5 de junho de 2016

Os avanços liberais nas universidades

Muitos liberais ou libertários mais radicais costumam pensar que não é certo ocupar espaços públicos, por julgarem que tal ação resulta de alguma incoerência entre a teoria e a prática. Tal mentalidade, no entanto, é equivocada. Em meu ponto de vista é não apenas correto que liberais entrem em queda de braço com a esquerda, acho que é necessário e fundamental que isso aconteça. E as universidades são de longe um espaço dominado por uma elite ligada a movimentos de esquerda, geralmente até mais radicais do que os partidos com os quais estamos acostumados.

Qualquer pessoa que tenha passado por uma universidade sabe perfeitamente quantos são os casos de DCEs que ignoram por completo os interesses dos alunos, e geralmente para atender interesses de partidos e ONGs. Também é sabido que o mesmo ocorre em grêmios estudantis nas escolas secundárias. Em meus tempos de estudante, por exemplo, os líderes do grêmio estudantil eram do Movimento Passe-Livre - na época, em minha defesa, afirmo que eu era tão despreocupado com a vida que nunca me importei com nada disso.

Por sugestão de uma leitora da página escolhi falar sobre este assunto, que considero de suma relevância, e pretendo primeiramente explanar alguns casos específicos em que liberais e libertários ocuparam (ou tentaram) DCEs por meio do voto, e no fim farei uma análise geral do movimento, com algumas sugestões pertinentes.


Caso 1: UnB em 2011

Fazendo rápidas pesquisas achei uma matéria interessante - e tendenciosa - do Estadão, de novembro de 2011, falando sobre diversos casos de diretórios acadêmicos sendo finalmente disputados por opositores, não por um bando de pelegos. O caso que achei mais interessante entre os citados é o da UnB, em que disputou - e venceu - a chapa Aliança Pela Liberdade, liderada por Davi Brito.

A matéria questiona no título o fato de serem chapas apartidárias, mas logo depois admite que a chapa exige que todos os seus integrantes mostrem registro do TSE informando não possuírem nenhuma filiação partidária. O desespero da esquerda, já naquela época, foi enorme.

O comentário feito pela concorrente da chapa e também filha de Rui Costa Pimenta (PCO), a "estudante" Natália Pimenta, e que também está publicado nesta matéria do Estadão, é de alta relevância. Veja só:
Leia Mais:http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,primavera-dos-sem-partido,804192 


Não é surpresa que uma socialista radical diga algo assim. A intolerância com os divergentes é marca registrada de uma esquerda raivosa, e quase toda a esquerda é raivosa, sobretudo a mais radical. O que ela admite, ao dizer tais palavras, é que o desespero por terem perdido uma simples eleição de DCE é suficiente para que rompam com as regras institucionais e pratiquem o que, aí sim, poderíamos chamar de golpismo barato. Não por acaso foi exatamente assim que agiram na USP.

Outra matéria sobre esse mesmo caso da UnB pode ser vista aqui.


Caso 2: USP em 2011

A Universidade de São Paulo é conhecida há bastante tempo por sua forte tradição socialista, sobretudo nos cursos de ciências humanas. Não é mentira dizer que a universidade é infestada de militantes partidários, no corpo docente e no corpo discente, e que também há diversos alunos ligados a organizações da esquerda que não são partidos, mas que indiretamente trabalham com partidos, como o Movimento Passe Livre.

A diferença mais gritante entre este caso e o da UnB é que na USP a esquerda conseguiu aplicar um golpe para evitar a perda do mandato. Agindo de modo a violar o próprio Estatuto, uma assembleia de "estudantes" em que apenas 38 alunos votaram definiu o adiamento das eleições naquele ano, e por uma diferença pequena (22 a 16, com 3 abstenções). O que motivou o desespero golpista da esquerda radical foi o fato de que a vitória estava quase certa para a chapa Reação, liderada por Vinícius do Carmo. Pilar Gomez, também integrante da chapa, comentou o adiamento e explicou como a esquerda jogou sujo para manter o mandato:


Saiba mais sobre o caso clicando aqui.

Notem que o Estadão trata de forma pejorativa o fato de a chapa ser favorável a presença da PM no Campus. No entanto, sabemos o que aconteceu quando a polícia esteve fora, não é?



