19 de novembro de 2015

Restringir a imigração e o desarmamento - Qual a relação?

Meus amigos me questionam e às vezes até me cobram sobre o fato de não escrever a respeito de pautas quentes, aquelas notícias fresquinhas, no exato momento em que elas estão mais em alta. Eu digo que poderia fazer isso, mas prefiro não fazer. Não ganho nada com o blog, então o que busco aqui nunca foi uma quantidade expressiva de acessos. O que quero é disseminar ideias e reflexões sobre certos assuntos, de meu interesse, e fazer com que os leitores reflitam também. Por isso prefiro escrever depois, quando o assunto já foi mais explanado por outras pessoas, quando há mais informações disponíveis.

Na última sexta-feira, dia 13 de novembro, como todas as pessoas do mundo já sabem, houve um atentado terrorista em Paris e isso chocou a sociedade ocidental como um todo. Da última vez que conferi, o número de mortos estava em 130. Não podemos, entretanto, chamar isso de tragédia. Tragédia é algo inesperado cujas chances de acontecer eram relativamente pequenas, como o pneu do seu carro estourar na descida da serra ou um tsunami repentino no litoral brasileiro. O que aconteceu em Paris era esperado. Talvez não fosse esperado naquele mesmo dia e naquela mesma hora, mas ainda assim era sabido que cedo ou tarde tal evento aconteceria.

Diante disso, tivemos as reações óbvias. Muita gente se solidarizando com os franceses, enviando condolências e se manifestando nas redes sociais, mas também tivemos muitos trazendo à tona aquilo que já é assunto há um bom tempo: imigração. A situação europeia é caótica nesse sentido, pois tem acontecido há muito tempo algo que podemos chamar de imigração compulsória. Todos os dias dezenas ou centenas de pessoas, em sua maioria vindas do oriente médio, atravessam as fronteiras tentando chegar à Europa ocidental. A maioria desses imigrantes foge da perseguição empenhada nos próprios países de origem, pois o Estado Islâmico, grupo responsável pelos ataques em Paris, também persegue muçulmanos. Uma outra parcela dos imigrantes foge da guerra em seus locais de origem. Mas existe - e não podemos ignorar isso - uma pequena parte dessas pessoas que são mesmo agentes do Estado Islâmico se infiltrando na Europa a fim de aumentar influência. Sim, isso acontece realmente.

Obviamente, em face dessa inegável e perigosa realidade, surgem os nacionalistas ou mesmo os neo-conservadores defendendo que a imigração deve ser restringida ou até proibida. Não que isso seja exclusividade. Muitas pessoas não necessariamente ligadas ao nacionalismo ou ao conservadorismo apoiam esse tipo de ideia. As motivações podem variar, afinal algumas pessoas apenas não gostam de estrangeiros. Outras não gostam de muçulmanos. Outras não gostam de estrangeiros muçulmanos. E há, ainda, aquelas pessoas que são realmente boas e apenas se preocupam com a situação de risco que a Europa enfrenta. Estas pessoas normalmente pensam que seria melhor restringir a imigração a fim de reduzir a influência dos terroristas na Europa. E para fins de reflexão, vamos tratar aqui somente deste último tipo de pessoa.
O Terrorismo

A coisa mais importante que você precisa entender é que terrorismo não se assemelha a nenhum outro tipo de crime. Algumas pessoas comparam guerras com terrorismo, mas esta é uma comparação errada. Ainda que eu abomine ambas as coisas e que considere ilegítima a iniciação da violência, a distinção entre guerra e terrorismo é algo essencial para um debate honesto. Terrorismo é, sem dúvida nenhuma, a atividade mais abominável que existe ou já existiu.

Por que?

Porque terrorismo, como o próprio nome diz, tem como finalidade causar terror. A ideia é deixar a população afetada em pânico, assustada, e gerar reações das pessoas e dos governos. Obviamente, ao atacar Paris e assumir a responsabilidade depois, o que um grupo como o ISIS quer de fato é a ofensiva francesa contra eles.


