30 de junho de 2016

Em Guarulhos, REDE faz coligação com PSC - O que isso significa?

Os partidos, ao menos nacionalmente, são extremos opostos. REDE é o partido de Marina Silva, ex-petista, ex-CUT, alinhada à extrema esquerda. Marina é tão esquerda que saiu do PT porque, segundo ela, Lula esquerdou pouco. Ela é tão radical à esquerda que cogitou colocar membros do Coletivo Fora do Eixo no Ministério da Cultura, caso viesse a se eleger. PSC, no entanto, se posiciona à direita conservadora, ao menos é isso o que vem mostrando nos últimos dois anos.

PSC é, atualmente, partido de Jair Bolsonaro e Marco Feliciano, dois dos nomes mais fortes da bancada conservadora no Congresso. Marina é o inverso disso, sendo provavelmente o maior nome hoje para suceder os petistas no governo de extrema-esquerda. No entanto, nada disso impediu que os líderes municipais dos dois partidos se aliassem. É bem provável que tenham trocado favores em virtude do tempo de propaganda eleitoral na TV, algo comum em todo o Brasil.

A bizarrice foi questionada por alguns militantes da base da REDE, mas não pelos militantes do PSC. A questão aqui é simples de entender, na verdade. O REDE está, lá em Guarulhos, usando o PSC para aumentar a coligação e ganhar poder, e o PSC municipal está completamente alheio ao mundo real. A causa disso pode ser o histórico do partido. Não custa lembrar que, até março de 2014, PSC era base petista e ajudava o governo de Dilma e Lula. Tanto é verdade que Marco Feliciano (que também defendia Dilma) assumiu cargo na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, em 2013, por causa das parcerias entre os dois partidos.

Essas coisas bizarras acontecem às pencas em cidades menores, e isso é causado justamente porque os partidos que não são alinhados à esquerda parecem compostos por bobos despreparados. É bem provável que o PSC de Guarulhos ainda esteja com as mesmas pessoas que o comandavam há quatro anos, quando o partido era base de Dilma no Congresso. Muito provável, também, que o próprio PSC a nível nacional não esteja devidamente preocupado com as cidades, pois aparentemente a preocupação maior do momento é escrever "Bolsonaro Presidente" e fazer pré-campanha com mais de dois anos de antecedência.

Infelizmente, o PSC não é o único a cometer esse tipo de equívoco. O PSL, partido recém tomado por uma iniciativa liberal, sofreu com o mesmo problema em Goiânia, quando o partido em sua esfera municipal anunciou parceria com o PT. Entretanto, neste caso a cúpula nacional fez o que tinha que fazer: entrou em contato e impediu que tal aliança ocorresse, e pouco tempo depois publicou um novo regimento proibindo esse tipo de coligação com partidos de esquerda. Agora é esperar para ver se o PSC terá a mesma postura ou se fará vista grossa.