14 de agosto de 2016

Menino Arthur, o tolo ingênuo a serviço da extrema-esquerda

Já tive discussões com o *menino Arthur no passado, de quem também já fui amigo em um passado ainda anterior. Em ambos os casos, o julguei mal, pensei que se tratava de alguém inteligente. Primeiramente, quando amigo, o achava bem intencionado. Posteriormente, quando ele se declarou meu inimigo - por razões que desconheço, diga-se - o julguei como mal intencionado, mas ainda como alguém esperto.

Eu estava errado. Arthur é um tolo, mas não apenas um tolo qualquer, ele é um tolo a serviço dos interesses da extrema-esquerda sem que se perceba assim. Trata-se de alguém que, no irônico ímpeto de se mostrar como um radical medievalista anti-comunista, acaba servindo para fazer aquilo que qualquer esquerdista medianamente intelectualizado gostaria que ele fizesse: ser ridiculamente pedante e caricato. E explico.



Arthur escreveu um artigo-piada no qual determina que é impossível ser cristão e defensor do Estado Laico, o que para mim não é exatamente um dilema, visto que sempre fui ateu. Entretanto, no decorrer de seu artigo, há diversas passagens criticando a cultura protestante inglesa, enaltecendo a devoção católica e o fim do Estado Laico como caminhos adequados para fugir da ameaça comunista.

Ele, que se diz democrata cristão, mais parece mesmo um caricato neo-conservador chorão. A verdade é que Arthur se declara, agora inimigo dos liberais e dos conservadores tradicionalistas, defende uma espécie de "teocracia", pois acredita que para fugir das ameaças revolucionárias é preciso de um Estado que emane de deus. Como se isso nunca tivesse sido pensado antes, ou como se fosse algo muito diferente do que existe no Oriente Médio.

Claro que não ousaria comparar a religião cristã com a islâmica, pois considero esta última danosa e a primeira não. Contudo, a maior bobagem do mundo é um indivíduo adulto, vivido, que faz questão de provar ao mundo que estuda muito citando autores e nomes de livros em todos os seus artigos, ficar pagando o mico de acreditar em uma possibilidade remota de que as pessoas vão se "submeter ao verdadeiro poder de deus". Não é porque sou ateu, esta ideia é ridícula sob qualquer aspecto que não seja o do puro fanatismo desvairado.

Ademais, a grande tragédia desta ideia é a própria realidade. Foi justamente nos países com predominância católica que o ideário comunista aflorou com maior violência em todo o ocidente. A América Latina, de cultura católica desde a colonização, é um antro de comunistas radicais há décadas. Por aqui, bem como nos países da península ibérica, também com predominância católica, as ideias comunistas tiverem imensa facilidade para atingir seus objetivos.

Por outro lado, o caso é bem diferente quando olhamos para os EUA ou para a Inglaterra, países com cultura protestante ou anglicana mais profunda - EUA, mais de 50% da população protestante; Inglaterra, maioria anglicana e quase metade sem religião definida. Nestes países os comunistas sempre tiveram pouco espaço, de modo que os revolucionários precisam até hoje ser muito mais cuidadosos e ardilosos. Mesmo nos dias de hoje, com uma maior aceitação das ideias de esquerda, ninguém se chegaria perto de virar presidente americano prometendo estatizar as empresas privadas do país, coisa que facilmente pode acontecer em poucos anos na Espanha.

A cultura católica apostólica jamais serviu para impedir os avanços revolucionários, pelo contrário. Ela já até foi usada de modo a facilitar estes avanços, como aconteceu com a Teologia da Libertação que surgiu no berço do catolicismo, ou como é hoje a CNBB, uma entidade católica que permite palestras de membros do MST, apesar de o Vaticano oficialmente não permitir isso. A quantidade de padres brasileiros ligados a partidos comunistas é gigantesca, só em minha cidade conheço pelo menos seis.

Contudo, é claro, sei que se o amigo Arthur chegar a ler este artigo, irá se justificar com argumentos do tipo "não é bem assim" e "não foi isso o que eu quis dizer", e aí será pedante, citando um monte de autores que pode ou não ter lido - nunca saberemos - e mencionando livros ou artigos que supostamente lhe conferem crédito, mesmo que não signifiquem nada. Seja como for, o fato ainda é o de que o trabalho do menino Arthur serve apenas para atender aos interesses da extrema-esquerda, que adora quando algum religioso diz essas bobagens para que possa ridicularizar todas as pessoas com aquela mesma fé.

Aparentemente Arthur sabota os próprios interesses, e nem mesmo sabe disso. Em seu artigo, sua definição de uma sociedade ideal não difere em nada de qualquer comentário feito por um anarco-capitalista católico. Poderia imaginar o Paulo Kogos dizendo exatamente as mesmas palavras, mas Arthur jamais irá admitir isso porque ele é um guerreiro inimigo dos revolucionários libertários (risos).

Pelo que pude perceber, todo o seu artigo-piada foi uma maneira de expressar que sua única demanda verdadeira é desejar uma máquina do tempo. A ideia claramente exposta é um desejo íntimo de retornar ao período da renascença, talvez por puro romantismo, já que nem o tataravô dele chegou a viver tal época para saber como realmente era. Talvez ele possa começar largando o computador, que é uma maldição tecnológica.



*Optei por não mencionar o nome completo de Arthur, nem mesmo linkar seu artigo, pelo simples fato de que a figura é, como ele mesmo diz, um ilustre desconhecido, alguém que talvez não mereça receber minha divulgação. Contudo, quem quiser ver o texto de Arthur na íntegra pode me contatar pelo Facebook que eu passo.