11 de julho de 2016

"A esquerda brasileira não controla mais as ruas", admite ativista aliado ao PSOL


Javier Toret é o líder intelectual de um movimento que se tornou conhecido na Europa, principalmente na Espanha, em meados de 2011. 15-M, conhecido também como "Os Indignados", foi um movimento orgânico, surgido a partir de convocações feitas na internet que acabaram tomando a praça Puerta del Sol, em Madrid. Após terem sido reprimidos pela polícia, o movimento se fortaleceu ainda mais e não parou de crescer - semelhanças com o que o MPL fez em 2013 no Brasil não são mera coincidência.

A ideia por trás desses protestos aparentemente "espontâneos" era, na realidade, dar vazão a um projeto chavista em plena Espanha, o PODEMOS, partido socialista que hoje já exerce forte influência na política espanhola.


Toret esteve em Porto Alegre, participou do lançamento da candidatura de Luciana Genro (PSOL) à prefeitura da cidade. Em entrevista ao portal Sul 21, o ativista declarou que aqui no Brasil, diferente dos protestos ocorridos na Espanha, na Primavera Árabe ou no movimento Occupy Wall Street, nos EUA, a direita dominou a narrativa e as redes sociais. 
“Analisando os gráficos do Twitter sobre as mobilizações de junho, só aparece a direita. Das manifestações que ocorreram desde 2011, Primavera Árabe, Occupy Wall Street, Espanha, Turquia, Hong Kong, Paris, o único lugar onde os gráficos mostram a direita na liderança das redes é o Brasil. Também porque os movimentos de esquerda daqui são inúteis na internet. São muito ruins.”
O ativista ainda cita nominalmente o Movimento Passe-Livre, principal desencadeador dos protestos de 2013. Ele diz que o MPL na ocasião sequer tinha um perfil no Twitter, não foram criadas hashtags para difundir os atos e isso fez com que, naquele momento, a esquerda brasileira perdesse as narrativas para os liberais e conservadores.

A análise de Javier Toret, inclusive, é das mais corretas. Os movimentos de 2013 foram certamente iniciados pelos movimentos de extrema-esquerda e desde o começo tiveram participação de partidos como PSTU e PSOL. No entanto, poucas semanas depois eles já eram minoria e não tinham apoio nenhum. Houve casos em que pessoas com bandeiras do PSTU, PT e PSOL foram expulsas dos atos por cidadãos comuns que execram estes partidos. Na internet, pipocaram narrativas à direita, hangouts com a participação de liberais e conservadores discutindo os fatos, além de diversas páginas nas redes sociais.

Justiça seja feita, esta foi uma das poucas vezes na história recente do país que a direita jogou bem. Tanto é que foram justamente os atos de 2013 que desencadearam, no longo prazo, o movimento pró-impeachment. O MPL jamais pensou que prejudicaria tanto assim o PT.