11 de julho de 2016

Renúncia de Cunha foi bem ruim para os petistas

Parta sempre do princípio pelo qual todo discurso da extrema-esquerda, sobretudo a governista, é baseado em fraudes e joguinhos semânticos. Por isso, mesmo que possa não lhe parecer a primeira vista, o fato é que toda essa narrativa utilizada contra Eduardo Cunha tinha apenas uma finalidade: desvio de foco. A ideia dos petistas e seus aliados era ligar holofotes em outra direção para dividir espaço nas agendas midiáticas, assim poderiam tentar, de forma desonesta, sustentar para sua militância a ideia de que Eduardo Cunha era pior do que a presidente afastada.

Talvez você duvide, mas se quer provas disso, basta voltar um pouquinho no tempo e lembrar de algo muito importante: Cunha era assunto na imprensa antes de 2015? A resposta é 'não'. Ele não era assunto. No entanto, já era corrupto. A bem da verdade, o peemedebista em questão sempre foi corrupto, tinha envolvimento em propinas desde a década de 1990 e só o seu envolvimento na Caixa Econômica Federal já é comprovado desde 2011. A única razão pela qual o povo brasileiro mal sabia quem era Eduardo Cunha era o fato de que antes ele não atacava o PT. Pelo contrário! Até 2014, Cunha era aliado dos petistas. Visto isso, o problema para os petistas nunca foi a corrupção de Cunha, mas a sua oposição, sobretudo por ser uma oposição eficaz.

A renúncia dele, no entanto, veio para atrapalhar o esquema de marketing petista. Justo na semana em que a PGR solicitou ao STF a devolução de R$ 300 milhões de reais que Cunha teria desviado (mais multas), e logo agora que a votação pelo impeachment de Dilma se aproxima, o PT perdeu parte de sua narrativa e ainda perderá influência na Câmara.

O cargo de presidente da Câmara é muito disputado, isso fará com que as alianças peemedebistas se reorganizem para eleger o sucessor de Cunha. Tal fato é um trunfo na manga de Michel Temer, aliás. Além disso, os petistas perdem parte do simbolismo retórico de suas bandeiras fajutas. Cunha está se dando mal, tem diversos processos em andamento, renunciou a presidência da Câmara e ainda terá que devolver o dinheiro roubado. Pode ser preso e cassado, e ainda tem sua mulher sob investigação por suposto envolvimento em lavagem de dinheiro. Aconteça o que acontecer, tudo indica que a vida pública de Cunha acabou. Isso tudo, somado, serve para acabar com aquele 'argumento' esdrúxulo de "Mas e o Cunha?", repetido por meses a fio.

Outro fator importantíssimo: A delação. Os petistas e seus aliados estão temerosos com o fato de que o deputado possa fazer algum acordo de delação premiada que venha a revelar ainda mais podres do partido. No mesmo dia da renúncia, senadores ligados ao PT já declararam publicamente que temem um "acordão" para salvar Cunha, o que na realidade é um código para o medo de que mais coisas venham a tona antes do dia do julgamento final de Dilma. Se Cunha realmente delatar - e ele certamente tem informações de sobra para cair atirando - a situação dos petistas pode ficar ainda mais feia.