4 de julho de 2016

Pedir novas eleições é admitir que nem os petistas querem Dilma de volta

De uns tempos para cá, não só as linhas auxiliares do PT como PSOL e REDE, mas também os próprios petistas, passaram a adotar o discurso por um novo pleito, exigindo que seja realizada outra eleição para escolher novamente o presidente.

Obviamente, só por se tratar de uma proposta endossada pela pior corja que existe, já devemos desconfiar. Contudo, algo deve ser levantado aqui. Se estas mesmas pessoas que pedem as novas eleições afirmam que Dilma não cometeu crime algum, como eles querem que ela saia para ceder ao novo eleito? Isso não é, de certa forma, aceitar que ela fez algo errado e merece ser afastada do cargo? Como eles pretendem conciliar o discurso de que tirar Dilma Rousseff é golpe com o discurso no qual ela merece sair, caso seja feita uma nova eleição?

Afinal de contas, se for feito um novo pleito, pela lei eleitoral Dilma não poderia concorrer de qualquer forma, visto que já se elegeu duas vezes consecutivas. Quem quer que viesse a ser o seu sucessor, certamente não seria ela mesma. Aceitar esta condição é exatamente o mesmo que reconhecer, intencionalmente ou não, que a presidente afastada não é merecedora do cargo. É disso que se trata?

Claro que não. Não é isso. Os petistas podem ser sujos, mas não são estúpidos a este ponto. O que acontece é que há enorme desespero por parte deles, pois sabem que as chances de Dilma sofrer o impeachment são enormes. Diante desse quadro, estão jogando em apostas que ainda podem dar certo, pois são conscientes de que apostar na volta de Dilma é jogar dinheiro e tempo fora. Há rumores de que o próprio Lula, em conversas feitas no Instituto Lula, já admitiu que "o povo não quer ela de volta."

Dilma tem uma enorme rejeição e, para surpresa da militância petista, eles não conseguiram botar fogo na nação da forma como pretendiam. Fizeram invasões em prédios públicos, armaram para cima do presidente interino e até continuam a manipular alguns juízes, mas no final eles sabem que o povo está insatisfeito e que se Dilma retornar será um inferno. A aposta das "novas eleições" é uma maneira de tentar colocar, mesmo que a força, qualquer sucessor que esteja aparelhado com os interesses do partido, talvez até alguém como Marina Silva.