20 de janeiro de 2016

E, de repente, todo mundo é "liberal"

Como se não bastassem as vertentes da esquerda fingindo serem libertárias e as vertentes neoconservadoras que insistem em fingir que são liberais, agora temos um dos grandes líderes do PT dizendo que também é liberal. Quem conhece esse blog sabe que venho há bastante tempo (há anos, na verdade) criticando o oportunismo político e, sobretudo, a estupidez daqueles que creem nos oportunistas, pois são eles o maior problema.

Em entrevista concedida hoje, o ex-presidente Lula afirmou o seguinte: “Dilma é muito mais esquerda do que eu. Sou liberal. Sou um cidadão na política um pouco pragmático e muito realista entre o que eu sonho e o que é a política real”

De uns anos para cá, muitos dos grandes nomes que odiaram o liberalismo por suas vidas inteiras passaram a fingir que são liberais. Olavo de Carvalho, por exemplo, tem vídeos de poucos anos atrás onde afirmou que livre-mercado é coisa de comunista e que os liberais são inimigos do conservadorismo - em tempo, Olavo não é sequer um conservador, é um neoconservador. Jair Bolsonaro, que passou a vida inteira como nacionalista convicto, que sempre se mostrou contra privatizações e que sempre defendeu o Regime Militar, há pouco tempo vem dando entrevistas nas quais afirma que é liberal.

Algumas pessoas envolvidas com o PSOL também fizeram isso. Inclusive, escrevi aqui neste blog mesmo dois artigos sobre o fato de gente de esquerda estar, aos poucos, tentando cooptar parte dos liberais mais leigos para os grupos progressistas como Coletivo Nabuco e até mesmo para o próprio PSOL. Não é à toa que o Edilson Silva, mesmo indivíduo que fez um texto defendendo black blocs no site do PSOL, tenha escrito um ridículo texto para o Mercado Popular no qual finge que é imparcial quanto a Mises e Marx, mas deixa bastante explícito que considera Karl Marx um gênio. Todavia, realmente sou obrigado a confessar minha surpresa com a alegação de Lula. Mesmo sabendo que o homem é mentiroso e canalha, não esperaria jamais que alguém pudesse ter tamanha falta de vergonha na cara.

Conduto, essas mudanças de posturas todas quase que ao mesmo tempo têm também um lado positivo. Elas significam, em suma, que o movimento liberal está crescendo a ponto de causar preocupação em todos aqueles que outrora nos viam como inofensivos. Significam também que as ideias liberais estão, de fato, ainda que aos poucos, atraindo as massas. Cada vez se torna mais popular entre o povo o ódio contra o governo e as instituições estatais em geral. Por isso - e somente por isso - grandes nomes da política começaram a se preocupar em adotar uma postura diferente, a fim de enganar esta parte da população.

Ainda bem que o Lula já atingiu patamares elevados de rejeição no meio liberal, o suficiente para que nenhum liberal bobalhão acredite no que ele diz. Seria bom se o mesmo se aplicasse a esses patifes da esquerda que fingem ser libertários e também aos patifes neoconservadores que fingem ser liberais. Mas aí, só podemos esperar para ver.