2 de julho de 2016

A importância de se atacar o PT, principalmente agora

Há alguns dias, em uma postagem no Facebook, vi algumas pessoas discutindo se deveriam ou não atacar o PT agora, uma vez que o partido está "nos dias finais". A ideia que um dos interlocutores apresentava era a de que o partido já está profundamente rejeitado, e assim atacá-lo acaba dando a ele mais destaque. O outro discordava, apontando que o PT ainda está longe de acabar, apesar de ir atualmente nessa direção, e que é necessário se preocupar em desconstruí-lo.

Na ânsia por atalhos e respostas fáceis, veio outro indivíduo concluindo disso que a melhor tática era criminalizar o partido, no sentido literal da palavra, por meio de lei. Sua ideia era a de que agora seria o momento ideal para forçar o Congresso a passar uma lei que proíba o petismo e casse o registro do partido. Obviamente esta ideia é ruim, assim como a visão de que o PT já está no fim e que não deve mais ser atacado. Também é ilusão acreditar que ataques ao PT lhe darão mais destaque.

Por que agora, tanto quanto ou mais do que antes, é necessário atacar o PT e desconstruir seus aliados e sua militância?

O afastamento de Dilma Rousseff, que já está perto de completar dois meses, criou na militância petista um ímpeto vigoroso de lutar pelos seus interesses. No dia 12 de maio, qualquer militante ativo do partido e de suas bases que estivesse 'dormindo no ponto' acordou de supetão, levou um 'sacode', viu que o buraco era bem mais embaixo e que Dilma corria risco real de perder o mandato. Não é difícil notar que após o afastamento a militância se fortaleceu muito, sobretudo os movimentos de rua. Foram dias e mais dias de recorrentes protestos, invasões em prédios públicos e campanhas contra Michel Temer.

Todo o discurso da esquerda, que é sempre pautado em logro e fraude, se dedicou a duas frentes únicas. Uma delas, responsável por proteger o PT, trabalha com narrativas como "impeachment é golpe", além de narrativas tangentes tentando colocar Dilma como vítima. Até a história de que "deixaram ela sem comida" foi feita para montar uma imagem de uma pessoa encarcerada e sem direitos, enquanto na realidade a quase ex-presidente gastou praticamente R$ 3 mil por dia só com comida enquanto esteve afastada.

Para sustentar esta versão da história, diversas "provas" surgiram, como as ligações entre Sérgio Machado, o ex-presidente da Transpetro, e políticos do alto escalão do PMDB. Vale lembrar que as gravações são anteriores ao afastamento da presidente e que, em algumas delas, sugere-se claramente que o objetivo comum era tentar proteger Lula e o próprio PT. Só que isso não importa, o que importa é a versão oficial da imprensa, que de modo geral divulgou apenas que políticos tentaram barrar a Operação Lava-Jato. Esta narrativa sustenta a tese de "impeachment é golpe", apesar de ser pautada em uma fraude intelectual bem simples.

A outra frente, a mais importante, é aquela que se volta contra os inimigos do PT. Dilma, antes de ser afastada, assinou diversos documentos que reduziam verbas para programas sociais que ela própria diz defender. Qual era a finalidade disso? Deixar uma bomba nas mãos de Temer, seu provável sucessor. No dia seguinte ao seu afastamento, surgiram ataques de todos os lados contra o presidente interino, alguns até legítimos, outros completamente absurdos. Estas críticas partiram de grupos distintos, não foram apenas de gente do próprio partido. A tática consistiu em uma maré de ofensas, acusações e críticas diretas ou indiretas ao presidente em exercício. Veículos de imprensa, na mesma semana, passaram a fazer jornalismo investigativo, trazendo informações que nunca antes foram trazidas a público, criando matérias sobre como Michel Temer ia mal em matemática na escola quando era criança, além dos óbvios ataques da militância mais radical, como o fato de ter sido escrachado por não colocar mulheres no ministério. Sabemos que se ele tivesse colocado mulheres lá teriam o atacado por qualquer outra coisa, mas a narrativa é o que importa.

Todos estes ataques ao presidente interino são componentes de uma só estratégia: desconstrução e desmoralização do adversário, e a ideia não é difícil de compreender. Uma das coisas que repito com mais frequência é o raciocínio de que em situações adversas, nas quais estejamos acuados, a melhor defesa é sempre o ataque. Obviamente os petistas entendem isso, eles sabem que justamente agora é o momento ideal para que lutem com unhas e dentes. O partido está acuado, está pressionado, sabe-se que estão perto do fim e, no atual momento, eles não têm muito a perder. Atacar seus oponentes é logicamente a melhor saída e é isso que fazem.


Mesmo nas adversidades, gaste mais tempo atacando o adversário do que se defendendo dele. Se ele te acertar um duro golpe, deixe a dor agir naturalmente enquanto desfere um golpe nele, com igual ou maior intensidade, e só depois disso, quando ele estiver no chão, é que você deve se permitir sofrer. Caso necessário, peça desculpas depois que ele estiver morto, mas não deixe que ele te mate. Assim é a guerra!

Conclusão

Por essas razões, deixo exposto que agora é o momento de atacar ainda mais o PT, sem lhe dar nenhuma trégua. Nós precisamos, para obter o máximo de sucesso, forçá-los a ficar na defensiva. A extrema-esquerda ainda tem muito poder e influência e isso não vai acabar assim, do nada, mesmo que Dilma sofra o impeachment. Pelo contrário. O impeachment pode até fortalecer ainda mais a militância, levando-a a ser mais radical. A ideia de criminalizar o partido agora é meio estúpida, é ingênua. O que devemos, no momento, é atacá-lo em todas as frentes, de formas diretas e indiretas. Como tática (uma delas, no caso) sugiro algo que venho fazendo há um bom tempo, que é relacionar toda forma de sujeira, corrupção e degeneração moral aos movimentos de esquerda ligados ao partido ou a mesmo a ele próprio.

Outra tática apropriada para levar a estratégia de desconstrução adiante, no momento, é trazer a público toda e qualquer informação que arranhe ainda mais a reputação dos petistas e de seus aliados, mesmo que sejam coisas feitas há muito tempo. Também devemos pressionar o Congresso quanto a CPI da UNE, o que desviará o foco de uma parte da militância que agora defende Dilma e Lula. Atacá-los com força e determinação pode forçar posturas defensivas, assim eles perdem força em seus ataques.

Mesmo que o PT, num futuro próximo, venha a acabar, teremos muito o que enfrentar. Por isso é importante não focar apenas no impeachment em si, mas ter em mente que o afastamento definitivo de Dilma é apenas parte de um longo processo de combate ao extremismo das esquerdas latino-americanas. Devemos atacá-los, mais até do que antes, até que não sobre mais nada.

"A invencibilidade reside na defesa, mas a possibilidade de vitória está no ataque. Quem se defende mostra que sua força é inadequada, quem ataca mostra que ela é abundante." (Sun Tzu)