11 de julho de 2016

Impeachment e o blefe dos petistas


Sites ligados direta ou indiretamente ao PT estão divulgando, nas últimas semanas, que a votação do impeachment está dividida e que os votos favoráveis não chegam a 40. Por outro lado, os votos a favor de Dilma e contra o impeachment estão aumentando. É possível ver matérias assim na Folha de São Paulo, G1 e principalmente nos sites mais pelegos como Brasil 247 ou Carta Capital. Isso, obviamente, é blefe. Podemos confrontá-los com os fatos e nem é muito difícil de se fazer.

Em primeiro lugar, tenhamos em mente que a popularidade petista vem despencando. Na semana passada, cerca de trinta senadores deram um bolo em Lula e Roberto Requião no Hotel Royal Tulip, em um jantar no qual pretendiam converter (leia-se comprar) votos a favor de Dilma. O ex-presidente também desistiu de uma viagem ao Ceará que ocorreria amanhã, na qual receberia um título honoris causa na Universidade Regional do Cariri. A desistência se deu pelo fato de que mutos grupos organizaram protestos contra ele.

Dilma, onde quer que vá, é vaiada. Na internet, são frequentes os ataques de internautas contra ela. Na última semana, em entrevista a uma rádio de Pernambuco, a presidente afastada foi 'agraciada' por um ouvindo com os dizeres "Bom dia, sua ladra".

O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, conhecido aliado de Lula, sofreu constrangimento em um restaurante em São Paulo. Gleisi Hoffmann, senadora petista, foi xingada por populares no aeroporto de Curitiba, chamada de corrupta. Nos protestos de abril que exigiam a saída de Dilma, até a ex-petista Marta Suplicy foi duramente ofendida pelo povo na rua.

Só por esses fatos, já podemos ter em mente que os senadores não serão loucos a ponto de destoarem daquilo que o povo quer, e o povo quer que Dilma saia. Este é um fato inegável! Além disso, há eleições daqui a dois anos para o Senado, não será tempo suficiente para as pessoas esquecerem de quem votou contra o impeachment.

E, é claro, o fato mais importante de todos:


A votação final do processo de impeachment precisa de apenas 54 votos (dois terços) para passar. Na votação pela admissibilidade, que só precisava de maioria simples, os petistas nem chegaram perto. Por razões óbvias, sabemos que quem votou pela admissibilidade certamente tende a votar também pela saída da presidente afastada, ou então não teriam admitido o processo, que seria neste caso uma perda de tempo.

Faz parte da guerra política e do jogo de narrativas o blefe, é tão importante quanto no pôquer. Nossa função deve ser a de desmascará-los.