10 de julho de 2016

Retrospectiva Dilma: A Crise não foi um acidente

Todos conhecem Dilma Rousseff, presidente afastada e prestes a sofrer um impeachment. Muitos sabem que ela lutou por movimentos revolucionários de extrema-esquerda e era ligada a guerrilha armada, chegando a praticar atos de terrorismo e assaltos. Dilma é sucessora de Lula, ambos conhecidos de longa data, e seu partido, o PT, é um dos partidos mais sólidos da história brasileira no que diz respeito a manter uma agenda política do início ao fim, com poucos desvios de rota no caminho.

Apesar disso tudo, um monte de gente ainda acredita ou finge acreditar na tese de que a crise econômica atual é apenas o resultado de 'erros' cometidos pelo partido e pela gestão de Dilma. E aí mora o engano. Precisamos ter em mente que nem tudo o que dá errado havia sido planejado para dar certo, ao menos no que diz respeito às aparências.


1- Dilma, a economista

Apesar de muitas controvérsias quanto a sua formação acadêmica, todas as vezes em que o partido ou os jornais falam em Dilma Rousseff, sobretudo se pegarmos as notícias anteriores a crise, ela é citada como economista.

De fato, a presidente afastada fazia curso de economia quando largou a escola e entrou para a luta armada. Anos depois, quando foi liberada da prisão, Dilma foi morar no Rio Grande do Sul e supostamente terminou seu curso pela UFRGS, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Inclusive, ainda na década de 1990, Dilma surgiu em uma delação feita por um militar chamado Sylvio Frota, cuja finalidade era divulgar o nome de 99 comunistas e ex-guerrilheiros infiltrados no governo democrático. O nome de Dilma aparece nessa lista junto de outros dois economistas.


2 - Dilma, a experiente

Muito antes de ser ministra de Lula, Dilma já havia gerenciado duas secretarias no Rio Grande do Sul. Seu primeiro cargo executivo veio com a redemocratização, em 1985, após ela e seu ex-marido (marido na época) Carlos Araújo terem se dedicado na campanha de Alceu Collares à prefeitura de Porto Alegre. Assim que este assumiu o cargo, Dilma Rousseff foi nomeada para a Secretaria Municipal da Fazenda, justamente responsável pela economia da cidade.

Alguns anos depois, em 1990, o mesmo Alceu Collares foi eleito governador do Rio Grande do Sul. Logo depois Dilma se tornou presidente da Fundação de Economia e Estatística (FEE), ocupando o cargo até 1993, quando assumiu a pasta de Minas, Energia e Comunicação do estado. Nesta secretaria, Dilma permaneceu até o final de 1994, e em 1995 retornou à FEE. No mesmo ano, Dilma se tornou editora da revista Indicadores Econômicos.

Em 1998, o petista Olívio Dutra ganhou as eleições para o governo gaúcho com o apoio do PDT (partido de Dilma, na ocasião) no segundo turno, e ela retornou à Secretaria de Minas e Energia. Somente em 2003, quando Lula se tornou presidente, Dilma saiu do PDT para o PT e se tornou, logo depois, Ministra de Minas e Energia, uma das pastas mais importantes e que afeta praticamente todo o país.

Nessa mesma ocasião, em virtude de sua nomeação ao Ministério, ela também assumiu a presidência do Conselho de Administração da Petrobrás, cargo ocupado por ela até início de 2010, quando teve que sair em campanha à presidência da República.

Em 2005, estourou o escândalo do Mensalão, envolvendo políticos de diversos partidos ligados diretamente ao governo Lula. José Dirceu, que era Ministro da Casa Civil e provável sucessor de Lula, acabou saindo para escanteio por seu claro envolvimento no caso. Depois disso, Dilma saiu do Ministério de Minas e Energia, se tornando Ministra da Casa Civil.


3 - Lula e a crise de 2008

Em 2008 uma enorme crise imobiliária abalou o EUA e o mundo. Vários países em diversos setores da economia foram afetados, houve uma baixa nunca antes vista no Dólar e isso gerou desemprego e inflação em toda parte. Apesar de a crise ter sido causada por uma forte interferência governamental na economia americana, as narrativas se voltaram a culpar 'o capitalismo' por ela. Todavia, o Brasil não sentiu os efeitos desta recessão.

No mundo inteiro pipocaram protestos, conflitos e grupos com reivindicações as mais absurdas e discrepantes, mas o Brasil ficou quase ileso. Lula, na época ainda presidente, chegou a dizer que essa crise para nós seria 'só uma marolinha'.

