8 de abril de 2016

Como conversar com neo-fascistas?

O primeiro passo para que se possa conversar com neo-fascistas é identificá-los. Como, então, podemos identificá-los? Eis a questão. Para isso há algumas regrinhas básicas.

Regra 1: Todo neo-fascista acusa os adversários de serem fascistas.

A regra é clara.

A maior parte dos militantes que acusam seus adversários de serem fascistas se encaixam nesse perfil. Hoje em dia já há muitos destes exemplares por aí. A "filósofa" Marcia Tiburi, cujo livro tem o título quase homônimo a este artigo, é não mais e nem menos que uma neo-fascista, e seu livro é uma explicação clara da técnica de debates mais velha do mundo: fugir do diálogo por meio de rótulos. O próprio título do livro de Marcia é um rótulo, e todo seu conteúdo é composto por rótulos. Não há argumentos.

Regra 2: Neo-fascistas, tanto quanto os fascistas antigos, amam o governo, desde que seja o governo deles.

O fascismo sempre foi a caricatura do totalitarismo. A frase de Mussolini que melhor comporta esse sentimento é "Tudo no Estado. Nada fora do Estado. Nada contra o Estado." Quem, atualmente, defende esse tipo de ideologia? São os socialistas, sem exceção. O governo petista foi, e ainda é, o exemplo perfeito de uma das maiores tentativas de aparelhamento entre Estado e sociedade. O momento em que estamos é um dos mais críticos nesse sentido, pois nunca antes se criou tantas leis para controlar a sociedade civil.

Coisas como aumento de impostos, controle estatal da economia, controle da vida privada por meio das leis, imposição de valores morais por meio da força e da propaganda e o populismo raivoso governista são marcas do fascismo. Os neo-fascistas ainda seguem exatamente essa mesma cartilha.

Regra 3: Incitação à violência contra seus adversários apenas por pensarem diferente.

Nada é mais fascista do que a hegemonia de pensamento. Quando ninguém mais puder discordar do governo, teremos o fascismo em sua forma completa. Os neo-fascistas defendem justamente isso, e novamente podemos citar Marcia Tiburi, a "filósofa" de esquerda que entoou, no último dia 7, o canto da esquerda neo-fascista, o "não passarão."

Ao lado de Dilma - ou seja, ao lado do governo autoritário que quer ser totalitário - Marcia se juntou a uma multidão que gritava agressivamente contra uma jovem que ousou discordar da presidente no Palácio do Planalto. Verdade seja dita, faltou pouco para que a moça não fosse fisicamente agredida, o que seria o real objetivo da turba. E se acontecesse já não seria a primeira vez. Dias atrás, quando Lula foi levado coercitivamente para depor, foram diversos os casos em que os neo-fascistas da esquerda radical agrediram cidadãos que atuam contra o PT.

Detalhe que também não pode ser esquecido é o canto. 

"Machistas! Fascistas! Não passarão!" 

Este canto se apoia nas regras 1 e 3, pois ele causa a falsa impressão de que os adversários dos neo-fascistas é que são fascistas ou machistas, quando na realidade eles é que são. Sem contar que "não passarão" é um eufemismo para "vamos bater em opositores", o que acontece com frequência muito maior do que se imagina. 

Regra 4: Uso seletivo de violência.

Os neo-fascistas costumam atacar com agressividade seus adversários ideológicos, mas se um dos seus cometer um erro, ainda que grave, normalmente é feito de tudo para encobri-lo. 
Neste caso não se trata apenas da violência explícita ou física, mas de ataques em geral. Os neo-fascistas não agem em prol de ideias, mas de poder e controle. Eles não se importam com hipocrisia, incoerência, falta de lógica, etc.

Um exemplo claro da postura neo-fascista pode ser visto no caso do ex-presidente Lula, que foi pego em grampos falando mal das feministas, fazendo piadinhas chulas e preconceituosas com mulheres. Nos grampos, ele conversava com outros membros do partido, todos de esquerda. No entanto, os grupos neo-fascistas do feminismo radical, diferente do que fariam se em vez de Lula o grampeado fosse, digamos, Paulo Eduardo Martins, apoiaram o ex-presidente e ainda tentaram encobrir o fato de seus comentários serem no mínimo misóginos.

Qualquer pessoa que conheça a esquerda neo-fascista sabe que eles seriam muito agressivos contra alguém da direita que fizesse as mesmas alegações e piadinhas. Danilo Gentili foi hostilizado por bem menos que isso, só para registrar.

Regra 5: Eles são da elite, mas decidem quem é do povo e quem não é.

A esmagadora maioria dos neo-fascistas é da elite ou mantém uma relação de amizade com ela. Longe de significar "pessoas ricas", elite se refere a pessoas que se consideram socialmente superiores, com maior poder e influência. São uma minoria social que se julga prestigiosa e "acima" da plebe. Portanto, não é preciso ser milionário para fazer parte da elite, basta ser o dono de um influente jornal, um escritor apologista que trabalhe para o governo, um professor bem remunerado que influencie seus alunos em prol do status quo ou uma "filósofa" que, na prática, serve aos interesses do establishment.

A esquerda neo-fascista é cheia dessa elite intelectual, e algo que serve como evidência disso é o recente apoio de "celebridades" ao governo. Pessoas com talento em atuação deliberadamente fingindo concordar com o regime corrupto e semi-ditatorial do atual governo, certamente fazendo isso em troca de algum dinheiro ou outro tipo de agrado. São estas as pessoas que decidem, segundo elas próprias, o que é povo e o que não é. Por isso "o povo" nunca é quem discorda delas, para estes o nome é outro: "fascistas."

Contudo, ainda sobra a pergunta do título: Como conversar com neo-fascistas?

Resposta: Não é possível conversar com quem não quer te ouvir. Para os neo-fascistas, devemos reservar apenas a nossa verve e, por corolário, devemos expor suas falhas de caráter para que fique claro que eles são os verdadeiros fascistas. Usam outras roupas, outras palavras, mas ainda seguem as mesmas velhas ideias.