20 de setembro de 2015

Olavo contra o MBL? É a melhor notícia do ano... para o MBL.

"Combustível fóssil é o cu da sua mãe." (CARVALHO, Olavo de)

A melhor notícia do ano para os membros MBL foi o fato de Olavo de Carvalho ter se voltado contra eles. Nada poderia ser mais gratificante. E embora eu não faça parte do Movimento Brasil Livre, entendo que se forem inteligentes vão aproveitar essa oportunidade de se livrar do câncer que é o neoconservadorismo olavista.

Olavo de Carvalho é uma dessas sub-celebridades da política. De toda forma, podemos afirmar com toda certeza que há muito tempo ele vem errando, e errando feio. Além de posturas absolutamente detestáveis e equivocadas, além de previsões que se mostram erradas, há também uma dissimulação absurda. O que quer que Olavo tenha feito de útil está no passado, e só quem ainda se importa de fato com o que o velho diz são aqueles que o seguem, os seus fãs. Estes, embora muitos, estão longe de ser maioria. Todo o restante das pessoas sensatas do mundo, sejam liberais ou até mesmo conservadoras, sabem que este senhor não passa de uma nulidade no que tange a estratégia política e resultados. Sua maior conquista foi ter construído uma seita de seguidores fanáticos dispostos a passar todo tipo de vexame para protegê-lo.

Seu ego gigantesco faz com que ele queira ter uma legião de bajuladores. Quando alguém não o bajula, ele fica bravo e diz que a pessoa está a serviço do Foro de São Paulo. O caso com o MBL é bem simples, na verdade. Não requer muita explicação. Olavo simplesmente ficou chateado com Kim Kataguiri algum tempo atrás, e esta semana resolveu soltar os cachorros em cima do garoto devido a uma fotografia tirada ao lado do ex-presidente FHC, a quem Olavo odeia. Nem vou entrar no mérito da questão com o FHC, pois julgo ser irrelevante para entender o que o título deste texto expõe. Em outro momento posso fazer minhas críticas ao MBL.

Importante é saber que Olavo sequer é um conservador. Ele é um neoconservador, tem mentalidade revolucionária e totalitária. É uma pessoa que queima o filme de todos os conservadores e, inclusive, também queima o filme por tabela de quem faz oposição ao PT de modo geral. Todas as ações do homem são um completo desserviço à causa, pois o que ele faz é voltado unicamente a si próprio, de modo que atinge sua sanha por arregimentar idólatras. Ter o apoio de alguém como ele é uma maldição, não uma benção e espero que o MBL perceba isso e aja de acordo. O que recomendo, e o que eu mesmo faria se estivesse a frente do movimento, é tornar público o fato de que Olavo de Carvalho é irrelevante e que ele sequer possui interesse no impeachment, uma vez que luta contra as instituições e tem em seu íntimo o desejo de uma intervenção militar.

Ele nunca se arriscou por nada do que diz defender. O Movimento Brasil Livre pelo menos é um movimento de gente corajosa que se expõe, que se arrisca, que vai à luta pelo que defende. Para alguém na posição de Olavo, que não tem nada a perder - até porque dignidade e caráter ele já não tem faz tempo - é fácil jogar os cachorros em cima e se aproveitar para fazer outra polêmica e surfar em um pouquinho mais de publicidade gratuita. Tendo isso em vista, tomara que o MBL aproveite o momento, que é propício, para cortar de vez os laços com essa corja de imbecis militaristas e fanáticos pelo astrólogo. No início eles perderão alguns seguidores, mas no futuro só têm a ganhar. E vão ganhar muito. Vão ganhar principalmente mais respeito.

E faço aqui uma aposta.

Olavo, a partir de agora, passará a atacar quem luta pelo impeachment e fará as acusações conspiracionistas de sempre, no entanto, quando e se o impeachment der certo e Dilma realmente sair do governo, ele tentará voltar atrás para dizer que foi tudo ideia sua e que isso tudo só aconteceu por influência dele. Claro, as pessoas de boa memória e boa índole lembrarão que foi Olavo quem, na realidade, surfou em cima da luta contra Dilma, iniciada a partir de 2013 com movimentos como Vem Pra Rua e Revoltados Online, chegando a ser ajudado até por figuras já conhecidas como Lobão e Danilo Gentili, sem os quais jamais teria conseguido emplacar o único livro que realmente fez sucesso.



18 de setembro de 2015

Controle de armas não tem nada a ver com armas. Tem a ver com controle.

As lutas por desarmamento civil são compostas de dois tipos de pessoas. O primeiro tipo compõe a liderança, são aquelas pessoas que sabem o que estão fazendo. O segundo tipo compõe a militância, são aquelas pessoas que não fazem ideia do que estão fazendo, apenas reproduzem o discurso pronto. 




