8 de fevereiro de 2016

7 razões para os liberais NÃO apoiarem Bolsonaro

Muitos podem achar que é birra minha. Mas, tenho boas razões práticas, éticas e lógicas para dizer que o apoio a Bolsonaro, pelo ponto de vista liberal, é totalmente anti estratégico e incoerente.

Vamos, primeiro, às razões práticas.

1 - Má publicidade.

Mesmo que Jair Bolsonaro estivesse sempre certo em seus posicionamentos - e não está, ele não é uma pessoa conhecida por boas razões. Com exceção daqueles que são seus fãs e seguidores, o deputado é nacionalmente visto como um histérico boçal ou como um extremista. Obviamente, muito daquilo que a esquerda diz a seu respeito é mentira ou exagero, mas este fato não a impedirá de massacrar sua imagem. De cabeça, consigo pensar facilmente em umas cinco ou seis formas de vender negativamente sua imagem em uma campanha. Certamente, se eu consigo, a esquerda consegue ainda mais, pois é uma máquina de difamação.

2 - Ausência de plataforma.

Como disse o Raphael Lima, do canal Ideias Radicais, apoiar Bolsonaro é apoiar uma pessoa, não uma ideia. O que ele realmente pretende? Que tipo de ideias defende? Tudo o que temos é sua inócua - e inútil - atuação parlamentar, algumas declarações em vídeo e uma porção de entrevistas contraditórias. Ora defende a ditadura, ora diz jamais tê-la defendido. Já disse que é contra privatizações, mas também disse defender Estado Mínimo e Livre-Mercado. Simplesmente não há nada palpável.

3 - Precipitação.

Estamos em fevereiro de 2016. As eleições para presidente ocorrerão daqui a dois anos e meio. No momento, sabemos pouco. Nem mesmo temos ideia de qual será a configuração do pleito eleitoral. Portanto, antes de pensar em apoia-lo, é necessário perguntar:

  • Ele será candidato? Você tem certeza?
  • Quem mais irá concorrer?
  • Caso ele seja mesmo um candidato, quais partidos irão apoia-lo?
  • E se ele continuar no PP, de onde diz que vai sair há anos, mas nunca sai, e portanto nem chegar a ser candidato, o que você tem como alternativa?
  • Supondo que haja opções melhores do ponto de vista liberal, como o NOVO ou o PSL, ou um candidato de oposição com chances reais de vencer, como Ronaldo Caiado (DEM), para quê apoiar o Bolsonaro?
  • E as prioridades? Será que as eleições de 2018 deveriam ser nosso foco, agora?

4 - Cenário político.

Como dito no item anterior, falta bastante tempo a eleição de 2018. Até lá muita coisa pode acontecer. A crise pode piorar, assim como Lula pode morrer ou Dilma pode sofrer impeachment. Algumas previsões até podem ser feitas. Mas nada será decidido agora.

5 - Associação.

Se o movimento liberal apoiar a figura de Jair Bolsonaro, mesmo que por razões puramente práticas (se é que existe alguma), é preciso pensar no efeito colateral disso. Ao darmos esse apoio, quer ele vença ou não, todas as coisas que ele vier a fazer, boas e ruins, serão associadas a nós. Dado o histórico de bobagens ditas, pessoalmente eu não arriscaria. Até porque é um erro que custará caro. Levaremos pelo menos uma geração para corrigir algo assim.

Agora, vamos às razões éticas e lógicas.

6 - Discursos anti-liberais.

Sei o quanto os liberais brasileiros odeiam a esquerda. E estão corretos em odiá-la. Mas, não devemos nos iludir com a besteira de que o inimigo do meu inimigo é meu amigo. Nem tudo o que está à direita nos é útil ou positivo.

Bolsonaro já defendeu - e ainda defende - a Ditadura Militar um sem número de vezes. Ele já declarou ser contra a privatização de diversas estatais (como Telebrás e Petrobrás). Não muito tempo atrás, também, disse que meninos afeminados deveriam levar porrada para, segundo ele, "aprenderem a ser homem." Talvez você ache esta última declaração meio banal, mas não é. É uma evidência de comportamento e ideologia que viola de todo a ética liberal. Não é possível imaginar qualquer argumento liberal para defender tal raciocínio.

7 - Supostas mudanças.

Diante das afirmações feitas acima, muitos reagem dizendo que ele está mudando - ou que já mudou - e que tem se tornado um liberal. É verdade que de uns dois anos para cá seu discurso está um pouquinho diferente. Mas, há duas semanas ele deu entrevista reforçando parte do que foi exposto no sexto item.

Assim mesmo, acho totalmente razoável desconfiar dessa mudança. Além de ser algo radical e superficial demais, existe o histórico do indivíduo que sustenta, facilmente, a suspeita de que tudo seja puro oportunismo. Sofrer uma mudança tão brusca como essa, aos sessenta anos, justo quando o movimento liberal cresce exponencialmente, é digno de dúvidas sinceras. Será que ele diria ser liberal em 2006, quando o movimento ainda não encheria uma Kombi?



Duvido. Particularmente, vejo esta mudança alegada como uma forma esperta de se perpetuar no cargo em que ocupa. Contudo, se ele realmente mudou, o que não é totalmente impossível - ainda que altamente improvável, é cedo demais para afirmar com certeza. Sugiro que esperem desconfiados e atentos. Precisamos, para saber se houve alguma mudança de verdade, de algumas evidências que só o tempo poderá nos dar.

E são estas as razões que considero principais. Entretanto, fiz este apanhado geral com intuito de expor o raciocínio aos liberais que consideram estratégico apoiá-lo. Logo, se você é um fã e concorda com tudo o que Bolsonaro diz e faz, nada disso é para você. Pessoas que chegam a esse nível de idolatria não são liberais, são no máximo casos perdidos.


Promessa: será a última vez neste mês que falarei sobre Bolsonaro. Se não houver mais necessidade, pretendo não falar sobre ele até o fim do ano. Basta, para isso, que liberais parem de apoiá-lo. Tudo o que eu tinha a dizer sobre este senhor já está dito aqui e em outros artigos feitos anteriormente.