30 de julho de 2016

Lula arriscou e perdeu

Até aqui, a tática principal na estratégia de Lula para escapar da Justiça sempre foi a de ganhar tempo. Ele tentou, e muitas vezes conseguiu. Diferente do que parece, o ex-presidente é malandro, é alguém esperto. Não é por mero acaso que muitos tenham caído ao seu redor enquanto ele permaneceu intacto. José Dirceu, Genoíno, André Vargas, Delcídio e tantos outros foram condenados enquanto ele se manteve ali, firme e forte mesmo com todas as acusações.

Essa semana, Lula começou a perceber que a situação iria mudar. A Polícia Federal tornou públicas informações extremamente relevantes sobre a investigação contra Lula, envolvendo o sítio em Atibaia. Como esperto e malandro que é, ele deve ter se lembrado de uma lição muito antiga: Se há sangue na água, os tubarões se agitam e vêm. Sua tática o levou a enviar para a ONU um recurso, um documento no qual acusava Sérgio Moro de ser abusivo e de o perseguir. A entidade disse que levará pelo menos dois anos só para analisar o caso de Lula, que não é para eles uma prioridade em termos de direitos humanos.

Curiosamente, a corda arrebentou onde os petistas nem mesmo imaginavam: Brasília. Embora as denúncias mais graves contra Lula estejam nas mãos de Sérgio Moro, em Curitiba, foi no Distrito Federal que Lula se tornou réu pela primeira vez, e foi justamente devido a algo que os próprios petistas lutaram para conseguir: o desmembramento da Operação Lava-Jato.

Os advogados do partido lutaram arduamente para tirar partes do processo contra Lula das mãos de Moro. A parte que investigava o crime de obstrução da justiça, cometido por Lula e Delcídio, ficou com a vara do TRF no Distrito Federal. Enquanto os petistas se preocuparam com Moro, esqueceram de proteger a retaguarda. No fim, tudo deu errado para eles.

O ex-presidente se esforçou para burlar as regras, ganhar tempo e atrapalhar as investigações. No entanto, o cerco está fechado demais até para ele. Todos já sabem que não há para onde fugir, é só questão de tempo. Quando Lula for condenado, é provável que peça asilo em algum país como Venezuela ou Bolívia, mas certamente não voltará a ser o presidente do Brasil.