19 de julho de 2016

DOSSIÊ | Paulo Henrique Amorim

Apesar de não exercer a profissão há muitos anos, Paulo Henrique Amorim já foi um jornalista de respeito. Começou sua carreira ainda na década de 1960, tendo trabalho em grandes jornais e revistas como Veja, além da TV Manchete e até da Rede Globo. Cobriu eventos históricos importantes como a revolução zapatista no México, a posse de Clinton em 1992 e até os distúrbios raciais em Los Angeles. Entretanto, em algum momento, sua carreira degringolou e desde então ele faz um trabalho bem diferente do que se espera de um jornalista.

- Em 1996, Amorim saiu da Globo para a Bandeirantes, emissora na qual passou a apresentar o programa político Fogo Cruzado. (Fonte)

- Dois anos depois, PHA conseguiu algo que veio a ser sua marca registrada: Estar sempre errado, até mesmo quando criticou o ex-presidente Lula - na época ainda candidato. Amorim disse em seu programa que Lula teria comprado um apartamento ilegalmente, bem na época da campanha eleitoral para a presidência. Curiosamente, as autoridades investigaram a denúncia e, para surpresa sua que está lendo isso agora, o petista era realmente inocente. Lula entrou na justiça e conseguiu direito de resposta. (Fonte 1) - (Fonte 2)

- No ano seguinte, em 13 de janeiro, Amorim simplesmente parou de comparecer ao trabalho. A Rede Bandeirantes o demitiu após alguns dias por abandono de função, mas por alguma misteriosa razão ele processou a emissora e ganhou a causa em primeira instância. A razão alegada para o abandono de serviço foi a de que supostamente a Rede Bandeirantes começou a podá-lo, não permitindo mais a mesma liberdade que ele teve nos anos anteriores. (Fonte 1) - (Fonte 2) - (Fonte 3)

- Em 2005, Amorim publicou o livro Plim Plim: A peleja de Brizola contra a fraude eleitoral, no qual acusa a Rede Globo de uma conspiração contra Leonel Brizola em 1982, durante a eleição para o governo estadual do Rio de Janeiro. As acusações contidas no livro jamais foram comprovadas. (Fonte)

- Amorim foi demitido do portal IG em 2008 e teve seu blog retirado do ar de forma abrupta. Segundo o site, PHA teria sido contratado em 2006 para o blog Conversa Afiada, mas seu rendimento não estava bom. A empresa alegou que encerrou o contrato por questões financeiras, visto que era caro manter um blog cujo retorno era inferior às despesas. Ainda em nota, o IG afirmou que PHA foi avisado com meses de antecedência e que foi solicitado a tirar o blog do ar por conta própria, mas se recusou a aceitar a ordem e, por esta razão, o site tomou a decisão de tirá-lo. Amorim, entretanto, alega que o site o teria cortado apenas por denúncias que ele fez contra a fusão entre as empresas Brasil Telecom e Oi, alegando que havia uma negociata envolvendo o Governo Federal - na época o presidente era Lula. Apesar disso, Amorim criou novamente seu blog, com o mesmo nome, poucos dias depois, mas desvinculado do portal IG. (Fonte)

- No ano de 2013 foi publicado o livro do delegado e ex-Secretário Nacional de Justiça Romeu Tuma Junior, "Assassinato de Reputações - Um crime de Estado", no qual há diversas acusações gravíssimas contra o Partido dos Trabalhadores. O autor, Tuma Junior, alegou em entrevistas que teria sido ajudado a escrever o livro, e que além de Cláudio Tognoli, que aparece como co-autor da obra, Paulo Henrique Amorim teria participado da construção do caso. No entanto, o blogueiro passou a negar veementemente, apesar de ter posteriormente admitido que ajudou Tuma Junior sobre o caso Daniel Dantas. A suspeita para a mudança de comportamento de Amorim se baseia no fato de que ele talvez tenha recebido algum tipo de suborno por parte do governo, o que pode até justificar sua radical mudança de postura na última década, passando de jornalista sério a um defensor voraz do PT. (Fonte 1) - (Fonte 2)

- Em 2015 foi divulgada uma lista de blogs 'alternativos' que recebiam dinheiro de anúncios governamentais. Dentre eles, obviamente, estava Paulo Henrique Amorim, que recebeu só em 2014 pouco mais de R$ 700 mil. Na mesma lista havia sites como Opera Mundi, Carta Maior, Diário do Centro do Mundo e, é claro, Brasil 247 (o que mais recebeu verbas). Ao que tudo indica, oficialmente Paulo Henrique Amorim já recebeu pelo menos R$ 2,6 milhões só em verbas diretas do governo PT. (Fonte 1) - (Fonte 2) - (Fonte 3) - (Fonte 4)

- No mês de janeiro, em seu canal no Youtube, PHA postou um curto vídeo no qual ataca o juiz Sérgio Moro, alegando que ele não prenderá Lula e que será "um fracasso retumbante", além de insinuar que Moro faz vista grossa com a corrupção dos tucanos. O blogueiro foi duramente criticado por tais declarações, sobretudo por serem em geral infundadas. (Fonte 1) - (Fonte 2)

- Em março deste ano, Paulo Henrique Amorim fez diversas ofensas à Polícia Federal em um vídeo no Youtube, no qual chamou os policiais de golpistas, irresponsáveis e criminosos. No mesmo vídeo, PHA sugere que Dilma demita todos os membros da corporação (?). O sindicato que representa a PF em São Paulo repudiou as declarações e disse que entraria com medidas na justiça, o que acabou não acontecendo. (Fonte)

