12 de maio de 2016

O Impeachment é apenas uma batalha. A guerra ainda não foi vencida.

O Impeachment de Dilma Rousseff é, sim, uma vitória para a oposição, para os liberais, para os conservadores e para toda a direita. É uma vitória do povo, que acima de tudo se vê livre, ao menos temporariamente, de um partido imundo e criminoso que há anos vem destruindo a economia para forçar a manutenção de seu próprio poder. Até mesmo o afastamento temporário de Dilma já é algo a ser comemorado. Contudo, esta não é a vitória definitiva.

Se Dilma realmente cair - e ela vai - teremos derrotado o PT, mas ainda restam muitos inimigos. Vencer Dilma e Lula é uma batalha, uma grande batalha, mas não é a guerra. A luta que devemos travar é contra o totalitarismo, contra toda a extrema esquerda e, acima de tudo, contra aqueles que certamente sobreviverão a tudo isso. E aqui falo de blogueiros governistas, jornalistas chapa branca, movimentos sociais compostos por militantes pelegos e, é claro, outros diversos partidos que vêm crescendo e que já ocupam bastante terreno.

O PSOL, por exemplo, é um partido relativamente pequeno, pois possui poucas cadeiras no Congresso e, atualmente, nenhum governo estadual. Contudo, é também um partido de orientação trotskysta, e por isso tem como tática política a utilização de métodos bastante eficientes no que diz respeito a fazer barulho, chamar atenção e forçar pautas direta ou indiretamente. Outro partido que também é eficiente nisso é o PC do B, e este ano poderemos ver ambos concorrendo diretamente para a prefeitura de Porto Alegre, através de figuras já conhecidas como Manuela D'Ávila e Luciana Genro. Quem leu o livro do Flávio Morgenstern sobre os protestos de 2013 no Brasil certamente viu seu estudo sobre o caso, mostrando o envolvimento direto destes partidos naquela que foi sem nenhuma dúvida a maior revolta popular dos últimos tempos, apesar de ter sido uma revolta aleatória e sem foco.

É fato que também precisaremos nos preocupar com outras questões mais urgentes, como o próprio PMDB. O partido, apesar de ter sido peça fundamental para o Impeachment de Dilma, ainda é o mesmo PMDB de sempre: fisiológico, capilar e fragmentado. Ainda há, dentro do partido, os mesmos políticos profissionais de sempre, inclusive aqueles que ajudaram Dilma a saquear o país, como Romero Jucá ou Leonardo Picciani. Há também o REDE, de Marina Silva, que é o principal nome para as próximas eleições até o momento, e que é sem dúvida nenhuma uma esquerdista ainda mais radical do que os próprios petistas.

Outra preocupação necessária, ainda que não seja tão imediata, é a inevitável ascensão dos totalitários de direita como Jair Bolsonaro e Olavo de Carvalho. Este último, aliás, se posicionou contra o impeachment diversas vezes desde o ano passado apenas para atacar o MBL, induzindo seus seguidores a boicotarem o movimento e as manifestações, mas agora quer surfar na onda fingindo sempre ter apoiado a medida. O outro, por sua vez, é claramente anti-liberal e por corolário é também anti-conservador, pois o conservadorismo é liberal por essência. Esse movimento ainda é fraco, tanto é que os Bolsominions não conseguiram sequer organizar uma manifestação pró-Bolsonaro no dia 1º de maio (na realidade fizeram, mas foi um fracasso absoluto). No entanto, há a tendência de que cresçam e acabem ocupando terrenos ainda vagos.

Para evitar todos estes problemas ou para amenizá-los precisamos pensar como mercadores que atendem demandas. Nós devemos, sem sombra de dúvida, aproveitar o momento favorável do crescente movimento liberal e conservador brasileiro, pegando aqueles que se sobressaírem por suas qualidades e trazendo-os para o nosso lado. Devemos, principalmente, apresentar projetos e soluções, e depois exigir do Congresso e do novo presidente uma posição sobre eles

O Movimento Brasil Livre e o Vem Pra Rua, principais responsáveis pelas manifestações de rua contra o PT, também devem continuar. Eles devem seguir com a pressão política contra deputados e senadores de esquerda, e também devem cobrar posicionamentos decisivos de Michel Temer. Em paralelo a isso, precisamos ocupar terreno. Por isso, insisto que liberais e conservadores se candidatem nas eleições municipais deste ano, mesmo que seja para perder. O importante é aparecer, se mostrar presente e conquistar adeptos. Este é só início do percurso.