22 de julho de 2016

Haddad tentou roubar milhares de paulistanos através de um radar "defeituoso"

Um suposto radar defeituoso que foi instalado na avenida Marechal Tito, em São Paulo, é responsável pela aplicação de mais de 17 mil multas de trânsito, todas indevidas. Em verdade, a culpa não é do radar, mas da provável articulação entre a prefeitura e a empresa responsável. E explico.

Fernando Haddad já vem sendo acusado há bastante tempo de ter criado uma verdadeira indústria da multa em São Paulo. Para aumentar a arrecadação, o prefeito chegou ao absurdo de reduzir a velocidade máxima permitida de 60 km/h para 40 km/h, justamente em uma das cidades com o maior fluxo de veículos do mundo, o que só serviu para causar ainda mais engarrafamento e, é claro, expandir a arrecadação através de multas por excesso de velocidade.

No mês de maio, Haddad virou réu em um processo civil junto com o seu secretário dos Transportes, Jilmar Tatto, e o secretário da Fazenda, Rogério Ceron, pela suspeita de praticar aplicações de multas indevidas e também desviar a finalidade do dinheiro destas multas. A denúncia foi aceita pela juíza da 5ª Vara da Fazenda Pública.

Agora, o prefeito fanfarrão surge com mais essa, como se o paulistano fosse mesmo idiota de acreditar que foi um "defeito acidental". É óbvio que esta foi mais uma estratégia para aumentar a arrecadação ilegalmente, ainda mais agora que estamos em ano eleitoral e o petista aparece em péssima colocação nas pesquisas. A fraude, a propósito, nunca teria sido averiguada se não tivesse afetado o bolso das empresas de ônibus da cidade. Foram motoristas de transporte coletivo que recorreram ao sindicato da categoria para, justamente, reclamar de multas indevidas.

O esquema funcionava da seguinte maneira: O limite de velocidade é, atualmente, 40 km/h. O radar "defeituoso" identificava que o motorista passou acima desse limite, nunca abaixo, mesmo se ele estivesse realmente abaixo. Depois que o sindicato começou a pressionar, a fraude foi descoberta e o prefeito admitiu a "falha" e falou que as multas indevidas serão anuladas.

A tática, na verdade, é muito simples. Mesmo que a maioria, agora ciente da fraude, recorra das multas, ainda assim muitos não irão recorrer por falta de tempo ou mesmo por não achar que vale o incômodo. Outros tantos nem mesmo vão ficar sabendo do caso e, inocentemente, pagarão a multa indevida. Isso, ainda, sem contar os casos daqueles que já pagaram e que terão que recorrer judicialmente para ressarcir o dinheiro. Nesse ínterim, o prefeito ganhou seu quinhão e não tem nada a perder.