Estamos cansados de saber que os argumentos em prol da causa desarmamentista são fajutos. Em sua maioria, mentiras puras. Em outros casos são sofismas, verdades usadas para contar mentiras. Não raramente os desarmamentistas usam até estatísticas falsas, inventadas por eles mesmos, para defender essa ideia maluca de que o desarmamento civil traz segurança. E fazem isso tudo a despeito das inúmeras evidências que apontam o contrário, ignorando todas as pesquisas e estatísticas que demonstram claramente o fracasso objetivo do controle de armas.

Com isso você deve se perguntar: O que leva tanta gente a defender essa ideia, se ela é realmente tão falida assim? A resposta é simples e elementar. Trata-se de ter o controle, não as armas.

Quem é favorável ao desarmamento não é contra as armas. Pelo contrário, eles adoram armas. A questão é que querem ter o monopólio delas. Os militantes da causa obviamente acreditam no discurso, pois são em sua maioria completos ignorantes dispostos a morrer por mentiras, mas os líderes desses movimentos são pessoas inteligentes e mal intencionadas, cujo único objetivo é alcançar o monopólio das armas para um só grupo: o Estado. Esta é a finalidade. É por isso que eles lutam.

Como diria Benjamim Franklin, "quando todas as armas forem de propriedade do governo, então ele passará a dizer de quem são as outras propriedades." É a mais pura verdade. Um governo que não confia em seu povo armado simplesmente não é confiável. Do que, afinal, eles têm medo? De que estão se protegendo? Dizer que o desarmamento protege o cidadão já não serve mais. Todos sabem que é mentira, até mesmo os militantes que ainda não deram o braço a torcer.

No Brasil, vemos os debates com Bene Barbosa e algum desarmamentista qualquer. Em todos os casos, Bene simplesmente os esmaga com argumentos sólidos e dados, enquanto eles ficam ali, expostos, gaguejando e defendendo um ponto sem a menor solidez. Assistindo a esses debates, criei a seguinte teoria:

- A esquerda sabe que não pode vencer argumentativamente essa luta.
- Ciente disso, e ciente de que Bene Barbosa é uma referência nesse assunto, eles sabem que é inútil sacrificar algum peixe grande.

- Assim, escolhem o mais medíocre de todos os militantes razoavelmente apresentáveis que tiverem a disposição para que ele apanhe ao vivo.
- Esse militante, como é só um peão, logo é esquecido. Todos vão lembrar que Bene venceu o debate, mas ninguém vai lembrar contra quem ele debateu.

- No outro debate a esquerda escolhe outro paspalho da mesma linha e repete o processo, evitando assim manchar a imagem dos defensores mais influentes dessa bandeira.

Essa teoria é bastante óbvia, pois estrategicamente, é evidente que não se pode vencer esse debate em prol do desarmamento. É uma causa perdida. O que importa é bater na tecla e vencer pelo cansaço, sendo esta a única alternativa. E sendo essa esquerda maioria no poder, por enquanto eles estão ainda em grande vantagem. Não há porque se preocupar com o debate racional de ideias enquanto podem apenas defender seus pontos através de suas legislaturas.

É interessante, a partir de hoje, usar sempre essa linha de raciocínio e encurralar os desarmamentistas dentro daquilo que eles são: autoritários. O que querem, de fato, é controlar as pessoas através das armas, não proibi-las.

Os dilemas da esquerda anti-proletária

Deve ser duro para a esquerda admitir, nos dias de hoje, que ela deixou de se importar com o proletariado há bastante tempo. Ousaria dizer até que nunca se importou, mas antes o fingimento era pelo menos convincente.

O fato é que a nova esquerda pegou diversas pautas liberais, como a luta contra o racismo, a liberdade sexual, a liberação das drogas e até o feminismo - que originalmente era totalmente diferente do que é hoje - e misturou tudo isso com ideais fascistas de coletividade, unidade, e em alguns casos até o patriotismo, como podemos bem observar na esquerda petista atual. De um modo tipicamente fascista, trouxe consigo o formato populista de discurso, fazendo jus às heranças de Joseph Goebbels que certamente recebeu.

Tudo isso tem uma só finalidade: fazer parte do sistema. A revolta da nova esquerda não é contra as injustiças existentes, é contra o fato de estarem ganhando pouco com elas. Mudar o sistema não é a ideia e se eles chegarem ao poder não é isso o que vão fazer. Tudo o que precisam é, enquanto estão fora, fingir se importar com a maior parte possível de "minorias", que de tantas são até maioria - afinal, desde quando mulheres e negros/pardos são minoria? - e fazer com que isso garanta o ingresso deles ao lado de dentro do sistema. Quando estiverem usufruindo dos recursos que a injustiça usurpa do povo, então esta esquerda estará satisfeita e será defensora do regime vigente. É a história do PT. Com o PSOL será a mesma coisa.

