22 de junho de 2016

Jair Bolsonaro: Vítima dos próprios desejos.

O deputado federal Jair Bolsonaro sempre foi enfático em defender a ditadura e a censura, faz isso desde os tempos em que era apenas vereador e continuou fazendo até os dias atuais, quando já está em sua sétima legislatura no Congresso. Infelizmente, para ele e para todos que diferente dele defendem a liberdade, o deputado agora é réu em um processo que pode resultar na sua cassação. E o pior de tudo é que não foi por suas recorrentes defesas ao governo militar, nem por sua constante defesa da censura, mas por ter apenas dito uma bobagem inofensiva a uma deputada que - esta sim - defende abertamente criminosos da pior estirpe e é apologista de crimes hediondos contra a humanidade, como o comunismo.

Este artigo, apesar do título e da introdução, é uma defesa do deputado, a quem costumo atacar. E quero deixar claro que fazer esse papel não me convém, pois não agradarei aos seus seguidores fiéis que o chamam de "mito" e tampouco agradarei aqueles a quem conquistei por criticar duramente o deputado. No entanto, farei esta defesa em nome da liberdade de expressão, algo que jamais deixei de defender.

Vamos, portanto, explicar o caso.

O G1 publicou ontem uma manchete que foi, de longe, um raro lampejo de honestidade intelectual, em que dizia: Bolsonaro vira réu por dizer que Maria do Rosário não merece ser estuprada. De fato, é exatamente isso. E certamente quem usa a internet há mais do que dois dias já viu aquele fatídico vídeo em que os dois deputados (Bolsonaro e Maria do Rosário) discutem nos corredores do Congresso, diante de um monte de câmeras, quando ela o ataca o chamando repetidas vezes de estuprador por ele - pasmem - defender que o "jovem" Champinha, estuprador e homicida, tenha uma pena mais severa do que os míseros anos passados na Fundação Casa. 

A verdade é que Jair Bolsonaro pode ter diversos defeitos, mas ele tem ao menos uma qualidade, que é sua intolerância com os criminosos. De todas as suas pautas, uma das mais conhecidas é a insistente tentativa de endurecer as leis penais contra quem pratica crimes hediondos, dentre eles o estupro. O deputado já fez diversos projetos de lei nesse sentido. A deputada Maria do Rosário, por outro lado, é justamente quem faz o oposto, tentando sempre agir em conivência com gente da pior estirpe. Não é por acaso que seja conhecida justamente por ser uma defensora de bandidos.

Maria do Rosário é uma das figuras mais odiosas dentro do PT, e a concorrência ali é grande. No caso em questão, ela o chama de estuprador, uma acusação que nem ao menos faz sentido, enquanto ele responde apenas com uma de suas costumeiras - e, sim, imbecis - piadinhas, afirmando que não a estupraria porque ela não merece. Claro que podemos até criticá-lo por comentários como esse, até aí tudo bem. Mas processá-lo criminalmente por dizer isso é completamente absurdo e inaceitável.

É importante notar, porém, que esta iniciativa partiu tanto da própria deputada como da Procuradoria Geral da República. Ontem, por cinco votos a um, sendo o único voto contrário o do Ministro Marco Aurélio Mello, o STF decidiu aceitar a denúncia de Maria do Rosário e da PGR, feita na época (2014) por Ela Wiecko, vice-Procuradora.

Outro detalhe nesta história é que Bolsonaro é acusado por dois crimes, sendo eles injúria e incitação ao crime. A primeira, de injúria, justificada pelo STF como ofensa à honra de Maria do Rosário, é risível, e não só por ela tê-lo injuriado primeiro, mas também por ser ela uma pessoa sem honra alguma. A segunda acusação, a de incitação ao crime, é ainda mais absurda. E de quebra os movimentos de esquerda ainda querem relacionar, desde aquela época até os dias atuais, a fala de Bolsonaro a crimes reais de estupro, como se estupradores fossem pessoas normais que em um piscar de olhos, por terem ouvido alguém falar que não estupraria alguém por ser uma mulher feia, passassem a pensar em praticar estupro.

Claro que nada disso aqui é realmente o foco. Trata-se, única e exclusivamente, de uma tentativa de cassar Bolsonaro. Luciano Ayan denunciou em seu blog algo que havia ficado esquecido, mas que é bem importante.

No ano passado, em seu 5º Congresso Nacional, o PT lançou um caderno de teses em que tinha como uma de suas metas a cassação de Jair Bolsonaro. Não é surpresa que o partido veja Bolsonaro como inimigo, também não é de se surpreender que queiram derrubá-lo, mas o fato de exporem isso assim, publicamente, como uma meta do partido, mostra certo grau de dedicação especial a um objetivo. Para conferir, basta acessar este link, página 30, artigo 157 (curiosamente, 157 no Código Penal é um dos crimes contra o patrimônio. Por que será?).

Além disso, ninguém da esquerda tem moral alguma para falar em estupro. Membros do MST estupraram uma garota menor de idade e deficiente mental há alguns anos e o silêncio dos movimentos feministas e dos partidos foi ensurdecedor. Não bastasse isso, são justamente estas as mesmas pessoas que apoiam todo tipo de medidas para amenizar penas e permitir a impunidade, além da defesa do desarmamento civil, o que só deixa pessoas vulneráveis ainda mais vulneráveis. Se tem algo que a esquerda faz é ajudar a inflar a violência urbana, incluindo os casos de estupro.

A conclusão que podemos tirar disso, no fim das contas, é que Bolsonaro está sofrendo com algo que já defendeu abertamente diversas vezes: censura. O deputado é bastante conhecido por dizer baboseiras como "na época da ditadura havia liberdade de imprensa, mas algumas eram censuradas." Infelizmente, por mais que eu discorde de várias coisas que ele diz, ainda assim não há como defender essa medida do STF. Isso é claramente um esforço para cassar o deputado motivado exclusivamente pela agenda petista. Inclusive, verdade seja dita, há gente dentro do próprio Congresso muito mais nociva e que, de fato, é criminosa. O foco do STF é realmente esse, o de censurar a opinião alheia?

Espero, para todos os efeitos, que Jair Bolsonaro acorde para a realidade e, ao sentir na pele o que é ser censurado, pare de defender as mesmas asneiras de sempre. Não acredito que vá acontecer, mas gostaria de vê-lo voltar atrás neste ponto. E aqui, mais do que defender Bolsonaro, estou defendendo a liberdade. Se esse precedente for aberto e Bolsonaro for cassado por esta razão, é muito difícil saber o que esperar pela frente.



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