria das pessoas não está realmente disposta a entender os gráficos e analisá-los matematicamente. No entanto, experimente fazer um vídeo chocante, com imagens fortes, uma boa narrativa e você terá um resultado completamente diferente.

Perceba, portanto, que não estou sugerindo a mentira como solução. Você pode dizer a verdade de maneira intrigante, interessante, de uma forma que desperte a atenção das pessoas. E depois, aquelas que se interessarem mais profundamente pelo que você mostrou, certamente procurarão as bases, e aí será hora de mostrar os malditos gráficos. A matemática é extremamente útil, mas você não convencerá muitas pessoas através dos números.

A música, por exemplo, é completamente baseada em matemática. A afinação de um instrumento, o tamanho das cordas ou a posição exata de um traste é o que permite o som sair da forma como sai. Do mesmo modo, uma construção harmônica nada mais é do que um conjunto de dados matemáticos precisos que decidem se uma obra musical é objetivamente bem feita ou não. Contudo, não é necessário gostar de matemática para ser músico, e em verdade a maioria dos músicos provavelmente nem é bom em cálculos. O que ocorre é que a música, uma expressão matemática da alma, se apresenta para as pessoas das mais variadas maneiras, às vezes até com cálculos errados ou imprecisos (músicas ruins, por exemplo), mas que mesmo assim conseguem agradar certo público.

O que faz pessoas gostarem de música não é a matemática por trás dela, mas a forma dela, a maneira como soa, como vibra. Preferências têm mais a ver com sentimentos. E o que quero dizer, desde o início, é que não dá para esperar eficiência apelando apenas para a razão das pessoas. Argumentos racionais, por mais corretos e lógicos que sejam, nem sempre possuem a capacidade de fazer as pessoas ouvirem aquilo que dizemos. Por isso é necessário, a meu ver, interpretar os dados e entregá-los de modo atraente.

Mulheres bonitas nem sempre são boas companheiras, mas os homens sempre olham para elas do mesmo jeito.