24 de julho de 2016

O que está por trás da delação de João Santana?


A delação do marqueteiro petista João Santana, junto com a de sua esposa Mônica Moura, serviu para várias coisas. Uma delas, é claro, escancarar nas fuças da militância de extrema-esquerda que o PT age ilegalmente em todas as esferas possíveis. A outra, talvez mais importante, é a lição de que o PT joga para ganhar mesmo quando não parece existir a menor chance de vitória. Como sabemos que o partido é sujo até o último fio de cabelo, normalmente pensamos que esse esforço para vencer a qualquer custo seja uma espécie de "mesquinharia", mas trata-se de sobrevivência política.

Durante o seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, Santana contou um monte de fatos pertinentes sobre sua participação na campanha eleitoral petista, mas ao mesmo tempo também jogou pequenas informações que são, na realidade, um último suspiro de propaganda política. Como ele e sua esposa confessaram que encobriram a verdade para proteger Dilma, é muito provável que também tenham planejado esses atos de maneira premeditada.

Refiro-me, neste caso, a frases como "98% das campanhas eleitorais no Brasil usam caixa 2", ou então "todos usam caixa 2". Diversos momentos do depoimento do marqueteiro têm frases como estas, e elas não estão ali por mero acaso, muito menos por serem verdadeiras, mas porque servem a um propósito. Nos tempos modernos, a maior parte da eficiência política reside na capacidade de fazer propaganda, e uma propaganda nem sempre precisa ter a finalidade de nos vender como produto. Muitas vezes, a boa propaganda é aquela que mostra o seu opositor como pior do que você, de tal modo que o público alvo se veja em um dilema.  Se estamos em uma péssima situação - como é o caso de Dilma e do PT - criar o dilema é uma alternativa que só traz ganhos.

João Santana não é um idiota, obviamente. Seria burrice nossa acreditar que ele tenha dito essas coisas - sem nenhuma prova, já que ele nunca trabalhou nas campanhas de outros partidos - apenas por dizer. A tática aí, na realidade, é das mais simples. Ele quer amenizar a situação de Dilma criando a impressão de que caixa 2 é normal porque, segundo ele, "todo mundo faz mesmo". Embora pareça estupidez usar a falácia 'tu quoque', ela é de longe uma das táticas mais básicas da guerra política quando se está completamente encurralado.

A regra é clara: Se você está perdendo, lute para vencer. Se você está perdendo feio, faça absolutamente qualquer coisa para vencer. É nesse nível que os petistas jogam. A lição que deve ficar é que nós, que nos opomos a isso, precisamos aprender como esse jogo funciona e, mais do que isso, jogá-lo. Sei que pode parecer mesquinho, mas temos uma vantagem sobre o inimigo: nós não precisamos mentir para vencer, só precisamos dizer a verdade de maneira eficaz. O PT não é sujo por ser eficiente, ele é sujo por ser criminoso.