Caso 3: UnB Returns

A Universidade de Brasília, que em 2011 foi "tomada" pela chapa liberal, em 2014 reelegeu a mesma chapa. Só que em minhas pesquisas achei um texto no mínimo engraçado de um site chamado "União Anarquista", que bem poderia se chamar "União dos Pelegos Governistas" (embora não soe tão bem). No site, o autor da pérola chama os estudantes que compõem o movimento de oposição de neoliberais burgueses, como se a filha de um político e presidente nacional de um partido (Natália Pimenta, citada antes, filha de Rui Costa Pimenta) fosse mesmo uma pessoa pobre ou proletária. 

O trecho a seguir, deste mesmo texto, é bastante curioso. Depois o analiso para vocês:
"Segundo estes jovens playboys, a política não é mais o espaço do conflito de classes, a política é espaço para especialistas, detentores do conhecimento neutro, que irão “resolver problemas” afim de “fazer as coisas funcionarem”. No entanto, o fazer técnico e eficiente oculta a manutenção de estruturas desiguais sob o discurso do “para todos” (negação da luta de classes). Ou seja, a não-ideologia ela mesma é ideológica e se coloca num dos pólos do conflito de classes, porém, sendo defensor do pólo dominante toma ares de cinismo conservador se colocando acima de qualquer oponente, afinal de contas, dentro de sua lógica empresarial o único oponente possível seria um outro grupo “mais eficiente” ao qual os estudantes votariam/comprariam pela livre concorrência."
Este parágrafo acima nos diz muito. Sei que se analisarmos pela lógica, apenas, nada disso faz muito sentido. No fundo o autor reclama de que os liberais da chapa Aliança Pela Liberdade queiram ser eficientes e botar a coisa para funcionar, sei que isso parece extremamente estúpido e provavelmente é. Entretanto, o site e o texto em si não são direcionados para o público de pessoas sensatas, mas para uma bolha de esquerdistas que se auto-alimenta. Isso aí é só um texto para atingir a própria militância de esquerda, uma forma de escrever para convertidos, exatamente como eu faço neste site escrevendo para quem já é liberal. Não tenho a menor intenção em meus textos de converter pessoas de fora do movimento para o nosso lado, porque isso já há bastante gente fazendo por aí. O meu objetivo é falar aos meus parceiros de luta, e este artigo do site União Anarquista tem a mesma finalidade, daí cabe o uso excessivo dos jargões que ele utiliza, especialmente nas partes sublinhadas por mim. 

Notem, como disse antes, que Natália Pimenta, uma garotinha de classe média, fazia parte desse mesmo movimento de esquerda contrário à chapa vencedora. Assim mesmo isso não impediu que o site escrevesse um texto chamando seus opositores de playboys, associando sua imagem ao conservadorismo de modo que parece pejorativo só de ler, como se ser conservador fosse um problema por si só, sem necessidade de maiores explicações.

No fundo essa choradeira toda é boa, mostra que os liberais estão incomodando uma esquerda mal acostumada, que vinha há décadas sem enfrentar oposição genuína e forte. O próprio autor de esquerda no texto reconhece que a derrota foi vergonhosa, com a Aliança Pela Liberdade levando 52% dos votos totais. Ou seja, venceu com folga, pois todas as demais chapas juntas não teriam a votação necessária. A propósito, isso também reforça uma desconfiança que tenho há anos, a de que em geral a esquerda radical é tão mal acostumada a competir que nem mesmo sabe fazer estratégia eleitoral (há um caso pessoal que pretendo relatar no futuro e que sustenta essa teoria).


Atualidades

Santa Catarina, Florianópolis.

De 2011 para cá esse movimento de liberais avançando dentro das universidades só cresceu, e como catarinense não poderia deixar de citar a atuação do EPL, através do Grupo Henry Maksoud, que vem fazendo um excelente trabalho ao gerar concorrência dentro da UFSC e do IFSC. Atualmente o grupo montou a chapa Liberdade Para Voar, e sugiro que quem não conhece entre em contato com o pessoal para poder participar ou ajudar de alguma forma.

Porém, ainda falando do Grupo Henry Maksoud, houve um caso curioso há dois meses em que membros do grupo foram fazer um convite em salas de aula da UFSC, o que é prática comum, e dois professores de esquerda os trataram de forma ríspida, sendo que um deles tentou humilhá-los e não queria nem mesmo deixá-los falar. O caso constrangeu muita gente, inclusive os alunos dos professores em questão. O grupo emitiu uma nota sobre o caso, que você pode ver clicando aqui.

