23 de junho de 2016

A farsa da "desobediência civil" olavette.

Primeiramente, quero deixar claro, sempre acho uma piada essas pessoas que pregam a desobediência civil como alternativa aos atos do governo, mas que na prática não desobedecem nem o carnê de IPTU. Isso vale para muitos libertários que conheço, ávidos em pregar uma tática que eles próprios não praticam. Outras opiniões sobre essa tática poderão ser vistas em meu livro futuro, ainda a ser lançado, que estou escrevendo no momento.

Olavo, no entanto, é um recordista no que diz respeito a contradições táticas. Apesar de toda sua pose intelectual e de arrogar para si um status de "estrategista político", a verdade é que seus conselhos costumam atropelar uns aos outros e, justamente por isso, ele sempre surge com táticas mirabolantes que ele próprio não testou. No fim das contas é provável que ele tenha a esperança de utilizar seus seguidores aqui no Brasil como cobaias em um experimento, algo que felizmente não tem dado muito certo porque olavettes em geral são frouxos, são medrosos, não saem das cobertas para coisa alguma. A aparente audácia dos seguidores de Olavo, bem como a dele próprio, não passa de pura bravata, coisa de quem é valente apenas atrás do Facebook.

Já mostrei para vocês, neste site, como Olavo mudou seus discursos sobre a tática do impeachment e, por razões puramente pessoais, passou a atacar o MBL e todos que adotaram este caminho. Também mostrei como ele jogou baixo para denegrir a imagem de diversas pessoas, inclusive gente que o ajudou a ter notoriedade em uma época na qual sua página recebia vinte ou trinta curtidas em cada postagem, e depois mostrei como jogou sujo novamente ao utilizar fontes de esquerda para tentar denegrir o MBL, chegando até a compartilhar textos do UOL, um site que era criticado até por ele mesmo por fazer propaganda petista. Hoje, o que quero mostrar, é como a suposta tática de desobediência civil olavista não passa de puro blefe.


No post acima, vemos mais do mesmo. Ele alega que o impeachment é menos relevante do que qualquer outra tática, algo que mostrei em artigos anteriores, e como proposta sugere a desobediência civil, sem dizer exatamente como, onde, quando e por quem.

Outra vez, a mesma coisa. Desobediência civil maciça, ele diz isso desde março de 2015. Um de seus seguidores, no entanto, perguntou como isso funcionaria, e aí Olavo começa a arregar, ciente de que é um fanfarrão.

Vamos entender as coisas como elas são. Aqui nós temos alguém que se auto-proclama mentor intelectual de pelo menos algumas milhares de pessoas, dentre elas até mesmo políticos, escritores e outros intelectuais relativamente importantes. Mais do que isso, Olavo também arroga para si o feito de ter "construído uma cultura de direita", e sempre repete que sem ele nenhum dos movimentos liberais e conservadores teria acontecido no Brasil. Vamos tomar como premissa que essas afirmações absurdas e egocêntricas sejam verdadeiras, apesar de não ser este o caso.

Considerando que Olavo seja o mentor intelectual dessa gente toda, e levando em conta que, segundo ele próprio, há diversos intelectuais e políticos importantes aqui no Brasil que o levam a sério, o que faltou para que colocassem esta tática em prática? Tempo sabemos que não foi, pois ele diz isso desde março de 2015, portanto há mais de um ano. Oportunidade, alguns poderiam dizer, mas duvido. Oportunidades não faltaram. Inclusive, uma situação recente deveria servir como estopim para um "movimento de desobediência civil maciça", caso esse movimento existisse: A decisão do STF que tornou Bolsonaro réu por incitação ao crime e injúria.

O próprio Olavo de Carvalho, em inúmeras vezes, declarou apoio irrestrito a Jair Bolsonaro, e nos últimos meses tem tratado a questão com rigor, dizendo que somente ele pode ser uma solução política. Pois bem. A decisão do STF tem o claro intuito de perseguir Bolsonaro politicamente, todos nós sabemos disso. Eu, no entanto, não me importo com Jair Bolsonaro, não o defendo e nunca o apoiei. Olavo fez isso. Não seria a hora de todos os seus seguidores agirem, com sua chancela, no sentido de por esta tática em vigor? Não seria esta a hora de Olavo incitar seus servos do Terça Livre a liderarem um movimento de desobediência civil?

Ah! É claro. Ele "ainda não desenvolveu a estratégia". Quando será que ele desenvolverá? Ou, caso ele próprio não queira se envolver, quando é que algum dos seus tão proeminentes e iluminados servidores irá colocar as mangas de fora? O ponto, aqui, é que se você possui uma tática melhor do que a de outro grupo, não cabe ao outro grupo saber disso, é você quem deve colocar esta tática para funcionar. Olavo critica a tática do impeachment, diz que ela é meramente tangencial, mas nunca fez o menor esforço para colocar as suas táticas em campo e ver o que acontece. É, em suma, um crítico de sofá, ou melhor dizendo, é um fofoqueiro.

Ao atacar o MBL por conta de suas "falhas estratégicas" - ignorando os sucessos do movimento, caberia ao próprio Olavo dar soluções ou, pelo menos, mostrar um caminho. Simplesmente chegar dizendo que eles devem usar a sua tática de desobediência civil maciça, que ele mesmo não explica como funciona e que ele próprio nunca testou, é no mínimo digno de escárnio. É como se você, um mero espectador de jogos de futebol, simplesmente invadisse o CT do Barcelona para ensinar a um técnico bem sucedido como ele deve seguir as suas táticas, aquelas que você nunca testou e que ninguém sabe se realmente funcionam.

Olavo de Carvalho é um daqueles pseudo-intelectuais que conseguem fama por meio da polêmica. Tanto é verdade que o único de todos os seus livros que vendeu bem foi aquele compilado por um colunista da Veja, maior revista do país, com um título prepotente e que também foi amplamente divulgado por pessoas do próprio MBL, ou por figuras famosas como Lobão, Danilo Gentili, Roger Moreira, entre outros. Antes de ter surfado no movimento pró impeachment até não poder mais, o Professor Aloprado era limitado aos seus próprios nichos, nem mesmo pessoas da esquerda consideravam atacá-lo porque ele simplesmente não era foco de coisa alguma.