Há, também, outra coisa importante a se considerar: os terroristas do Estado Islâmico acreditam na guerra santa - ou, pelo menos, dizem acreditar para arregimentar seguidores pela religião. O que isso significa? Significa que eles ganham e muito em prol da causa quando o ocidente passa a repudiar os refugiados muçulmanos em seus países. É ótimo para os interesses deles que nós passemos a odiar o islamismo como um todo. Afinal, a guerra santa na qual acreditam nada mais é do que a guerra entre muçulmanos e o resto do mundo. Se os governos ocidentais começarem a criar pressão e perseguir os muçulmanos que vem para cá, quem ainda ganha é o ISIS, pois assim eles conseguem fazer com que mais muçulmanos, em virtude da insegurança, apoiem sua causa. Sem contar que tudo isso aumenta mais os efeitos do terror e do medo.

Mas existe, ainda, algo que é indispensável saber a respeito de um terrorista: para ele, os fins justificam os meios hoje e sempre. Não há exceção para esta regra. Se para por seu plano em prática ele tiver que destruir uma escola com crianças dentro, ele fará isso. Se for preciso atropelar duzentos idosos e explodir um hospital de câncer, ele também fará. O objetivo de quem segue os mandamentos do terror é causar o maior dano possível, mesmo que isso resulte na própria morte. Então, é necessário dizer também que a moral desse tipo de gente é bastante flexível quantos aos métodos que utilizam para alcançar o que desejam. Basicamente, não há escrúpulos. Por esse motivo, principalmente, um terrorista não vê problema nenhum em infiltrar pessoas no meio de refugiados. Para ele isso é o de menos.

Por que, então, restringir a imigração é algo ruim?

Assumindo aquilo que disse antes, ou seja, que eu concorde em restringir a imigração, uma coisa não podemos negar: os resultados. E nesse sentido, estritamente, existe uma relação entre o desarmamento e as tentativas de impedir a imigração. E esta semelhança é a crença, ainda que inconsciente, de que pessoas mal intencionadas respeitam leis. Da mesma forma que um assaltante não é impedido pelo desarmamento, nem mesmo um assassino, também o terrorista não será impedido com a proibição da entrada de imigrantes em um país. Entenda que o bandido comum está disposto a ferir leis mais sérias e que lhe resultariam em punições maiores, como a lei que proíbe um homicídio. Logo, não há lógica em acreditar que ele se sentirá impedido de comprar a arma que usará no crime apenas por ser algo proibido. É óbvio que diante da ideia de matar alguém, ser preso por porte ilegal de arma de fogo é risível.

O terrorista, como mencionei antes, tem a fé no objetivo final, e para isso ele usa as táticas que consistem em aterrorizar o maior número de pessoas que ele puder. O que é mais aterrorizante para pessoas comuns do que tiroteios e bombas explodindo a esmo, sem nenhum alvo óbvio, a qualquer momento e sem aviso? Se terroristas atacassem apenas bases militares e prédios do governo não causariam tanto medo nas pessoas. Os alvos civis aleatórios têm muito mais efeito, pois as pessoas são pegas de surpresa, desprevenidas. Deve ser um inferno viver em um lugar no qual uma bomba possa explodir a qualquer momento, em qualquer canto, sem que você possa fazer nada para se proteger ou se prevenir. Por isso o terrorismo é bem pior do que uma guerra. E é por isso, considerando que terroristas não têm escrúpulos ou limites, sabendo-se que eles não são pessoas razoáveis com as quais se possa negociar, que impedir a imigração na realidade não os impede em nada.

