23 de fevereiro de 2016

A Importância da Estética Discursiva

Muitos liberais e principalmente libertários têm negligenciado as questões estéticas, por isso fazem discursos que, aos olhos ainda virgens dos que não conhecem nossas ideias, parecem chocantes, agressivos ou até desumanos demais. Por outro lado, aos olhos de quem diverge intelectualmente, tais abordagens parecem revoltadas e infantis, por vezes até mesmo irracionais.

Acontece que ainda se crê muito na ideia de que o conteúdo é só o que importa, e por corolário pensa-se na forma estética como supérflua. Pura bobagem! A forma como as ideias se apresentam é o único meio sob o qual podemos enxergá-las. É, portanto, a realidade concreta. Deste modo não há sequer distinção que se possa fazer entre forma e conteúdo, vez que a forma faz parte do conteúdo.

Qualquer discurso doutrinário ou ideológico é composto pela ideia defendida, pela proposta inclusa na ideia, pela forma como a ideia é defendida e, também, pelo indivíduo que discursa, incluindo a sua trajetória, que será sempre alvo de desconfianças ou de créditos. Qualquer tentativa de separar forma e conteúdo é um embuste, intencional ou não, pois isso a que os puristas intelectuais chamam de "conteúdo" nada mais é do que uma abstração indemonstrável. É, no máximo, uma pseudo-realidade paralela a qual somente eles próprios têm acesso.

A verdade é que toda a estética é responsável pela primeira impressão, sendo então a responsável por agradar ou desagradar. E uma vez que a ideia desagrada existe maior dificuldade para que ela avance, tornando mais difícil sua implementação. Ignorar isso é um atestado de preguiça intelectual, além de ser um erro estratégico imperdoável.


De fato, o mundo estético é o único que pode ser visto, ouvido ou sentido, portando o único mundo verdadeiro. Algo diferente disso é uma ilusão de realidade criada para agradar o ego de intelectuais incompetentes.


"As razões pelas quais se chamou este mundo de 'mundo das aparências' provam, pelo contrário, sua realidade. Qualquer outra 'realidade' é indemonstrável." (F. W. Nietszche)