18 de maio de 2016

Guerra Política - Exemplos práticos (pt 3)


Em outros artigos da série eu trouxe exemplos de atuações ruins da direita contra a esquerda, mostrando como e onde erraram. Hoje, no entanto, trago casos diferentes, em que o representante da direita (ou opositor da esquerda) agiu corretamente e neutralizou o adversário.

Exemplo 1: Muçulmana radical confronta David Horowitz em uma palestra na Universidade da Califórnia... e leva a pior.

O primeiro caso que trago é o de David Horowitz, ninguém menos do que o autor de "A Arte da Guerra Política". No vídeo abaixo, David mostra que sabe fazer aquilo que ensina. Confira:



Vamos aos detalhes.

Primeiramente, a mulher muçulmana que o confronta faz uma pergunta claramente capciosa. Ela sabe que o que ele diz no panfleto mencionado é verdadeiro, mas é dissimulada o bastante para colocar o palestrante contra a parede e forçá-lo a dar explicações que já estão previamente dadas. A maioria, na situação em que David se encontra, responderia o questionamento feito pela mulher, daria explicações, justificaria o fato e acabaria ficando na defensiva. O nosso instinto nos leva a isso, somos impelidos a reagir defensivamente sempre que alguém nos aponta o dedo ou nos acusa.

Entretanto, Horowitz escreveu em seu livro que uma das regras da guerra política é a de que o agressor geralmente prevalece. O que esta regra diz é muito simples: Não devemos ficar na defensiva. E foi pensando nisso que David, em vez de explicar e responder a pergunta feita por ela, o que seria uma atitude defensiva, optou por uma estratégia ofensiva, contra-atacando a mulher com maior intensidade.

"Você condena o Hamas, aqui e agora?" é uma pergunta extremamente objetiva. A mulher é nitidamente pega de surpresa, percebe-se que a primeira reação dela foi a de recuar e colocar a si mesma em posição defensiva, o que de imediato já inverteu o jogo. Outra coisa que pode ser observada é que antes mesmo de concluir a pergunta, a moça menciona fazer parte de um evento chamado "Juventude Hitlerista", que é um movimento muçulmano extremista cuja maior finalidade é pregar ódio aos judeus. Hitlerista refere-se, justamente, a Adolf Hitler, que é exaltado por muitos muçulmanos radicais devido ao fato de ter perseguido judeus. Esse é um detalhe que certamente David pescou e já de início soube que estava falando com uma radical islâmica, o que deve ter reforçado ainda mais sua postura ofensiva.

A mulher, ao perceber que está em uma encruzilhada, sabe que não pode responder objetivamente a pergunta e tenta escapar dela. A razão é simples. Se ela disser abertamente apoiar o Hamas, pode sofrer algum tipo de punição pela lei americana, mas se ela disser que condena o Hamas estará traindo a sua Irmandade Muçulmana, o que também pode lhe complicar. David a enquadra e, quando ela tenta se esquivar, vem de cara o primeiro rótulo: "Se você não condena o Hamas, então você o apoia. Caso encerrado." Todos aplaudem. E este rótulo é extremamente importante, pois deixa claro aos demais ali presentes que eles estão diante de uma extremista, não de uma pessoa inocente com outra cultura.

A conversa se segue até que David a leva diretamente para a cova, fazendo-a admitir o que ele queria que ela admitisse desde o início. No entanto, o caminho escolhido por ele é genial e há um detalhe pouco percebido por quem vê o vídeo. David, ao questioná-la antes, percebe que ela tenta se esquivar, por isso adota como estratégia reforçar o ódio que ele sabe que a mulher sente pelos judeus. Ao dizer que ele próprio é judeu, também reforçou o ódio dela por ele. E aí, no final, vem a pergunta definitiva. A mulher, diante da inevitável verdade, mostra sua real face e diz concordar com a fala do líder do Hezbollah, com sua criminosa ideia de matar todos os judeus em Israel.

Pronto. David mostrou a realidade e expôs seu adversário diante de todos. Fim da história.

Exemplo 2: Fernando Holiday, do MBL, contra Thiago Ferreira, do Levante Popular da Juventude.


Este debate é excelente do ponto de vista tático. Fernando Holiday, do MBL, coloca o Thiago Ferreira em seu devido lugar. Claro, é importante ressaltar que o garoto do Levante Popular da Juventude não é ruim, a questão é que aqui Fernando se saiu muito melhor. Até certo ponto é possível dizer que há um equilíbrio de forças, pois ambos estão devidamente rotulando o adversário e reforçando suas pautas. No entanto, peço atenção especial a partir dos dez minutos, mais especificamente a partir de 11:45, quando Holiday faz um ótimo discurso sobre pobreza, racismo e periferia.

Notem que no trecho citado, Fernando Holiday fala com convicção, com propriedade e expõe seu adversário, fragilizando toda sua narrativa. Ele também aproveita a oportunidade para rotular a esquerda, deixando claro que essa alegada preocupação com os negros não passa de artifício retórico barato. O mais importante, contudo, é que Holiday não precisou contar nenhuma mentira para se sair bem. Muitas vezes vejo liberais reclamando de minhas sugestões, alegando que seria incômodo usar artifícios da esquerda porque a esquerda mente. Só que essa é uma forma limitada de ver as coisas. A esquerda mente porque está errada, porque defende ideias nefastas e sabe que não pode dizer a verdade. Nós podemos! O que precisamos é somente emular essa metodologia discursiva, aprender a criar boas narrativas e saber como pautar um debate, sem ter que ficar nas mãos do adversário.

Creio que estes sejam, por hora, dois bons exemplos de como se dar bem na guerra política. E sugiro que liberais se inspirem em exemplos como estes, pois é urgente melhorarmos o nosso traquejo.


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