Caso aconteça uma proibição para a entrada de imigrantes na França, por exemplo, ou mesmo em toda a Europa, ainda que as fiscalizações sejam eficientes - o que é improvável - nós temos o fato de que o terrorista simplesmente terá outras opções. Se ele não conseguir enviar ninguém no meio dos refugiados, fará de outro jeito. Tanto é verdade que o Estado Islâmico recruta europeus, pessoas nascidas lá, que se convertem ao islã e se dedicam a ajudá-los em sua causa. E se isso não for possível, nada os impede de investir em mísseis teleguiados e jogá-los à distância. Mas, se nada der certo, ainda tem a opção de mudarem os alvos. Talvez eles parem de atacar a França e ataquem, então, a Bélgica. Talvez a Espanha. Quem sabe, talvez, ataquem a Irlanda? E se não der certo na Europa, talvez eles venham para a América Latina. E se aqui não funcionar tem a opção de atacar o Japão. Para eles, tanto faz. A guerra santa é deles contra o restante do mundo. Todos que não são muçulmanos, na visão de um radical, são necessariamente infiéis e precisam morrer.

Visto isso, na prática, impedir a imigração é como o desarmamento em termos de resultado. Em ambos os casos, as pessoas boas são impedidas, mas as ruins não são. Quem vai deixar de comprar armas com a proibição é o cidadão comum que respeita as leis. Da mesma forma, quem vai deixar de imigrar é o cidadão comum que não está disposto a morrer por uma causa qualquer, mas que quer apenas segurança e estabilidade. Naturalmente, com as restrições à imigração, quem fica impedido de entrar são apenas aquelas pessoas pacíficas. Os terroristas não serão impedidos por isso.
E sobre o desarmamento

Se você leu tudo o que escrevi até aqui, agora você já compreende que um terrorista tem como finalidade causar o pânico e atormentar as pessoas através do medo e da insegurança. Por isso, para eles, faz todo o sentido entrar em um bar e atirar a esmo em todas as pessoas que puderem atingir. Agora, faça o seguinte raciocínio:

- O que poderia acontecer de pior dentro do Bataclan, um dos locais atacados em Paris, se houvesse lá algumas pessoas armadas? Analise a pergunta e responda de maneira racional. Considere, principalmente, que os terroristas não chegaram lá para assaltar, eles não estavam lá por dinheiro. A finalidade deles, naquele instante, era exclusivamente matar pessoas. Eram três ou quatro homens portando metralhadoras. Eles tiveram tempo de recarregar a munição algumas vezes. Pense direito! O que de pior poderia ocorrer, nesta situação, se naquele ambiente houvesse pelo menos umas dez pessoas armadas?

Posso eu mesmo responder a esta pergunta: nada poderia ocorrer de pior lá. Os terroristas iriam atirar nas pessoas de qualquer jeito. As pessoas lá presentes, todas desarmadas, tiveram como única chance de sobrevivência a sorte. E foram poucos que conseguiram escapar sem ferimentos. Quando lidamos com crimes comuns, como roubos, assaltos, agressões, temos situações variadas em que um arma pode ou não ajudar. Mas neste caso, quando falamos de terrorismo, a arma é a única coisa que pode oferecer alguma chance. O terrorista vai atirar nas pessoas, estejam elas armadas ou não. E isso é algo de que podemos ter 100% de certeza. Não há meios de negociar com terroristas. Eles não têm um preço, não podem ser comprados ou convencidos. Eles não ficarão com pena se você for uma mulher grávida. Não pouparão o seu pai por ele ter sessenta anos. E se houver crianças no recinto? Ele não liga! Ele vai matar quantas pessoas puder até que alguém o impeça com o uso da força. Neste dia 13 de novembro, se três ou quatro pessoas estivessem armadas dentro do Bataclan, talvez a maioria delas não tivesse morrido. Óbvio, nós não temos como saber. Então é perfeitamente possível que o massacre tivesse acontecido do mesmo jeito. Mas ainda assim as chances destas vítimas, se estivessem armadas, seriam infinitamente superiores. Desarmadas, a chance foi zero. Foram presas fáceis.


