14 de julho de 2016

O desespero dos petistas para manter o poder

Diante do impeachment, que já é uma certeza, os petistas têm apelado a absolutamente qualquer alternativa ou subterfúgio. Não é de se surpreender, no entanto. Quando o objetivo é apenas manter o poder a coisa toda vira um "vale-tudo", e dignidade já não é um valor pelo qual petistas prezem muito.

No início dessa semana, por exemplo, circulou pela internet um vídeo no qual Dilma aparece falando em estupro e fazendo comparações esdrúxulas entre impeachment e abuso sexual. A finalidade era, no caso, apelar ao emocional de vítimas reais de estupro que eventualmente sejam leigas, uma espécie de manipulação barata digna de desprezo e escárnio. É claro que ela sabe que o estupro não é nenhum pouco comparável a um processo legítimo de impeachment baseado em crime de responsabilidade fiscal, mas não custava tentar. Para ela e os petistas presentes, o importante era fazer qualquer coisa possível.

Isso se traduziria facilmente como desrespeito às vítimas de estupro, pois estas sofrem algo que é realmente 'intraduzível' em palavras. Comparar um crime hediondo e repugnante com um mero afastamento da presidência - que mesmo se fosse ilegítimo nem chegaria perto de ser o que é um estupro - é uma enorme banalização. Obviamente as feministas ficaram numa boa com isso, já que foi uma petista quem disse. Se fosse a Rachel Sheherazade já teria virado manchete em todos os jornais.

Outra evidência de enorme desespero foi a estratégia que o PT adotou ao endossar o pedido por novas eleições. Neste caso, além de admitirem o fracasso perante o impeachment, apostaram em uma tática controversa que  desagradou parte do partido, deixando-o ainda mais dividido. Até porque, admitir novas eleições é o mesmo que admitir que Dilma merece sair.

Para reforçar ainda mais a tese, nas últimas semanas Lula e Dilma têm feito elogios às políticas econômicas de Michel Temer, uma forma de tentar mostrar a senadores indecisos (ainda que sejam poucos) que e Dilma voltar ela "manterá a agenda" do governo interino. Todavia, esta ideia também não é tão boa assim, já que o partido veio atacando duramente o governo Temer desde o dia em que ele assumiu. Não houve nada de tão significativo para que a mudança de postura parecesse legítima.

Isso só os afasta ainda mais da militância, que já passou a criticar publicamente o partido e suas ações perante "o golpe" (impeachment legítimo, na linguagem dos humanos).