Rio Grande do Sul, Porto Alegre

Na UFRGS, militantes de esquerda faziam um manifesto pró-Dilma em pleno pátio da universidade em março deste ano. Alguns alunos, incomodados com a baderna, aproveitaram para colocar uma faixa na janela da sala de aula que dizia "Renuncia Já". Notem que há uma gritante diferença. Enquanto uns estavam fazendo esporro, baderna, barulho, outros protestaram de maneira limpa e silenciosa, sem de forma alguma causar qualquer dano a terceiros. O que aconteceu, e que você pode conferir neste vídeo divulgado pelo DCE Livre - Movimento Estudantil Liberdade, é que um professor da instituição entrou na sala de aula e agressivamente arrancou a faixa da janela, como se fosse ele o dono da sala. O professor, adivinhe só, é militante do PT e tem até foto com Tarso Genro (PT), ex-governador do Rio Grande do Sul e pai de Luciana Genro (PSOL). Vejam a foto, que linda:



Minhas considerações e sugestões

Não quero ensinar ninguém a fazer o que já faz, longe de mim. Acredito que o EPL tem feito um bom trabalho neste sentido e que diversos movimentos liberais acertaram nessa questão. O que cabe aqui, para mim, é uma crítica àqueles que justamente criticam esta postura dos liberais que lutam para ocupar terreno nestas instituições e, no máximo, dar algumas sugestões para ajudar ainda mais aqueles que lutam por isso.

Minha crítica aos liberais e libertários que são contra essa ocupação de terreno é bastante simples: eles são tolos. Tolos e inocentes, ouso dizer. Qualquer pessoa que tenha estudado em uma universidade na vida sabe perfeitamente o que acontece lá dentro. Em geral, alunos que entram lá na melhor das intenções muitas vezes se tornam militantes políticos agressivos, se transformam em zumbis com bandeiras. Com certeza você já viu isso acontecer até com pessoas próximas. Eu mesmo tive dois amigos a quem salvei dessa desgraça logo nos primeiros anos de curso, e se não fosse por mim talvez eles estivessem hoje militando pelo PSOL.

Essa ocupação de espaços é imprescindível para enfraquecer a esquerda, principalmente para enfraquecer movimentos mais jovens. O já mencionado PSOL tem em sua base militante em sua maioria universitários, justamente por conta de as faculdades serem repletas de lideranças diretamente ligadas ao partido. Gerar a concorrência por si só já enfraquece os nossos adversários, mas quando o espaço é efetivamente ocupado (por meio da eleição, no caso) o resultado pode ser qualquer coisa melhor do que é agora, dificilmente será pior.

De minha parte, qualquer grupo de liberais ou até mesmo de conservadores que queira entrar nisso de cabeça deve ser apoiado. Não importa, a princípio, se você concorda com todas as bandeiras ali defendidas ou se você gosta ou deixa de gostar das pessoas. Eu, por exemplo, não gosto de muita gente dentro do Grupo Henry Maksoud, já até tive algumas brigas com alguns membros de lá que considero execráveis. No entanto votaria em qualquer um deles contra uma chapa de esquerda, e faria isso sem pensar duas vezes. Não podemos deixar coisinhas pequenas nos atrapalharem no caminho. Em último caso, se você realmente não quiser ajudar outros liberais, independentemente das suas razões, você mesmo deve então se meter nisso e fazer sua parte, se candidatar, formar sua chapa. Quanto mais, melhor.

Como sugestão a qualquer um que queira entrar nessa, digo que é prioritário estudar. Não falo aqui de estudar economia, ciências sociais e coisas do tipo, falo de estudar o meio em que você vive, analisar os prós e contras, ver como contornar os obstáculos e como aproveitar aquilo que está favorável. Também é importante estudar os concorrentes, ver como eles agem e como já agiram no passado. Busque os podres de cada um dos envolvidos, pegue o máximo de informação para ter com o que trabalhar. O importante é ter resultados, certo? Perder faz parte, mas perder porque cometeu erros primários não é legal. Se você sofrer uma inevitável derrota mas estiver ciente de que fez o melhor ao seu alcance, tudo bem. Servirá como experiência.
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