20 de março de 2016

DOSSIÊ | Jair Bolsonaro


Este dossiê foi atualizado em 16 de julho de 2016. Dentre as modificações feitas está a mudança de ordem aleatória para ordem cronológica.
- O partido no qual Bolsonaro passou a maior parte de sua vida política foi o PP, Partido Progressista - antes com outros nomes, mas o mesmo partido. Curiosamente, é o partido com o maior número de políticos corruptos, vários deles ligados aos casos do Mensalão e da Operação Lava-Jato. (Fonte)

- Ficou conhecido no exército após iniciar um motim por aumento de salários. Chegou a ser preso, pois violou ordens de seus superiores, mas foi absolvido na Corte. Após isso, ele aproveitou a fama e virou vereador pelo PDC - Partido Democrata Cristão, em 1988. (Fonte)

- Em entrevista concedida ao programa Câmera Aberta, de 1999, Jair Bolsonaro disse, com todas as letras, que defende a guerra civil como única alternativa para resolver o problema do Brasil. Disse, também, que defende a morte de seus oponentes políticos e que por ele estaria tudo bem se alguns inocentes morressem. Outra coisa dita na mesma entrevista, sem tirar e nem por, é que para ele o voto não resolve coisa nenhuma, o que é estranho para alguém que já àquela altura estava em sua terceira legislatura como deputado federal. (Fonte)

- Em dezembro 2002 Bolsonaro procurou Lula para conversar. Ele queria indicar José Genoíno (PT) e Aldo Rebelo (PCdoB) para o Ministério da Defesa. Em entrevista dada para a Folha de São Paulo, ele confirma ter votado em Ciro Gomes e Lula naquele mesmo ano. Lula deu um chá de cadeira e ele foi embora sem ter conseguido a conversa. (Fonte)

- Em um programa de TV, em 1999, ocorreu um debate que envolvia Bolsonaro, Jandira Feghali e outra figura do mesmo partido de Bolsonaro chamada Paulo de Almeida. Durante o programa, Jandira e Bolsonaro discordam apenas sobre a questão da ditadura militar, mas no restante concordam em tudo. Inclusive, aos 19 minutos, é possível ouvir Bolsonaro dizendo "Agora a Jandira subiu ainda mais no meu conceito." Eram quase amigos. (Fonte)

- Neste mesmo programa ele defendeu Paulo Maluf, e não foi a única vez que fez isso. Inclusive, é possível que Jair Bolsonaro tenha recebido dinheiro sujo para financiar suas campanhas. Ele próprio afirmou, em fevereiro de 2015, que "não sabe" se recebeu dinheiro sujo de Youssef (o doleiro no escândalo da Petrobrás). (Fonte)

- Bolsonaro sempre foi contra as privatizações. Em entrevista ao Jô Soares, chegou a afirmar que FHC deveria ser fuzilado por ter, segundo ele, privatizado aquilo que era o "patrimônio do povo brasileiro", ignorando o fato de que sem a privatização da Telebrás brasileiro nenhum, hoje, teria acesso à internet banda larga e telefone com tarifa baixíssima. Em outra entrevista ele também disse ser contra a privatização da Petrobrás. (Fonte 1) - (Fonte 2)

- De 2005 a 2010 foram diversas as vezes em que Bolsonaro declarou apoio à ditadura militar, por vezes dizendo que foi o melhor período da economia - ignorando, de propósito ou não, que foram os militares que criaram os maiores elefantes brancos, que foram eles que criaram o BNDES, sem o qual o PT teria desviado muito menos, e foram eles que detonaram completamente a economia gerando a hiperinflação que veio a assolar o país anos depois. (Fonte 1) - (Fonte 2) - (Fonte 3)

- Em 2010, Jair Bolsonaro aparece na lista com vários outros deputados que votaram a favor de aumento de salários para eles próprios. (Fonte)

