4 de junho de 2016

As feministas que banalizam a violência contra a mulher

A "polêmica" sobre o banner de divulgação de X-Men: Apocalipse, o mais novo filme da Fox, pode ser considerado um sinal de pura imaturidade por muita gente, mas a verdade é que se trata de algo bem pior do que isso. Tem a ver com banalização da verdadeira violência sofrida por mulheres de verdade, na vida real, para as quais as feministas definitivamente não dão a mínima.

O banner divulgado pela Fox mostra o personagem Apocalipse sufocando a personagem Mística com uma das mãos. Apocalipse é o vilão, Mística é a heroína, e o filme é a mera reprodução de um material da cultura popular. Nada mais, nada menos. O embate físico entre personagens nesse tipo de história é algo comum, pois é basicamente disso que tratam. De qualquer forma não é necessário ser muito entendido em quadrinhos ou histórias fictícias para entender que são... Fictícias. Esta é a magia por trás do próprio cinema, afinal.


Por alguma razão, feministas passaram a protestar contra o banner alegando que ele incita a violência contra a mulher. Claro que essa é uma acusação ridícula, uma vez que a violência é milenar, e tudo indica que este tipo de violência já foi pior no passado do que é hoje. Não há sentido em responsabilizar um banner por algo que acontece todos os dias em algum lugar há pelo menos milhares de anos. A motivação real por trás disso é a polêmica, uma forma de gerar hashtags e forçar um tema em absolutamente todas as esferas. Ouso dizer, a propósito, que isso sirva como uma forma de tortura virtual, pois para onde quer que as pessoas olhem lá estarão elas, as feministas, com seus cartazes ridículos e suas bandeiras já há muito tempo deslegitimadas por serem usadas de forma torpe. O que elas querem com isso é simplesmente não deixar ninguém em paz, portanto faz todo o sentido infernizar qualquer setor da sociedade, seja a publicidade da Itaipava, seja a universidade ou mesmo um banner de filme de ficção para adolescentes.


Aparentemente este circo foi armado por uma atriz não muito conhecida - talvez por isso esteja atrás de polêmica - chamada Rose McGowan. A atriz americana atuou em Planeta Terror, um filme de relativo sucesso, mas em geral sua carreira é composta de filmes bem pouco conhecidos e papéis secundários. Segundo o site CinePop, voltado ao público de cinema, a atriz teria "se revoltado" com o cartaz do filme e expressado isso em uma entrevista ao THR. Vejam o que ela disse:
“Há um grande problema quando os homens e as mulheres da 20th Century Fox acreditam que a violência habitual contra a mulher é uma forma de promover um filme. Não existe nenhum contexto nesta propaganda, apenas uma mulher sendo estrangulada. O fato de ninguém ter sinalizado isso é ofensivo e, honestamente, idiota”

E conclui, de maneira brutalmente estúpida:
“Imagine se fosse um homem negro sendo estrangulado por um homem branco, ou um gay sendo estrangulado por um hétero? A briga seria gigantesca. Precisamos corrigir esse erro. Fox, já que vocês não conseguem colocar diretoras nos seus filmes pelos próximos dois anos, que tal apenas substituir esse anúncio?”
 Supondo que você ainda não tenha visto o cartaz, veja:


A atriz acha que o fato de ninguém ter sinalizado o "machismo" nesta imagem é ofensivo? Duvido muito. Ao dizer isso ela provavelmente está fingindo uma indignação que com certamente não tem, já que é altamente improvável uma pessoa realmente olhar para a esta foto e ver algo diferente do que dois personagens fictícios, de cor azul, em uma batalha de um filme de ficção. Depois, ela conclui o raciocínio dizendo que seria polêmico se em vez de uma mulher sufocada fosse um homem negro, ou um gay, etc. Afirmo que não. Ninguém veria problema nisso, porque se trata de um filme de ficção, com personagens que em geral nem se assemelham a humanos comuns.


Ademais, se assim fosse, poderíamos tranquilamente começar a proibir toda sorte de expressão de arte, porque grande parte dos filmes, peças de teatro, letras de música ou até mesmo pinturas contém violência de algum tipo. Duvido, porém, que ela seria favorável a proibir o filme Planeta Terror, com o qual deve ganhar dividendos até hoje, só porque a personagem principal é uma mulher com a perna amputada que colocou uma metralhadora no lugar. Alguém poderia alegar que o filme faz chacota com os amputados, ou não?



Rose também atuou em outra produção de Robert Rodrigues chamada Machete, filme cujo ator principal é Danny Trejo. Curiosamente é um filme com uma temática bastante sexista - não que eu me importe, a propósito. Será que a atriz estaria disposta a abrir mão de sua profissão de uma vez? Afinal ela nem mesmo é uma boa atriz, deve saber fazer outra coisa de maneira mais eficiente, como ser uma ativista fajuta. Inclusive, ao pesquisar sobre ela, rapidamente descobri que ela é mesmo feminista. Que surpresa, não?

A conclusão que podemos tirar disso tudo é que as feministas não levam a violência doméstica a sério. Para elas, não há problema algum em comparar uma obra de ficção que sequer retrata personagens reais com a violência contra a mulher, que é um problema de verdade com o qual lidamos há muito tempo. Fazer isso é a mais completa banalização da realidade com a qual centenas ou milhares de mulheres vivem todos os dias. Só quem viu uma mulher ser agredida pelo pai, pelo marido ou o que quer que seja pode entender, com exatidão, a gravidade desse tipo de protesto fútil e sem respeito com a mulher.

Infelizmente a Fox arregou, pediu desculpas (por não ter feito nada errado, no caso) e disse que irá remover os cartazes do filme. Uma pena. Parece que tem faltado culhões para grandes empresários que viram facilmente reféns nas mãos de qualquer ativista medíocre. A ideia de que podem perder meia dúzia de seguidores ou clientes assusta, mas o que eles não veem é que praticamente toda a sociedade está de saco cheio dessas palhaçadas. Eu, que nem sou muito ligado em marcas, faria questão de me tornar usuário assíduo de qualquer empresa que simplesmente mandasse para o inferno esse tipo de pseudo-polêmica, só para incentivar a prática.