1 de julho de 2016

Renan tenta parar a Lava-Jato outra vez

O presidente do Senado, Renan Calheiros, velho aliado de Lula e Dilma que não votou na admissibilidade do impeachment (lembrando que 'não votar', na próxima votação, pesará como 'não'), vem tentando fazer suas manobras políticas para obstruir a Operação Lava-Jato.

Sem surpresa, é claro. No último mês foram muitas as evidências que surgiram de uma aliança política para proteger Lula, Dilma e o próprio PMDB. Nas gravações de Sérgio Machado, por exemplo, Renan e Romero Jucá aparecem claramente interessados em evitar que Lula seja preso, chegando a citá-lo nominalmente. O presidente do Senado, em uma das conversas, diz claramente saber que Dilma é corrupta - esta é a parte da gravação que a Folha de São Paulo publicou como 'inaudível'. Obviamente Renan não é nenhum santo, e além de proteger Lula e Dilma ele quer proteger também a si mesmo, já que é um dos investigados pela força-tarefa.

A nova manobra consiste em resgatar um projeto de lei de 2009, com grandes possibilidades de ser aprovado, que contém dispositivos contra agentes da lei que cometam "abusos de autoridade" em investigações que envolvem político. Um dos artigos prevê punição para o cumprimento de mandados de busca e apreensão de forma "vexatória"; outro dispositivo determina até a prisão, de um a quatro anos, para quem realizar o cumprimento de diligência policial em "desacordo com as formalidades legais". Há, ainda, outros artigo prevendo punição por "violação da intimidade e vida privada".

Isso surge logo depois que Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisi Hoffmann, foi preso em Curitiba. A prisão se deu após a busca feita pela polícia no apartamento funcional da petista, o que gerou choradeira no Senado durante dias. O Senado, a propósito, protocolou reclamação formal contra o juiz de primeira instância que promoveu a busca no apartamento de Gleisi.

É bom que a sociedade fique atenta, pois este projeto tem grandes chances de passar e ninguém perceber, uma vez que a imprensa não está dando atenção prioritária para a situação.