11 de julho de 2016

Pautas liberais são estratégicas no combate à extrema-esquerda

Entrar de cabeça na guerra política, aprender a usar os termos corretos e jogar para vencer a extrema-esquerda é uma parte importante do processo longo e trabalhoso pelo qual ainda temos que passar. Quem acompanha este blog ou me conhece a mais tempo sabe que sou, na realidade, um libertário. Bem no fundo eu nunca gostei e nem creio que gostarei de político algum. O motivo pelo qual optei por este caminho é que o vejo como o único possível e viável.

Entretanto, existem as medidas de longo prazo que precisamos adotar para que possamos não apenas tirar os totalitários da jogada, mas evitar que eles voltem e que tenham as mesmas oportunidades que tiveram até agora para surrupiar a população. Estas medidas passam, inevitavelmente, pelas bandeiras mais liberais, como reduzir drasticamente a carga tributária, abolir o quanto for possível em impostos, diminuir os poderes do Estado sobre a sociedade e, acima de tudo, desestatizar o máximo possível de empresas e setores.

Quando as pessoas olham para a política e enxergam que o maior problema é a corrupção, elas não estão vendo aquilo que veio antes. Imaginem um governo que não tivesse em suas mãos uma das maiores petrolíferas do mundo, que não tivesse acesso irrestrito ao setor energético e que não tivesse o poder de nomear quem quisesse para os mais diversos cargos em empresas estatais ou mesmo no poder judiciário. De onde Lula e Dilma teriam roubado tanto dinheiro sem que existissem o BNDES, a Petrobrás, a Eletrobrás ou os Correios? De onde eles tirariam dinheiro para manipular a imprensa por meio de verbas de publicidade? De que lugar viria a verba abusiva para manter seus salários e regalias se não tivéssemos uma arrecadação tributária na casa dos R$ 2 trilhões?

Hoje, por exemplo, vemos um monte de políticos comprovadamente culpados que não sofrem punição alguma, ou que sofrem punições muito brandas. Vemos vários empresários ligados a esquemas com o governo que ficam presos por um ou dois anos e depois são liberados. Existe foro privilegiado para quem é político em exercício, através do qual eles são julgados pelas pessoas que eles mesmos indicaram ao cargo. Na prática, é um jogo de cartas marcadas no qual as coisas geralmente são movidas pelo interesse particular de cada grupo. Tudo isso só acontece porque há poder demais nas mãos destas pessoas.

Desde quando é razoável que um deputado qualquer tenha o direito de propor leis que me proíbam de comer sal? Quem disse que esta deve ser a função dele? Não são raras as vezes em que leis estúpidas e prejudiciais são aprovadas apenas porque interessam aos próprios políticos. A causa desse problema, mais uma vez, é o poder que está concentrado nas mãos deles.

Imagine, então, que conseguimos tirar o PT do poder. Vamos supor que o partido foi até desmantelado e toda essa enorme manobra política deu certo. Quanto tempo irá levar para que outro partido igual ou pior surja, pegando o Estado exatamente do jeito que está e, em questão de meses, comece a cercear a liberdade do povo novamente? É por isso que medidas liberais são absolutamente estratégicas para evitar que os extremistas voltem ao poder.

Muitas pessoas, talvez por ingenuidade, acham que se acabarmos com a corrupção (como se fosse possível) nossos problemas estarão resolvidos. Infelizmente não é tão simples. Mesmo que venhamos a eleger um presidente melhor e que não tenha interesses totalitários, e ainda que ele não seja corrupto, estaremos a mercê da própria sorte, pois basta que ele mude de ideia ou que seu sucessor pense diferente e tudo volta a ser como agora. Por isso que é estúpida a ideia daqueles que acreditam apenas na antagonização a esquerda como solução. Se apostarmos nisso, estaremos fadados a um ciclo infinito no qual as coisas mudam e depois mudam novamente para o que era antes. Se apostarmos nisso, eliminamos o PT de hoje e teremos que conviver com o PT novo que aparecer daqui a dez ou vinte anos.