18 de julho de 2016

O oportunismo do abutre e a resposta do delegado

O deputado abutre, Jean Wyllys (PSOL) tentou se aproveitar outra vez da morte alheia. Desta vez escolheu uma jovem transexual assassinada no Rio Grande do Sul por dois rapazes menores de idade, muito embora tenha se manifestado sobre o caso apenas quando tinha algo para aproveitar dele, como a fala de um delegado. Antes disso, ao saber que os criminosos eram menores de 18 anos e que isso conflitaria com a sua outra agenda, a luta contra a redução da maioridade, ele ficou por dias em completo silêncio sobre o caso.

A situação é simples. O deputado fez aquilo que sempre faz, pegando a fala de um delegado que apurou o caso - com uma agilidade nunca antes vista, diga-se - e a tirou de contexto para tentar empurrar novamente um discurso de homofobia (ou transfobia, como ele disse). O delegado em questão, ao dar entrevista a um portal de notícias, alegou não ter enxergado crime de homofobia, apesar de ter fechado o inquérito como homicídio qualificado. O que me cabe aqui não é discutir se o delegado tem razão ou não, isso pouco me interessa, até porque os assassinos nem serão punidos por serem, justamente, menores de idade. A finalidade desse artigo é mostrar a boçalidade de um deputado que fez uma postagem imensa xingando o delegado, chamando-o de burro, dizendo que ele "não entende nada" (de quê?) e outras baboseiras.

O delegado, no entanto, mostrando cordialidade e muita educação, deu-lhe uma bela resposta ali mesmo, no Facebook. O comentário feito em resposta a Jean Wyllys tem mais que o dobro de curtidas do que tem a própria postagem (o post tem 4,2 mil likes, a resposta do delegado está com quase 11 mil). O que veio a provar o oportunismo característico do deputado psolista, no entanto, foi sua réplica.

Na postagem original, ele tinha a desculpa de "não estar devidamente informado" sobre os fatos, mas essa questão foi resolvida assim que o delegado prontamente o respondeu, colocando todos os pingos nos is. Ao replicar, Jean repetiu o tom boçal costumeiro e continuou a agir nos mesmos termos, como se tudo o que o delegado escreveu fosse irrelevante, mostrando ainda mais desrespeito e intransigência, qualidades indesejáveis em que diz defender uma classe inteira de pessoas (claro que não defende, mas finge que sim).

Para insistir na retórica, o psolista apela a um recurso fajuto chamado desvio de tema. Em vez de se atentar ao que o delegado disse de importante, ele se apegou a um detalhezinho minúsculo, o fato de o delegado algumas vezes ter-se referido a transexual morta usando pronomes masculinos - o que, aliás, não só é irrelevante para o caso como também nem mesmo aconteceu. Ele focou sua réplica nisso e continuou com o discurso contra o delegado, recebendo pouco mais de cem curtidas em seu comentário.

Vários seguidores dele perceberam o ato e o criticaram, inclusive eleitores do PSOL. Mas quem disse que ele se importa? O neo-fascistoide do PSOL se acha o dono do mundo, ele nem quer saber o que seus eleitores pensam. Nunca quis.