12 de novembro de 2015

Como usar politicamente a internet (parte 1)

Uma coisa que vejo acontecer com relativa frequência é o "rage-share", que na prática é o compartilhamento de uma postagem ou link seguida por uma furiosa crítica - ou, às vezes, por uma crítica não furiosa. Acontece assim: alguém escreve um texto que eu não gosto ou que considero errado, aí eu compartilho este texto em minha linha do tempo no Facebook ou, de repente, escrevo outro texto em resposta aqui no blog, em ambos os casos tecendo críticas ao conteúdo compartilhado. A princípio não há nada de errado nisso. Mas politicamente, dependendo do caso, pode ser uma ação ruim se levarmos em conta os resultados alcançados.

Essa coisa toda é bem subjetiva, muitas vezes não há como medir ou ter certeza dos resultados da ação. Entretanto, há uma "equação" básica para medir se vale a pena ou não praticar o rage-share.

- Levando em conta quem ou o quê você pretende criticar, e imaginando que o resultado que você almeja seja algo politicamente proveitoso, considere as seguintes informações:

1) A pessoa ou entidade que criou ou disseminou o conteúdo que você quer criticar é mais ou menos conhecida politicamente do que você?

2) Se ela for mais ou menos conhecida que você, qual a diferença desta fama?

3) Se a diferença for gritante, quem é mais famoso: você ou ela?

4) A pessoa, caso seja mais famosa que você, possui relevância política?

Estas quatro perguntas devem ser respondidas antes de você compartilhar aquele post com alguma bobagem dita pelo Tico Santa Cruz. Afinal, Tico é relativamente famoso, provavelmente mais do que você ou eu. Mas qual é a relevância política dele? Aliás, qual a relevância dele em qualquer área? Nenhuma. Ele é apenas uma sub-celebridade famosa por se comportar de forma imbecil. O nível de relevância dele é o mesmo do Theo Becker ou, digamos, do PC Siqueira. Muita gente conhece, mas muitos também nem fazem ideia de quem seja e poucos se lembrariam deles pelo nome. Por isso, a quarta pergunta é provavelmente a mais importante da lista. Se alguém é politicamente irrelevante, ainda que seja famoso, dificilmente vale a pena perder tempo criticando. A insignificância não merece destaque. Mas todas as perguntas criam uma espécie de fórmula simples que você pode usar, a partir de hoje, sempre que pensar em dar um rage-share.

Se o alvo possui maior fama que você, mas possui relevância política baixa ou nula, é mais apropriado desprezá-lo, exceto quando houver a impossibilidade do desprezo. Se, por outro lado, o alvo é mais famoso que você e possui relevância política, então criticá-lo é totalmente válido. Quando o alvo possui menos fama que você, ainda que seja politicamente relevante, na maioria das vezes o fato de você criticá-lo só o tornará ainda mais conhecido. E ainda há outras variáveis a se considerar. Eu, por exemplo, evito dar qualquer tipo de destaque para certas figuras. Mesmo quando politicamente relevantes, alguns não merecem ter seus nomes citados para que não consigam sequer um like a mais em seus perfis ou páginas. Um exemplo claro disso é o colunista Pablo Villaça, que se aventura a fazer críticas sobre temas políticos. Ele é relativamente conhecido, mas não passa de um papagaio tolo. Dificilmente cito seu nome, mesmo que eu esteja de fato criticando algo que ele disse ou fez. E jamais compartilharia dele qualquer postagem, ainda que fosse para criticá-lo, pelo simples fato de que não quero dar a ele nenhum seguidor a mais. Em muitos casos é mais apropriado atacar o comportamento, as falas, os discursos e as ideias em si do que pessoas específicas. Dar notoriedade a alguém que não presta ou com quem não concordamos, politicamente falando, é um tiro no pé.