- Em 2011, Bolsonaro disse em um programa de TV que um garoto afeminado tem que levar porrada pra virar homem. Esta é uma afirmação indefensável sob qualquer aspecto pela ética libertária, pela Escola Austríaca ou mesmo por qualquer espectro existente dentro do liberalismo. A iniciação de agressão física é ilegítima, sempre. (Fonte)

- Apesar de sempre ter dito que é contra o desarmamento, talvez a sua única bandeira liberal, a verdade é que Bolsonaro nunca fez nada para impedi-lo. Ele sempre esteve mais preocupado em "detonar comunistas", o que é uma hipérbole para o fato de ele falar alto no microfone, algo inútil e dispensável. Quem realmente fez o projeto de lei que pode revogar o desarmamento foi o deputado Rogério Peninha, do PMDB. (Fonte)

- Apesar de frequentemente dizer que não tem nada contra os gays, as declarações realmente homofóbicas de Jair Bolsonaro são diversas e frequentes. Em uma entrevista dada ao programa da Sônia Abrão, o deputado afirma que sangue de homossexuais não é confiável para doação (desconsiderando que antes das doações são feitos exames de sangue), e em outra entrevista mais antiga, de 2011, o mesmo disse que preferiria ter um filho morto do que um filho gay. Não é preciso forçar muito a barra para interpretar o óbvio. (Fonte 1) - (Fonte 2)

- Em maio de 2014, Bolsonaro disse que gostaria de ser vice na chapa de Aécio Neves. Hoje ele nega, seus fãs repudiam o PSDB, mas quem não aceitou a parceria foi o próprio Aécio. (Fonte)

- Em 2015, Bolsonaro votou a favor de uma emenda em um projeto de lei que pretendia aumentar impostos. Seus fãs negaram, mas ele não. Em resposta, quando questionado, disse que votou a favor porque o PSOL votou contra, mostrando que está lá não pra ajudar você, mas pra aparecer. (Fonte 1) - (Fonte 2) - (Fonte 3)

- Fãs de Jair Bolsonaro atribuem a ele a PEC do Voto Impresso, tratando o tema como uma vitória do deputado. No entanto, verificando diretamente no site oficial da Câmara dos Deputados, consta que o projeto é de autoria de Leonardo Picciani, do PMDB, e não de Jair. Para justificar, alguns fãs do deputado alegam que ele teria pedido a Picciani para apresentar o projeto, alegando perseguição. Seria Bolsonaro, então, amigo de Picciani, a ponto de lhe pedir favores? (Fonte)

- Em 2015, Jair Bolsonaro fez diversas declarações contra os imigrantes no Brasil. A mais chocante, no entanto, é a declaração em que ele chama haitianos de "escória da humanidade", colocando-os lado a lado com radicais islâmicos, a despeito do fato de haitianos virem para cá com finalidades totalmente distintas, como procurar emprego e construir uma vida. (Fonte)

- De uns anos pra cá, Bolsonaro tem fingido que é liberal. Posta foto com livro do Mises e da Ayn Rand, fala que apoia "livre-mercado", e isso fez com que vários liberais acreditassem que "ele mudou." No entanto, nota-se que sua defesa do tal liberalismo é confusa. Na insistência em protegê-lo, liberais dizem que ele defende o "liberalismo econômico", o que não é verdade. Em entrevistas bem recentes, inclusive para o canal do Nando Moura, no Youtube, o deputado disse que adotaria medidas protecionistas para o mercado de bananas, e disse o mesmo em entrevista já linkada anteriormente, além de defender o corporativismo, que é uma medida anti-liberal. (Fonte)

- Em entrevistas mais recentes, Bolsonaro se contradiz sobre economia e sobre si mesmo. Especialmente no ano passado, ele deu entrevistas dizendo jamais ter apoiado a ditadura, o que é mentira. Depois, em outra entrevista, apoiou de novo a ditadura. Em entrevista dada este ano, ele apoiou novamente o Regime Militar, que segundo ele não teve nada de errado. (Fonte - Neste caso, vejam os vídeos da mesma entrevista em sequência)

