6 de abril de 2016

Pautas Quentes | O assassinato de reputação de Janaína Paschoal



A jurista Janaína Paschoal tem sido uma pedra no sapato do governo. Ela é mulher, tem a fala firme, sabe se posicionar e é enfática em suas opiniões. Além disso, é uma das principais personagens por trás do processo de impeachment, ao lado de Hélio Bicudo e Miguel Reali Junior. A jurista, que ganhou destaque nacional semana passada, durante as primeiras audiências sobre o processo de impeachment da presidente Dilma, passou a ser o novo alvo dos extremistas da esquerda. Não tardou para que surgisse o assassinato de reputações. E para quem conhece a máquina de caluniação da esquerda radical, não há surpresa alguma nisso.

Surgiram, nas redes sociais, diversos boatos contra ela, principalmente após uma performance um pouco mais histriônica da jurista na USP (veja o vídeo). Se o leitor me permite uma opinião pessoal, considero essa postura um tanto exagerada e teatral, mas acredito que ela tenha feito assim propositadamente, a fim de inflamar o público ali presente - o que aparentemente deu certo. Aliás, isso é extremamente comum, Lula já fez diversas vezes em toda sua carreira, inclusive na semana passada, quando fizeram uma manifestação em defesa do governo PT.

O primeiro ponto que deve ser desconstruído sobre o ataque à Janaína é o que você pode ver neste vídeo. Aqui, a "filosofa" Marcia Tiburi, usando uma tática comum da esquerda radical, acusa Janaína de fascismo, alegando que tudo foi previamente calculado e que a postura dela na USP é algo criminoso. Como você pode ver, a página que postou o vídeo se chama "Jornalistas Livres", que não são livres, são de esquerda na maior cara de pau. E a própria "filosofa" que aparece no vídeo - na verdade, uma apologista medíocre - é de esquerda, é feminista e é autora de um livro de difamações chamado "Como conversar com um fascista", título que pode facilmente ser traduzido como "Aprenda a fugir de debates racionais rotulando adversários políticos."

Outra coisa interessante que você verá neste vídeo, logo de cara, é o malabarismo retórico da pretensa filosofa, que na realidade está mais para uma sofista. Ela cita o caso da revista Istoé, que lançou dias atrás uma matéria sobre os desequilíbrios (verídicos) da presidente Dilma e o seu evidente desespero diante do quadro atual. Ao falar nisso, Marcia expõe que os ataques contra Dilma são de cunho machista, e logo em seguida diz que os ataques contra Janaína não o são. Basicamente, ela diz que se o ataque for contra alguém da esquerda é errado e que se não for, não tem problema. Simples assim.

A continuação do assassinato de reputação se dá também quanto a outra profissão de Janaina, a advocacia criminal. Na internet, estão pipocando acusações contra ela que alegam que ela defende um procurador de Rondônia que é, supostamente, agressor de mulheres. O procurador é ninguém menos do que Douglas Kirchner, o mesmo que é mencionado naquele grampo de Lula com Paulo Vannuchi, o que fala sobre usar o movimento feminista contra ele e chama as feministas de "mulheres de grelo duro."

Neste post, feito por outro ativista de esquerda, no Facebook, há o ataque contra a jurista. Nele, fica subentendido que o fato de Janaína defendê-lo como advogada é imoral ou ilegal, como se não fosse esta sua função. Cabe, ainda, levantar o seguinte questionamento: Quem são os socialistas para criticar a defesa de criminosos, quando eles próprios tem isso não apenas como prática, mas como bandeira? Quem são eles para criticar a defesa jurídica de um criminoso, quando são eles que praticam crimes graves e ainda os incentivam? É uma hipocrisia tacanha usar isso como argumento, ainda mais quando é um argumento inválido.

Janaína, na condição de advogada criminal, tem como profissão defender quem quer que a tenha contratado para isso. Não é como se ela fosse amiga do acusado. Além disso, há fatos a serem observados, e um deles é que Douglas Kirchner ainda não é um condenado, seu caso está em andamento. Ele pode ser inocente, inclusive. Até o momento não existem provas suficientes de que ele tenha mesmo praticado as agressões. Nada mais natural do que sua advogada defendê-lo, dentro dos limites da lei, de uma acusação que ainda está em processo. Negar o direito de defesa é algo comum em regimes fascistas, não em uma república.

A verdade é que a jurista tem sido um problema, uma dor de cabeça para o governo. E aí, neste caso, valem os ataques machistas, valem as ofensas, vale o assassinato de sua reputação. Até o momento nenhuma feminista a defendeu desses ataques, mas muitas defenderam Dilma Rousseff porque a Istoé fez uma matéria dizendo várias verdades. É preciso colocar os pingos nos is. Os fascistas são eles, não nós!