18 de julho de 2016

Para Karnal, leitores da Veja são fascistas, mas quem apoia ditadores não


O historiador Leandro Karnal, que foi assunto neste blog na semana passada, fez alguns comentários no mínimo absurdos sobre fascismo, essa moeda que a esquerda usa sempre que quer atacar alguém, não se importando se isso faz algum sentido ou não. O tal "fascismo" na linguagem pós-moderna da extrema-esquerda serve para uma só finalidade: rotular. E todos os que pensam diferente são fascistas, sem que isso venha acompanhado de quaisquer explicações.

Em uma palestra na qual atacou o empreendedorismo e a auto-ajuda, Leandro também aproveitou para agradar a elite estudantil da Universidade Federal de Uberlândia e chamar os leitores da Veja de fascistas. Na opinião do sofista que finge ser filósofo, pessoas que leem uma das poucas revistas que ainda tem colunistas de oposição são fascistas autoritários, mas aqueles de quem ele gosta, que defendem abertamente ditadores, são apenas pessoas normais. Curiosamente, a coisa mais fascista possível nesse caso seria censurar a única grande mídia do país que destoa das demais. Fascismo seria acabar com a Veja e transformar todos os meios de comunicação em sucursais da Carta Capital, mais ou menos como Hugo Chávez fez na Venezuela ao destruir toda a imprensa de oposição.

Como se não bastasse, para reforçar bem a sua hipocrisia, Karnal chega a basear parte de sua palestra nos estudos de Jürgen Habermas, um dos principais intelectuais da Escola de Frankfurt, cuja maior finalidade foi justamente transformar os movimentos socialistas em armas eficientes contra a liberdade e em prol do controle totalitário da sociedade (fascismo de verdade, diga-se). Para ele não há contradição nisso. Ou há, é mais provável que ele apenas não se importe muito, pois o que realmente importa é a narrativa.

O lado bom nisso é que tais fatos só vêm a comprovar minha tese inicial, a de que Karnal tinha se mantido sob um disfarce de imparcialidade esse tempo todo, fingindo ser alguém longe da "polarização", e que agora está se revelando. Vale lembrar que há pouco mais de duas semanas, em entrevista ao Roda Viva, o professor e historiador "isentão" deixou bastante claro ser contra o programa Escola Sem Partido, alegando ser esta uma "tolice conservadora". Agora sabemos o por quê disso.

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