- Numa entrevista concedida à Rádio Gaúcha, em janeiro deste ano, Bolsonaro soltou uma frase que é, no mínimo, uma pérola da incoerência. Ele disse: "Na ditadura, tinha liberdade de imprensa. Mas algumas eram censuradas." Esta frase é completamente sem nexo e denota que ele provavelmente é a favor de uma imprensa controlada pelo Estado, como na Venezuela de Chávez e Maduro. (Fonte)

- Em duas entrevistas dadas este ano, Bolsonaro deixou claro ser contra mulheres no mercado de trabalho, sendo uma delas para a ativista de esquerda Ellen Page. Alguns podem argumentar que ela ser de esquerda desmerece o documentário e a entrevista. Pode ser que sim, mas ainda assim o que vemos no vídeo é Bolsonaro dizer, com todas as letras, que a existência de gays (o que ele considera anormal e abominável) é causada pelo fato de mulheres trabalharem fora de casa. No mesmo vídeo ele compara bater em gays com agredir pessoas violentas, como se homossexualismo fosse comparável a algum tipo de crime. (Fonte)

- No dia 17 de abril deste ano, em seu voto a favor do impeachment de Dilma Rousseff, o deputado Jair Bolsonaro aproveitou para declarar uma homenagem ao Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um torturador da Ditadura Militar que teria, supostamente, torturado Dilma Rousseff (carece de provas). Depois da votação ele reforçou este posicionamento em diversos vídeos. (Fonte 1) - (Fonte 2)

- Ainda no mês de abril, a UBE (União Brasileira de Escritores) entrou com uma denúncia contra Jair Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional por conta de seu discurso, considerado apologia a tortura. (Fonte)

- Em 1º de maio deste ano, fãs de Jair Bolsonaro organizaram um ato em apoio ao deputado. No entanto, foi um enorme fracasso. Algumas cidades reuniram menos de vinte pessoas e até mesmo no Rio de Janeiro, estado pelo qual ele foi eleito, as manifestações tiveram baixíssima adesão. (Fonte)

- Bolsonaro virou réu no Supremo Tribunal Federal devido a ofensas trocadas com a também deputada Maria do Rosário, do PT, em ocasião anterior. A deputada havia na época protocolado denúncia contra ele, mas o STF veio a aceitar a denúncia somente no dia 21 de junho. A razão alegada pela acusação e que foi aceita no caso é de que Bolsonaro teria incitado ao estupro por fala direcionada contra a deputada em questão. (Fonte)

- No mesmo dia em que virou réu no STF, Bolsonaro fez um apelo pedindo por clemência, alegando que por ser parlamentar deve ter imunidade em sua liberdade de expressão. O pedido de clemência acabou irritando muitos de seus fãs, que consideraram a atitude covarde. (Fonte 1) - (Fonte 2)

- Ainda no mês de junho, devido a sua declaração em homenagem ao Coronel Brilhante Ustra, feita no dia 17 de abril durante a votação pelo impeachment de Dilma, o deputado Bolsonaro passou a responder um processo disciplinar no Conselho de Ética, que pode resultar na cassação de seu mandato. (Fonte)

- Outro ato em apoio ao deputado foi fracassado. Este ocorreu no primeiro domingo de julho, dois meses após o ato anterior, reunindo cerca de 300 pessoas em São Paulo e apenas 100 no Rio de Janeiro, segundo dados da própria Polícia Militar. (Fonte 1) - (Fonte 2)


Conclusão: Bolsonaro não mudou. Ele está apenas agindo como agiu em toda sua vida, como agiu na época do quartel, ou como agiu em 2002 ao apoiar o PT numa época em que todos apoiavam o PT. Ele percebeu a onda liberal crescente, viu que estão carentes de representantes, e entendeu que ali havia um bom nicho de votos. Quem acredita que ele mudou está inebriado por uma boa propaganda, por uma onda. Bolsonaro não é mais do que o novo Collor. Pode não ser corrupto, como muitos dizem, mas Leonel Brizola e José Alencar (que chegou a ser vice do Lula) também não foram e nem por isso eram boa gente.