O que aconteceu, entretanto, foi o que muitos especialistas no assunto descreveram corretamente como 'empurrar com a barriga'. O governo de Lula e sua equipe econômica, bem como a própria Ministra Dilma, sabiam perfeitamente que os efeitos da crise mundial iriam nos atingir, cedo ou tarde. Todavia, teriam uma eleição para enfrentar em 2010 e o tempo era escasso para conter os danos de médio a longo prazo.

A decisão tomada foi a de injetar muito mais dinheiro na economia brasileira, influenciando-a para um boom de crescimento nunca antes visto. Nessa época tornou-se mais fácil comprar imóveis, automóveis e até mesmo conseguir empréstimos, graças a um sem número de subsídios dados pelo Governo Federal e muita maquiagem nos dados da economia. O então presidente Lula, conscientemente, aplicou uma medida keynesiana para conter uma crise eminente, adotando medidas radicais e economicamente irresponsáveis que viriam, poucos anos depois, a resultar em um inevitável bust.

Para eleger Dilma como sucessão de Lula, o PT apostou na retórica de que o povo estava bem graças aos investimentos do governo, alegando que as medidas adotadas para evitar a crise de 2008 tinham sido um enorme acerto. Tudo isso, no entanto, era apenas propaganda para encobrir os fatos. E não foram poucos os economistas renomados que alertaram para o futuro, tentando abrir os olhos do governo para que ele parasse de mexer no vespeiro.

Mesmo antes de Lula sair do governo para dar lugar a Dilma, a crise já era prevista. Ela aconteceria, cedo ou tarde, e todos sabiam.


4 - Dilma, a presidente que selou o destino dos brasileiros rumo ao abismo

O primeiro mandato de Dilma, que começou em 2011, teve como única finalidade trilhar o caminho de sua reeleição em 2014. O objetivo único do partido era permanecer no poder, e a presidente estava dedicada a essa missão. Para ajudá-la nessa empreitada, o também economista, escritor e sociólogo Guido Mantega permaneceu no cargo de Ministro da Fazenda até 27 de novembro de 2014, quase um mês após Dilma ter sido reeleita como presidente do Brasil.

Mantega, além de ter formação na área de economia, também tem muita experiência. Já foi membro do CEBRAP e Secretário Municipal de Planejamento em São Paulo. Não se trata, portanto, de pessoa leiga ou destreinada. Apesar de não parecer, é inegável que tanto ele quanto Dilma sabiam o que estavam fazendo.

Aquela crise de 2008, portanto, foi empurrada para frente. O governo estava ciente de que a bomba estouraria em breve e para garantir que Dilma se reelegesse, decidiram fazer exatamente o mesmo que Lula: inserção maciça de recursos em áreas estratégicas da economia nacional. Enquanto isso, tiravam dinheiro para mandar a ditaduras estrangeiras como Cuba. Nesse ínterim, continuaram a saquear os cofres públicos sem parar, financiando obras para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016, algumas que nunca chegaram a terminar, outras que mal começaram.

A construtora Odebrecht, aliada dos petistas, foi a que recebeu os maiores recursos, inclusive ficando responsável pela construção do porto de Mariel, em Cuba, feita com dinheiro dos impostos brasileiros. E então, no ano das eleições, Dilma foi para a TV anunciar ao povo que os preços do petróleo e da energia elétrica iriam baixar.

De fato, neste caso Dilma não mentiu. Os preços baixaram mesmo. Porém, os custos ainda estavam altos e aumentaram muito mais com essa medida eleitoreira, que ignorava todas as recomendações feitas por especialistas do setor. Poucos dias após garantir sua reeleição, a verdade veio à tona, e em 2015 o preço da gasolina, da energia elétrica e de todos os produtos começou a subir, foi quando passamos a enfrentar uma inflação vertiginosa.

No primeiro semestre, a presidente reeleita anunciou cortes altíssimos na educação pública, reduziu investimentos em diversos setores e cortou direitos trabalhistas. De quebra, ainda no mesmo ano, para mais uma vez tentar maquiar os dados ela conseguiu articular junto aos seus aliados no Congresso uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, ciente do enorme defcit fiscal que deixou nas contas públicas.

De lá para cá crise só se agravou, gerando desemprego, mais inflação, empresas falidas e miséria ainda maior para quem já estava em situação precária. Enquanto isso, mesmo afastada, Dilma passou seus dias comendo caviar e champanhe no Palácio da Alvorada, chegando a gastar R$ 3 mil por dia só em alimentação.


Conclusão

A crise econômica não foi um acidente. Ela não foi causada por incompetência, mas por falta de preocupação com as consequências. O que Dilma e Lula fizeram foi para proteger o partido e mantê-lo no poder pelo maior tempo possível, e enquanto isso desviaram bilhões de reais dos cofres públicos cujo destino ninguém conhece ao certo. Acusá-la de irresponsabilidade fiscal é pegar muito leve. Dilma teve culpa e dolo.