26 de maio de 2016

E agora, ovelhas? - As aventuras do Professor Aloprado

Como bem pontuou Luciano Ayan, Olavo de Carvalho tem servido de garoto propaganda para a esquerda, cuja única finalidade é evitar a queda do PT. Talvez Olavo não o faça intencionalmente, o que eu também não duvidaria, mas é fato que suas análises e seus comentários têm servido, sim, para ajudar a extrema-esquerda.

O Guru da Virgínia, o Professor Aloprado que sempre erra, mas sempre diz que acerta, vem há meses lutando contra o impeachment de Dilma. Em seu perfil nas redes sociais, chegou a defender cabalmente a tese de que o processo não daria em nada, porque segundo ele "as instituições estão todas contaminadas", dentre outras coisas que são, em sua maioria, desculpas esfarrapadas.

Quando tudo começou, parecia apenas birra. A impressão geral foi de que o velho se sentiu inferiorizado por não receber a atenção ou o prestígio do qual se julga merecedor. Ao ver gente competente de verdade ganhando destaque, Olavo surtou, e foi quando começou a atacar a figura de Kim Kataguiri, que até poucos meses antes vinha lambendo e enaltecendo. Olavo chegou a fazer postagens dizendo o quanto Kim era admirável (algo que até mesmo eu não diria sobre o rapaz, a propósito). Foi quando o garoto se mostrou superior e independente que o Guru se viu diante dos fatos: Ele (Olavo) era irrelevante demais para o processo, percebendo que não fazia diferença ali porque as pessoas envolvidas não se deixaram tutelar por ele.

Abaixo seguem as evidências disso (estes posts AINDA podem ser encontrados na página de Olavo no Facebook):








Estas postagens foram todas feitas antes do 'racha' que ocorreu entre o MBL e Olavo de Carvalho. Ainda no ano passado, tomei a liberdade de conversar diretamente com Fábio Ostermann, questionando qual foi o grau de proximidade do movimento com o Professor Aloprado. Ostermann deixou bastante claro que tudo nunca passou de alguns hangouts e conversas não muito sérias ocorridas pela internet, via Facebook. Na ocasião em que conversei com Fábio, em outubro, ele já não fazia mais parte do MBL, portanto não teria razão para proteger o movimento. O mesmo me deixou claro que Olavo nunca foi mentor de ninguém, mas apenas um entre muitos comentaristas que faziam, por vontade própria, propaganda e defesa do movimento nas redes sociais. Ao que tudo indica, e de acordo com as evidências de que disponho, o relato condiz com a verdade.

A página Humans of Olavetismo, dedicada a mostrar as fraudes cometidas por Olavo e seus seguidores, também fez um excelente trabalho comparando a relevância do Professor Aloprado em comparação ao colunista Reinaldo Azevedo. Neste post há evidências técnicas de que Olavo de Carvalho foi muito menos procurado na internet do que Reinaldo Azevedo, cujo nome foi pesquisado mais vezes até do que o do ex-presidente Lula. Entre 2004 e 2016, Reinaldo foi altamente procurado em pesquisas do Google. Estes dados naturalmente não servem para medir qualidade, mas medem a influência. Se Reinaldo foi mais procurado é porque seu nome teve maior relevância, o que significa dizer que foi influência para mais gente. Provavelmente é daí que emana o ódio que Olavo nutre pelo colunista.

O que claramente levou Olavo de Carvalho ao descalabro e seus consequentes chiliques foi o fato de não ter, segundo ele próprio, o "merecido" destaque e a "devida" importância. Foi ego ferido, pura e simplesmente. O fato de que apesar de tudo Kim nunca o chamou de mestre, o fato de que Fábio nunca o tratou como seu professor, o fato de que o MBL deliberadamente ignorou seus conselhos e obteve sucesso seguindo seu próprio rumo, no fim das contas, fez com que o velho Guru se sentisse inferior e dispensável. Ao ver suas dicas serem ignoradas por pessoas independentes que, apesar disso, obtiveram tanto sucesso (e o sucesso do MBL nos últimos meses é indiscutível) causou em Olavo uma espécie de curto circuito, pois estes fatos somados lhe tiravam completamente a aura de mentor do movimento liberal-conservador.

Não poder tutelar alguém é o pesadelo olavético. Ele jamais aceita alguém que pense e aja de forma independente. Para tentar reverter o quadro de seu iminente declínio moral, Olavo apelou ao máximo nas últimas semanas, quando fez o post abaixo:


Um seguidor da página, provavelmente não psicologicamente controlado por ele, perguntou:


Ele não respondeu esta pergunta, obviamente. Para respondê-la teria que dizer "sim" e mentir ou dizer a verdade e negar a afirmação anteriormente feita, o que implicaria em reconhecer uma mentira recém contada.

