29 de agosto de 2016

A tênue linha entre a tolerância e a submissão

A primeira regra que quero apresentar a você, liberal que valoriza a liberdade de expressão, é a seguinte: Nem toda opinião merece ser respeitada. 

Sim, é um fato. Nem todas as opiniões podem ou devem ser respeitadas, e o próprio ato de desrespeitar alguém também é parte intrínseca do direito a liberdade de se expressar. Sei que não é isso o que muitos dos liberais pensam, a maioria é servil e submissa diante dos adversários porque, em nome de uma visão distorcida sobre liberdade de expressão, acreditam que não podem ou não devem desrespeitar as opiniões alheias. Pensam, com isso, que o desrespeito em si violaria a tal liberdade.

Errado.

Primeiramente, quero adentrar de imediato na Lei de Godwin e lhe perguntar: Você respeitaria Hitler? Certo, eu sei que Hitler fez mais do que ter uma opinião, ele de fato matou e torturou pessoas, entre outros crimes hediondos. Porém, antes de fazer isso, ele era só um tolo dizendo por aí que odiava judeus, negros e eslavos. Antes de virar governante e começar uma caçada contra outros seres humanos, Hitler apenas defendia as suas ideias e, com isso, ganhava adeptos.

Antes de começar a efetivamente perseguir e matar gente, quando ele se limitava a dar suas opiniões e escrever suas asneiras por aí, Hitler só estava exercendo o que podemos chamar de "liberdade de expressão". Então, refaço a pergunta: Se Hitler nunca tivesse chegado ao poder e nunca tivesse matado ou agredido ninguém, você respeitaria suas opiniões? Eu duvido que responda positivamente a esta pergunta, porque respeito é algo que se tem por pessoas respeitáveis, jamais por facínoras e psicopatas pervertidos.

A linha que separa a tolerância da submissão e da servidão é realmente muito tênue, e vejo liberais cruzando esta linha diariamente. A ideia que quero passar aqui é uma mudança de postura. Quero propor o seguinte: Nós não podemos e não devemos respeitar quem defende ideias estúpidas, criminosas e pervertidas em face de nossos valores éticos.

Isso não quer dizer, entretanto, que eu esteja necessariamente propondo a proibição destas ideias. Quero dizer apenas que não devemos ser tolerantes com pessoas intoleráveis. Se existe algum valor na tolerância, trata-se justamente do fato de que precisamos exercitá-la dentro de certos limites éticos. Tolerar pessoas intolerantes ultrapassa essa linha e nos leva diretamente ao estágio de completa submissão.

Quando aceitamos ideias criminosas numa boa, sem fazer qualquer tipo de crítica ou retaliação moral, estamos agindo como meros reféns, é como se fôssemos escravos da própria covardia. Não há beleza alguma nisso. Ademais, não tem como dar certo, já que nossos adversários jamais dariam a nós as mesmas oportunidades que damos a eles. Basta ver como somos tratados e perceber que tolerá-los é um erro crasso.

Fato é que nem toda opinião pode ou deve ser respeitada. Algumas, pelo contrário, precisam ser execradas, escrachadas e até mesmo atacadas com vigor e veemência, sem nenhum respeito pela ideia ou por seu interlocutor. Não há inteligência alguma em ser subserviente com quem defende ideologias criminosas.