31 de julho de 2016

O socialismo funciona, sim. Não quer dizer que seja bom

É fato que o socialismo como modelo econômico ideal seja um fracasso, isso não dá para negar. Isso não significa que ele "não funcione", no sentido normalmente atribuído ao termo. Para perceber isso basta entender o que é, de fato, o socialismo.

Se o ideal socialista é estatizar os meios de produção, privando as pessoas da liberdade e da propriedade, então neste ponto as experiências soviética, cubana ou venezuelana já foram muito bem sucedidas. Afinal, no atual regime cubano as pessoas são, de fato, propriedade do governo, prova disso é o caso do programa Mais Médicos, no qual profissionais de saúde foram enviados ao Brasil, com apoio do governo petista, para trabalharem em situação análoga a escravidão. Os médicos, apesar de serem eles os profissionais, tinham seu salário retido pelo governo cubano. 

Controle de preços e produção alimentícia por meio do Estado? Isso também foi praticado na URSS, e na Venezuela, semana passada, foi decretada a obrigatoriedade de cidadãos trabalharem em atividades agrícolas para "resolverem a crise alimentícia", como se elas fossem de propriedade do governo. Se você observar, apesar de todas essas coisas serem obviamente ruins, os socialistas de hoje jamais criticaram estes regimes por conta delas. 

A verdade é que muita gente, mesmo que de oposição aos socialistas, ainda compra a ideia de que o socialismo é aquilo que a propaganda deles diz que seja, e não aquilo que aconteceu de verdade. Talvez não integralmente, mas ao menos a maior parte daquilo que Karl Marx definiu foi, de fato, aplicado, e não só uma vez, mas várias.

É ilusão nossa acreditar que o "verdadeiro socialismo" seja qualquer outra coisa que não exatamente o que acontece, hoje, na Venezuela ou em Cuba. Quem pensa assim, de fato, comprou a propaganda e os slogans marxistas. Diante disso, minha sugestão é que paremos de dizer que o socialismo não funciona. Pelo contrário, devemos dizer que ele funciona, mas que é nefasto e perverso.