20 de julho de 2016

A fanfarronice de Carina Vitral não tem fim

A atual líder da UNE, Carina Vitral, disse em entrevista que pretende concorrer pela prefeitura de Santos, litoral de São Paulo, ainda este ano. Provavelmente ela fará isso pelo PC do B, partido ao qual é filiada.

Isso seria o de menos, não fossem os detalhes da entrevista mais cínica que já vi em minha vida. A jovem que se diz estudante - mas que misteriosamente tem tempo para viajar e praticar militância todos os dias há anos, inclusive em épocas letivas - também falou que é preciso "se desligar dessa 'política tradicional'". Com a maior cara de pau do mundo, Carina diz que "é muito importante criá-las [as lideranças] não pensando no sonho individual de projeção, mas sim, conectadas com as causas do povo, da juventude."

Ok. Vocês não estão surpresos que ela finja se importar com o povo e com os jovens. Ninguém aqui está. Talvez você se surpreenda mesmo é com o que vem depois, quando ela diz que "toda ação é política, mas, não necessariamente, diz respeito a roubalheira." E, em seguida, diz que não há nada errado em trocar a liderança estudantil pela 'política tradicional'. 

Em primeiro lugar, vamos entender que Carina Vitral é a atual presidente de uma entidade que defende a roubalheira de maneira escancarada e que até se beneficia dela. A UNE não apenas apoiou o PT historicamente, foi ela que originou o partido lá nos primórdios. Imagine que estamos falando de algo tão ruim que foi capaz de gerar o petismo e até mesmo o PC do B. Enquanto Dilma e Lula governaram, a instituição recebeu muitos milhões de reais em benefícios e indenizações totalmente mal explicadas, o que inclusive irá motivar a possível abertura da CPI para apurar o envolvimento da UNE em esquemas ilícitos.

Em defesa da jovem revolucionária de classe média, alguns poderão alegar que ela não necessariamente compactua com tudo isso. Obviamente estariam mentindo ou muito equivocados ao dizê-lo, já que Carina participou de maneira ativa em atos de apoio a presidente afastada Dilma Rousseff, além de estar ao lado de Lula desde sempre. No dia em que Lula foi levado pela Polícia Federal, em março, horas depois ela estava ao seu lado no Instituto Lula enquanto ele discursava. Carina teve até mesmo a pachorra de posar em foto ao lado do ditador venezuelano e aliado dos petistas, o presidente Nicolás Maduro.

A tal "política tradicional" da qual Carina falou tanto nessa entrevista ao UOL é exatamente o que ela representa, inclusive como líder "estudantil", pois se há algo velho nesse país é justamente estudante que não vai para a aula e faz baderna. Pode até se tratar de uma moça jovem e bonitinha, mas ainda assim o que ela representa é o que há de mais podre e imundo na política brasileira. E somemos isso ao fato de que a garota está em um partido pré-histórico como o PC do B, uma legenda que apoia até o absurdo governo norte-coreano e defende coisa semelhante ao Brasil. 


ARTIGOS RELACIONADOS