Agora, no caso em que você é uma pessoa muito conhecida e de relevância no meio político, atacar outra pessoa menos influente que você é uma atitude contraproducente. Quer um exemplo? Bene Barbosa, ativista pró-armas do MVB, é conhecido há anos por lutar contra o desarmamento. Bene é referência no assunto em todo o país e é alguém respeitado nesse meio. Além disso, é uma pessoa com muitos contatos de peso dentro da política e já apareceu incontáveis vezes na mídia de massa (programas de TV de grandes emissoras). Recentemente, em virtude de uns comentários feitos, Bene foi à página do já citado Pablo Villaça para discutir com ele por lá e chamá-lo para um debate, o qual Pablo obviamente recusou. Tempos antes ele havia feito o mesmo com Tico Santa Cruz, outra figura sem importância alguma. Bene Barbosa é muito maior e mais forte do que esses indivíduos. Não há vantagem ou ganho algum em uma vitória sobre eles - e Bene obviamente os venceria em qualquer discussão sobre o tema. Por outro lado, através do Bene, certamente muitas pessoas acabaram conhecendo os dois indivíduos que antes eram menos conhecidos. Definitivamente, não vale a pena.

Mas há outro comportamento comum na internet que é até pior que o rage-share. Trata-se daquelas pessoas que voluntariamente acessam algum conteúdo que não gostam ou discordam, e já cientes disso previamente, para tecer críticas ou dar deslikesInfelizmente, amigo, o Youtube não monetiza os vídeos com base na média de curtidas ou "descurtidas". Ele também não considera os comentários positivos ou negativos feitos lá. A única coisa usada para calcular a monetização é o acesso. Logo, ao entrar no link de um vídeo, digamos, do Latino, com a única intenção de xingá-lo e dar um voto negativo, na prática é o mesmo que dar dinheiro para ele. É assim que youtubers ganham a vida.

É evidente que algumas vezes seja necessário criticar certas coisas, mas é altamente recomendável que se evite fazer isso quando o seu alvo é alguém que ganha a vida com polêmicas na internet. Youtubers são prostitutas do like. Até mesmo do "like negativo". Quando PC Siqueira faz um vídeo estúpido falando qualquer bobagem sobre política, ele sabe exatamente o que precisa para chamar atenção: basta dizer algumas frases "radicais" ou "chocantes", fazer provocações a algum grupo político e, é claro, dar um nome chamativo para o vídeo. E você, que entra lá apenas para criticá-lo, só está o ajudando a se dar bem e atingir sua verdadeira meta, que não tem nada a ver com produzir bom conteúdo, e sim ganhar acessos.

No caso do Youtube nós falamos de fama e monetização. Mas em outras mídias sociais, mesmo não havendo a monetização, ainda assim existe o ganho moral. Logo, se você entra na página do Latino no Facebook para criticá-lo, por exemplo, na realidade você só está dando visibilidade para ele. Claro que esse é um problema pequeno em se tratando do Latino, uma vez que ele já é nacionalmente conhecido há bastante tempo. Só que transferindo esta ação para outros tipos de pessoas, o resultado é amargo.

Um exemplo que posso mencionar, por experiência própria, foi quando criei uma página no Facebook, anos atrás, e comecei a "atacar" outra página maior. O dono da outra página provavelmente não pensou muito bem nisso e, em dado momento, publicou críticas à minha página em sua página, que era cem vezes mais seguida do que a minha. O resultado? Em meia hora, consegui tantos seguidores que ele logo depois deletou a postagem, obviamente por ter tardiamente percebido o erro. Além disso, se você entra em uma página e tece comentários lá, o Facebook faz com que isso apareça para os seus contatos. Muitas vezes os seus contatos, por inocência ou distração, nem perceberão o que você realmente comentou. Por vezes eles irão direto para o like ou até mesmo inventam de seguir a página.

Por isso é muito mais vantajoso deixar para fazer esse tipo de coisa quando for politicamente conveniente. A não ser que, é claro, você não se importe em ajudar Youtubers leigos a se tornarem figuras politicamente importantes. Aí já não é mais problema meu.