29 de junho de 2016

Porta dos Fundos recebeu mais de R$ 3,5 milhões pela 'Lei do Audiovisual'

O canal de humor Porta dos Fundos, que na realidade é a empresa chamada Porta dos Fundos Produtora e Distribuidora Audiovisual S.A., captou junto a Lei do Audiovisual mais de R$ 3,5 milhões de reais. O projeto é o filme da própria produtora, Contrato Vitalício, que está para ser lançado amanhã. A informação pode ser conferida diretamente no site da ANCINE.

Nada de muito surpreendente. Isso nem é notícia nova. A questão que quero levantar aqui, no entanto, é outra. O Porta dos Fundos é, de longe, o mais bem sucedido canal de humor que surgiu no Brasil desde o Casseta & Planeta dos anos 90. A produtora mantém esquetes semanais no Youtube há anos, desde o começo com uma adesão enorme do público. O canal já foi duramente atacado por seus posicionamentos políticos e religiosos, mesmo assim se mantém firme e forte, a audiência parece até crescer mais a cada polêmica. 

Atualmente esse canal tem mais de 12 milhões de inscritos e qualquer vídeo lançado passa de um milhão de acessos em questão de horas ou dias, se muito. Além disso, o elenco conta com pessoas famosas e até talentosas, como Rafael Infante, Fábio Porchat e Antônio Tabet, além de diversas participações especiais. A pergunta que fica, portanto, é a seguinte:

Há mesmo a necessidade de pedir verbas através de leis de incentivo?

A resposta nós já sabemos: não há!

Ao que parece, esse negócio de verbas culturais é puro vício. Frequentemente artistas que têm total capacidade para custear seus espetáculos e produções apelam a isso, sem a menor necessidade. Não consigo imaginar razões lógicas para tal, a não ser, é claro, a pura e simples falta de vergonha na cara. Tudo só comprova que temos um problema cultural por aqui. As pessoas não têm o hábito de procurar maneiras eficientes de bancar seus projetos, pois sabem que se conhecerem os caminhos certos podem facilmente ganhar tudo de mãos beijadas. Um canal como o Porta dos Fundos, se quisesse mesmo, poderia facilmente abrir um financiamento privado, certamente ganhariam doações de seus milhões de seguidores fiéis. A razão para não fazerem isso e buscarem o financiamento público é mera questão de "jeitinho brasileiro". Neste caso, um "jeitinho" legalizado.