15 de julho de 2016

A esquerda não luta por igualdade, ela luta por poder

Meu colega Luciano Ayan desenvolveu há algum tempo um conceito que considerei, na época, um tanto estranho, mas com o tempo passei a entendê-lo e assimilá-lo como um fato notório. Trata-se da "fé cega na crença", que é nada mais do que a ideia das pessoas que, ao julgarem seus adversários políticos, acreditam no que estes dizem sobre si mesmos como se fosse verdade comprovada. É a fé naquilo que o outro diz que pensa como se ele realmente pensasse aquilo. Se você não entendeu, vou expor com exemplos.

Frequentemente vejo pessoas dizendo que "a esquerda luta por igualdade", e muitas vezes são liberais que dizem isso. A razão de dizerem coisa assim é a de quererem criticar a ideia de igualdade como ilegítima ou errada, mas o que eles não entendem, aparentemente, é que também estão nesse momento assumindo o papel de otários por acreditarem em uma propaganda enganosa.

A esquerda diz lutar por igualdade, não quer dizer que ela realmente lute por isso. A finalidade por trás dessa retórica igualitarista é fazer com que pareçam boa gente, é trazer a tônica de que são pessoas legais querendo acabar com a pobreza no mundo e com as injustiças sociais. Só que nós não podemos cair no logro e comprar essa ideia. Para saber como as pessoas pensam, não podemos simplesmente acreditar no que elas dizem, pois as pessoas mentem (em geral, todas elas), principalmente sobre si mesmas. É natural que para se defender ou para atacar seus inimigos os esquerdistas adotem uma postura na qual eles - e somente eles - são dignos por "lutarem pelo bem, em prol da igualdade de classes."

É tudo mentira, e não precisamos ir longe para descobrir, basta começarmos a analisar os casos conforme a realidade dos fatos. Lula dizia lutar pela igualdade, prometia erradicar a pobreza, dizia que se chegasse ao poder acabaria com a fome e com a miséria. Bacana. Era um belo discurso. Mas e a prática? O que realmente aconteceu com Lula no poder? Em primeiro lugar, não aconteceu absolutamente nada do que ele prometeu. Depois, vieram os escândalos de corrupção, todos eles envolvendo a alta cúpula inteira do partido e muitos milhões de reais tirados justamente do povo que ele prometia salvar.

Lula e Dilma foram os presidentes que mais gastaram com as regalias concedidas aos políticos, eles deliberadamente torraram a grana dos cartões corporativos por anos a fio, faziam viagens caras, sempre se hospedavam em hotéis de primeira classe com direito a suítes caríssimas. Durante seu afastamento, desde o dia 12 de maio, Dilma Rousseff gastou cerca de R$ 3 mil por dia só com comida, é praticamente o triplo do que pessoas de classe média gastam por mês com alimentação. Pobres brasileiros não chegam nem perto de gastar uma quantia dessa em comida por dia, a maioria recebe salários menores do que isso mensalmente. Esta é uma atitude de quem se importa em erradicar pobreza e desigualdade social? Óbvio que não é!

E aqueles que defendem Lula e Dilma até hoje, ignorando todos esses fatos, realmente lutam por igualdade? E, se sairmos do Brasil para mostrar Nicolás Maduro, o ditador venezuelano, que também é apoiado pelas mesmas pessoas que apoiam Dilma hoje? Pois é. Maduro vive na maior mordomia enquanto o povo passa fome, e o detalhe é que a situação do povo está bem pior com ele do que estava antes dele e Chávez.

E quanto à equidade de gênero? Partidos e movimentos de esquerda dizem lutar pela igualdade entre homens e mulheres e, mais do que isso, eles próprios querem impor esta agenda à sociedade, chegando ao ponto de criar cotas para mulheres. Entretanto, o PSOL descumpriu a cota feminina, justamente um dos partidos que levanta essa bandeira.

Com a igualdade racial que a esquerda diz defender ocorre algo similar, e para constatar isso basta olhar os ambientes por eles frequentados e quem eles defendem. O "jornalista" Paulo Henrique Amorim, que é petista roxo, não sofreu um só ataque de pessoas de esquerda ao ter ofendido o jornalista Heraldo Pereira, que é negro, e as ofensas foram de cunho racial. Amorim foi processado e condenado em duas instâncias, mas a esquerda ficou em silêncio total, da mesma forma que ignora o preconceito racial exposto por Karl Marx ou os comentários de Jean Wyllys para um internauta negro.

Entre os principais atores no elenco do Porta dos Fundos, nenhum é negro. Verdade seja dita, o único negro que aparece ali é um ator secundário que fica de fora da maioria das esquetes. Mesmo assim, isso não os impede de cobrar cotas para negros no Óscar, uma premiação dada à elite do cinema que já contemplou proporcionalmente tantos negros quanto brancos se compararmos com a população negra americana (cerca de 12%, apenas).

A esquerda defende a ditadura de Maduro, a ditadura norte-coreana, a ditadura cubana e outras que já acabaram, como a soviética, mas critica arduamente a ditadura chilena ou a brasileira, só porque elas não foram ditaduras comunistas. A esquerda critica o racismo mas o pratica quando convém, chamando qualquer negro que não concorde com suas bandeiras de "capitão do mato" e outros termos pejorativos. A esquerda defende a igualdade apenas no discurso, na prática o que ela quer é apenas o poder e mais nada. 


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