21 de julho de 2016

Guerra Política | Ética e moralidade

Este é um tema delicado, mas a ideia que pretendo passar aqui é uma simplificação. Primeiramente é preciso entender a ética em seu sentido mais amplo, que é a "essência das normas". Já a moralidade é em geral traduzida como "o bem", "o certo" ou aquilo que é virtuoso. Tendo em vista essas noções genéricas, quero expor aquilo que vejo como um comportamento politicamente ético e moral.

De que lado você está?

Você é uma pessoa que entende a virtude como algo positivo e necessário, ou como algo correto? Se a resposta é positiva, sugiro que pense o seguinte: Como você pode garantir que aquilo que é bom, em sua visão, possa prevalecer?

Se eu defendo princípios éticos que considero virtuosos, como a justiça e o direito a ter liberdade e propriedades, também devo defender os meios necessários para garantir ou atingir esses princípios. Trazendo a questão para a Guerra Política, é perfeitamente moral que eu ataque - no sentido político - todos aqueles que querem justamente trabalhar no sentido contrário destes princípios, como é o caso de comunistas, socialistas ou mesmo de esquerdistas em geral. Esta é uma lógica fundamental como a própria legítima defesa. Se você gosta de viver e entende que a vida é um direito fundamental, obviamente lhe deve parecer lícito e desejável proteger este direito contra quem quer que o queira violar. Se defender de potenciais agressores é um direito e, como virtude, até mesmo um dever moral.

Por isso, se entendermos que os valores aqui mencionados são prioritários em uma sociedade moralmente saudável, é também nosso dever moral o esforço de mantê-los intactos ou de garanti-los como for possível.

Eficiência

A ineficiência ou a displicência na defesa da justiça é um serviço prestado às injustiças. Pode até não ser sua obrigação legal agir em defesa daquilo que acredita, mas é pelo menos um dever moral muito básico. Se você entende que um valor é precioso e nada faz para protegê-lo ou garanti-lo, a sua inércia é uma forma de conivência com aquilo que você mesmo repudia.

Trazendo esta questão novamente à Guerra Política, o que temos é o entendimento fundamental de que na luta contra aqueles que querem violar nossos valores devemos manter o esforço constante. Mais do que isso, devemos nos esforçar de maneira eficiente. A estupidez de ações impensadas, imaturas e sobretudo ineficazes apenas para fins de culto da própria imagem é uma imoralidade tacanha e desprezível.

Neste contexto, nada é tão imoral quanto ser um defensor incompetente das suas ideias, e nada pode ser tão anti-ético quanto ignorar ou agir de modo a desprezar um perigoso inimigo apenas pelo mero orgulho.

Vale quase tudo

Até agora você pode ter dúvidas sobre o quanto o "seu lado" é realmente certo ou virtuoso, mas há uma forma bem simples e objetiva de saber. Pergunte-se a si mesmo: Para defender as ideias nas quais acredito, eu preciso necessariamente recorrer a mentiras e subterfúgios?

Caso a resposta seja positiva, isso significa que os seus valores estão provavelmente distorcidos. Simplesmente não há como defendê-los dizendo a verdade. Por outro lado, se você acha que não é este o caso, há grandes chances de suas ideias serem, sim, virtuosas e éticas. Como exemplo, cito aqui o caso de quem defende o aumento de impostos. É virtuosa a defesa do aumento de impostos? Claramente não. É uma ideia indefensável sob qualquer escrutínio, sendo unicamente possível defendê-la a partir de sofismas e argumentos pautados em fraude e logro.

Por outro lado, se você defende que é fundamental o direito a vida, sendo justificável tirá-la apenas sob a condição de legítima defesa sua ou de terceiros, esta é uma visão facílima de ser defendida sem que haja a necessidade de recorrer a qualquer tipo de fraude intelectual.

Pautado nisso, sempre recomendo que não tenhamos piedade de nossos opositores. Devemos atacá-los de forma constante, dedicada e acima de tudo eficiente. Contudo, sou contra a utilização da mentira como método de ataque. Se estamos do lado certo, é plenamente possível atacarmos o inimigo dizendo apenas verdades, ainda que sejam ditas de formas mais sofisticadas e inteligentes - prezando, como já foi dito, pela eficiência, e não apenas pela aparência.