8 de julho de 2016

O que devemos pensar sobre Leandro Karnal e Marcia Tiburi

Leandro Karnal é um historiador que encarna papel de filósofo. Apesar de ser formado em História e lecionar esta disciplina na Unicamp, a maioria das pessoas o conhece por seus comentários, normalmente em vídeo, sobre temas relacionados a política. O professor já até participou, diversas vezes, de debates e palestras relacionadas à filosofia e tem algumas participações no programa Café Filosófico.

Márcia Tiburi é artista plástica. Também leciona filosofia, disciplina pela qual tem um mestrado pela PUC do Rio Grande do Sul. Ela é feminista e, assim como Karnal, faz o personagem de uma filósofa moderna. Márcia é conhecida por seu livro panfletário "Como conversar com fascistas", no qual fascistas são apresentados como todos que destoam das visões radicais do feminismo contemporâneo.

Ambos possuem traços comuns. Eles são apologistas, não são filósofos de fato. Porém, encarnam direitinho o personagem. A fala mansa e fluída, geralmente pautada em linguagem apropriada para o seu público, faz com que sejam eficientes na mensagem transmitida. Márcia é um pouco mais explícita em seus objetivos, por isso sua função é a de fortalecer o movimento radical feminista e não tanto a de converter quem dela discorda. No entanto, ela sabe bater, e isso tem ainda mais efeito por estar oculto naquela voz suave e tranquila.

Leandro, por sua vez, finge imparcialidade e se prostra como porta-voz da liberdade. Em palestra feita no programa Café Filosófico, no ano passado, apresentava uma tese inteligente e muito bem elaborada sobre a desobediência civil, em que se baseava justamente em um dos mais antigos libertários da história, o francês Ethiénne. Qualquer pessoa distraída que veja este vídeo pode facilmente engolir o discurso de Karnal e enxergá-lo como um libertário, não como um socialista enrustido, o que ele é de fato.

Meu colega, o professor e escritor Francisco Razzo, criou uma bela definição para Leandro Karnal:
"Ele tem pose, tem domínio da narrativa, trata o discurso com segurança e autoridade. Não se exalta. Responde com suposta objetividade. Porém, o que fala e escreve não passa de platitudes. Jargões bem construídos. Frases decoradas. Tudo envernizado com retórica elegante. Com doçura. 
Por conta dessa elegante vagueza, seu discurso atende uma demanda abrangente. Atende desde a pessoa entediada folheando uma revista na sala de espera de um consultório médico ao médico, propriamente dito, que, ao ler seus livros e ao ouvir suas palestras, sente-se um verdadeiro erudito. Um pedreiro, pouco instruído nas letras, entende Leandro Karnal. Um empresário, que se acha muito instruído nas letras, financia palestras do Karnal. O professor, o pedagogo, a tia do parquinho, a mãe do pirralho do parquinho, enfim, todos, sem exceção, entendem e, pior, acreditam ser Karnal o ápice de um intelectual."
Essa definição é bem precisa daquilo que Karnal representa e, em parte, se encaixa perfeitamente com Márcia Tiburi também. Outro amigo meu diz que, na visão dele, Tiburi usa a política do Big Stick, falando com suavidade e tendo sempre um porrete a mão.

O que precisamos compreender disso tudo é que pessoas como Karnal ou Tiburi são a modernidade intelectual da extrema-esquerda. Eles representam, junto de alguns outros nomes, aquilo que virá em um futuro breve dos movimentos sociais. São estas as figuras sobre as quais serão pautados os debates nos próximos anos, inclusive isso já começou a acontecer. Márcia Tiburi já é utilizada como referencial por alguns mini-intelectuais ligados aos partidos de extrema-esquerda e Karnal, ao mesmo tempo, é símbolo de uma "nova filosofia", que não é nova e nem filosófica, mas que é eficiente para atender a anseios ideológicos.

O que devemos pensar sobre eles é que são perigosos e precisam ser desconstruídos.