Olavo cita diversos nomes, dentre eles alguns que são, de fato, proeminentes olavettes, como é o caso de Flávio Morgenstern (uma pessoa muito inteligente, mas que evidentemente se deixa cegar pelo fanatismo), Taiguara ou mesmo Paulo Enéas. Estes, ao menos, nunca esconderam ser seguidores fieis do velho Guru. Entre os demais, no entanto, há muitos nomes questionáveis, dentre eles o próprio van Hattem, que jamais falou ter sido aluno de Olavo. Se o foi, foi escondido. E quanto ao Padre Paulo Ricardo? Seria ele mesmo um seguidor de Olavo, ou seria apenas uma pessoa identificada à direita que por acaso fez alguns vídeos com o Guru? E a "É, Realizações", cujo próprio Olavo admite não reconhecê-lo como mentor?

Contudo, a estratégia aqui é clara. Ele percebe que suas ações tem o levado ao isolamento. Um isolamento que, aliás, é parte de uma estratégia para formar seitas (leiam Contantin Noica para entender melhor). Ao expor figuras que não o reconhecem como mestre ele as força a tomar duas atitudes: deixar quieto e não entrar no assunto, o que faz seus seguidores acreditarem que ele diz a verdade, ou então negar que tenham sido tutelados por Olavo, o que inevitavelmente inicia outra guerrinha de egos. A guerrinha de egos é, na realidade, a maior finalidade de Olavo de Carvalho, porque é assim que ele aumenta seu séquito de seguidores. São seguidores estúpidos, em sua maioria, mas ainda assim é disso que ele precisa para vender livros e seus cursos de "filosofia."

Tudo isso não seria problema algum. A direita liberal ou mesmo conservadora poderia conviver com essas tolices e esse egocentrismo numa boa, limitando-se a fazer piadas e ridicularizar Olavo por sua boçalidade excessiva. O problema é que, ultimamente, o velho tem passado de todos os limites.

Com a questão do impeachment, por exemplo, temos três situações graves. A primeira é que ele tentou sabotar os movimentos de rua. Para nossa sorte, Olavo tem alguma influência somente no campo intelectual, sua influência política é praticamente inexistente. Do contrário ele poderia mesmo ter sido um empecilho.

A segunda vez na qual Olavo extrapolou o bom senso foi quando iniciou sua campanha de difamação e calúnias contra todo mundo. Sobrou para Fábio Ostermann, para o Kim, para o Fernando Holiday (que até pouco tempo atrás nunca havia feito qualquer manifestação contra Olavo), etc. Sobrou até para Luciano Ayan, que apesar de tudo evitou por anos criticá-lo mesmo tendo motivos de sobra para isso. As acusações de Olavo contra Ayan chegaram ao absurdo quando o velho começou a dizer que o perfil de Luciano nas redes sociais era controlado por Matheus Minuzzi, que é outra pessoa, sem ter nenhuma evidência disso.

A terceira e última vez se deu mais recentemente, quando Olavo começou a tentar assumir a paternidade do impeachment que rejeitou por meses. O Guru, quando viu que o processo funcionou, que realmente Dilma foi afastada, resolveu contrariar todas as suas últimas "análises" para vender a imagem de que tudo isso aconteceu por causa dele, e não apesar de tudo o que ele fez para atrapalhar. Para ver o quanto Olavo é embusteiro, basta ver o que ele dizia sobre o assunto lá nos idos de 2013, quando dizia que a coisa mais importante do mundo era tirar o PT do poder, e comparar com o que ele começou a dizer nos últimos meses, alegando que praticamente qualquer coisa era mais importante que o impeachment, inclusive panelaço. Sim, Olavo disse que panelaço era mais importante que enfiar milhões de pessoas nas ruas exigindo impeachment. 

Antes do afastamento de Dilma, quando Olavo dizia que o impeachment nunca daria em nada, que o processo seria fraudado:




Depois que Dilma foi afastada, quando ele viu que a estratégia do MBL, do Vem Pra Rua, dos partidos de oposição e da população em geral deu certo:


Fato é que a sabotagem do Professor Aloprado, apesar de ter falhado miseravelmente quando praticada por ele próprio - mostrando que nem competência para ser traidor ele tem - agora a extrema-esquerda vem aproveitando os chiliques do velho astrólogo para fomentar suas pautas. Não que eu esteja surpreso, pois já venho denunciando essas traquinagens há bastante tempo tanto por parte dele e seus seguidores quanto por parte de Jair Bolsonaro e sua turma. Contudo, neste artigo procurei elencar algumas evidências desta mudança drástica de postura por parte de Olavo. No artigo de Luciano Ayan linkado no início do artigo há todas as evidências sobre o uso que a esquerda tem feito das canalhices do professor embusteiro.