- No dia 16 de março, Amorim postou um vídeo em seu canal no Youtube e republicou em seu blog. No vídeo, PHA acusa William Bonner e Renata Vasconcellos, âncoras do Jornal Nacional na Rede Globo, de serem "canastrões". Ele fez também a absurda colocação de que o objetivo do Jornal Nacional era "derrubar Dilma enquanto o jornal transcorria", algo que nem mesmo faz sentido. (Fonte 1) - (Fonte 2)

- Ainda no mês de março, internautas lançaram uma campanha nas redes sociais para pedir a demissão de PHA dos quadros da Rede Record, emissora na qual ele atualmente apresenta o programa Domingo Espetacular. (Fonte 1)


Condenações Judiciais
Paulo Henrique Amorim já foi tantas vezes processado e condenado que cabe, aqui, uma sessão especial neste dossiê só para listar os casos.
2011: A Justiça do Rio de Janeiro manteve condenação de primeira instância contra PHA por calúnia, contendo a indenização de R$ 30 mil a Ali Kamel, também jornalista e diretor geral de jornalismo na Rede Globo. Em postagem do blog Conversa Afiada, PHA acusou Ali Kamel de ser racista, o que configura crime de calúnia. Amorim também recorreu ao STF para fugir da sentença, mas perdeu novamente. (Fonte 1) - (Fonte 2) - (Fonte 3)

Ainda em 2011, em setembro, a Justiça o condenou novamente por calúnia, desta vez contra o advogado do banqueiro Daniel Dantas, Nélio Machado. PHA afirmou, em 2008 e sem nenhuma evidência, que Nélio Machado se reunia com assessores do ministro Gilmar Mendes para suborná-los, e que por essa razão conseguiu tirar seu cliente da cadeia por duas vezes. No entanto as tais reuniões jamais aconteceram. (Fonte)

2012: No início do ano, Amorim recebeu condenação por ter chamado Paulo Vieira de Souza (o Paulo Preto) de "Paulo Afrodescendente", além de ter divulgado o endereço pessoal dele em postagem feita em seu blog em 2009. A condenação se deu por danos morais e injúria racial, e Amorim teve que pagar R$ 30 mil em indenização. (Fonte)

Logo depois, em fevereiro, PHA foi condenado por ofensas raciais contra Heraldo Pereira, repórter da Rede Globo. Amorim o chamou de "negro de alma branca" e ter dito, em uma postagem em 2009, que Heraldo não tinha nenhum atributo para estar ali, exceto ser um negro de origem pobre. Mais uma vez, a sentença foi baseada no crime de injúria racial, e PHA foi condenado a pagar R$ 30 mil para uma instituição filantrópica indicada por Heraldo Pereira. Amorim também foi obrigado a publicar retração em seu blog pessoal, no Correio Braziliense e no Estado de São Paulo, além de remover as ofensas contra Heraldo. (Fonte 1) - (Fonte 2)

Em novembro do mesmo ano, mais uma vez Amorim foi condenado a indenizar outro jornalista, desta vez foi Lasier Martins (hoje senador) da RBS TV do Rio Grande do Sul, por diversas ofensas e acusações postadas em seu blog Conversa Afiada. Em sua defesa, Amorim alegou que não criou o conteúdo, mas apenas o reproduziu. No entanto, os advogados de Martins alegaram que a repercussão da matéria divulgada por PHA teve muito maior alcance. Os juízes aceitaram as alegações de Martins e condenaram Amorim mais uma vez. (Fonte 1) - (Fonte 2) - (Fonte 3) - (Fonte 4)

2013: O caso Heraldo Pereira voltou a assombrar PHA. Desta vez, outra condenação sentenciou o blogueiro a um ano e oito meses de prisão, pena que foi substituída por restrições de direitos. (Fonte)

2015: PHA entrou em 2015 com o pé esquerdo. A Justiça de São Paulo o condenou, novamente por injúria e calúnia, desta vez contra o também jornalista Merval Pereira, do Grupo Globo. Amorim recorreu mais uma vez ao Supremo Tribunal Federal, mas este novamente manteve a condenação. (Fonte 1) - (Fonte 2)

Ainda no mesmo ano, Ali Kamel novamente moveu ação por calúnia contra PHA e ganhou. Desta vez o blogueiro repetiu as acusações que tinha feito anteriormente, chamando Kamel de racista. A justiça obrigou PHA a pagar indenização no valor de R$ 20 mil. (Fonte)

2016: Em janeiro, PHA foi condenado novamente por ofensas e calúnia contra Ali Kamel. Desta vez a Justiça de São Paulo o condenou a cinco meses e dez dias de prisão, mas ainda cabe recurso. (Fonte 1) - (Fonte 2)

Em março, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro mais uma vez condenou PHA por injúria e calúnia proferida contra Merval Pereira. Desta vez foi fixada indenização no valor de R$ 50 mil. (Fonte)

A mais recente condenação de PHA remete outra vez a Heraldo Pereira, repórter da Globo. Em junho, o STJ condenou Amorim outra vez por injúria racial contra o repórter da Globo, que é negro, ainda pelas mesmas ofensas proferidas nas condenações anteriores. Desta vez a Justiça fixou pena de um ano e oito meses, que provavelmente o blogueiro cumprirá em regime de prisão domiciliar. (Fonte)

Conclusão: Além das condenações aqui mencionadas, Amorim já foi processado outras dezenas de vezes. Muitas ações ainda correm na justiça e podem resultar em mais condenações. A maioria dos processos tem como base as mesmas acusações de calúnia, injúria ou difamação. PHA também é conhecido por ter um estilo "peculiar" de escrita em seu blog, no qual comete erros de ortografia bizarros. O conteúdo de uma grande parte de seus textos é composto de xingamentos, muitas vezes com palavras de baixo calão.