Entretanto, curioso mesmo é ver o quão pouco essa nova esquerda se importa com o povo. Embora o discurso pareça bonito, "em defesa dos pobres", na prática esta massa de manobra chamada de militância não está nem aí para o que os pobres realmente pensam. O que eles querem é viver de ludismo e acreditar que o mundo será mais feliz sem consumismo. Os pobres, na visão deles, são seres inferiores que não sabem o que é melhor para si próprios. Eles, os iluminados pelo saber celestial, é que realmente sabem. Por isso defendem bike-ativismo, por isso querem "ocupar" a cidade com sua "arte", por isso querem usurpar dinheiro do erário público para fomentar suas peças de teatro que absolutamente ninguém quer ver. O peão de fábrica que trabalha de segunda a sábado não quer andar de bicicleta. Se ele usa o veículo é por falta de opção ou por ser vantajoso para ele de alguma forma, não por consciência social. O sonho do peão é ter seu carro, sua moto, a TV de Plasma para ver o futebol no domingo e outras coisas bem mundanas que lhe oferecem segurança e conforto. Consciência social e gosto por "arte" de rua é coisa de garotos mimados que são sustentados por... proletários.

Se essa nova esquerda quisesse mesmo levar em conta a opinião do povo, dos trabalhadores, a primeira coisa que fariam é parar de gastar o dinheiro deles - porque somente pobres pagam impostos de fato - com produção de música autoral independente e pichação. Inclusive, é irônico dizer isso mas Jean Wyllys, um deputado eleito pelo povo e vitorioso em um programa de TV através do voto popular, chegou a dizer em entrevista que o povo não tem discernimento para votar e escolher sobre certos temas. O que é isso senão uma declaração oficial de que está se lixando para a opinião popular?

Pois bem. Esta esquerda não liga para o povo e nunca ligou. Ela só precisa da população na hora de pedir os votos, por isso apela a todas as formas de discurso inflamado e populista. Por isso apela para a velha estratégia de "nós contra eles", criando um maniqueísmo político no qual estão sempre "do lado do povo" e contra "os inimigos do povo". Um grupo de pessoas que luta em favor de aumentar impostos e sai às ruas apoiando uma estatal que foi usada para desviar bilhões de reais obviamente não se importa com os pobres. Eles só se importam 
com partidos.


12 de setembro de 2015

A teoria da ferradura - Jair Bolsonaro e Hugo Chávez são gêmeos bivitelinos

A Teoria da Ferradura tem um nome óbvio. Em uma análise do espectro político que leve em conta a dicotomia "esquerda e direita", a ferradura contempla a ideia de duas pontas extremas que se aproximam ou quase se tocam. Em uma ferradura, a ponta esquerda está muito próxima da ponta direita, e ambas estão mais afastadas do centro. O pequeno espaço entre as pontas é representado por divergências meramente pontuais entre um grupo e outro.

Embora seja questionável, ainda mais no Brasil, qualificar alguém com a característica de "extrema-direita", visto o histórico de deturpação do conceito, é quase unânime a ideia de que Jair Bolsonaro representa o lado direito do espectro. Ao menos é assim que os próprios grupos se reconhecem. Estes mesmos grupos e seus opositores consideram o falecido presidente venezuelano Hugo Chávez como um representante da extrema-esquerda, do socialismo em si. O que a história se encarrega de mostrar é a proximidade evidente entre ambos, e neste caso não se trata de uma questão ideológica, é mais alguma coisa no âmbito prático e comportamental.



Apesar de Jair Bolsonaro se mostrar como um ferrenho caçador de comunistas, sua postura seria louvável no PSUV. E o próprio Hugo Chávez, com sua raiz militarista e comportamento agressivo, se fosse um político brasileiro seria seguido e adorado pelos mesmos que hoje idolatram o "Bolsomito". O discurso provocativo e agressivo é marca registrada de ambos, e se a new left não fosse um antro de hipocrisia e falta de ética trataria Hugo Chávez com as mesmas acusações que usam contra Bolsonaro. O ex-presidente venezuelano, dado seu histórico de discursos e somado ao histórico de seu sucessor, poderia ser tachado de homofóbico até com mais veracidade do que as acusações feitas contra o deputado brasileiro. Luciana Genro, que aqui no Brasil faz pose de defensora da causa LGBT, na Venezuela sobe em palanque para pedir votos em nome de Nicolás Maduro, assumidamente preconceituoso, um homem que já fez discursos públicos contra os homossexuais que fariam Levy Fidelix parecer um santo.

Outra coisa que ambos têm em comum é o pensamento coletivista e patriótico. Os dois, cada um da sua própria maneira, defendem praticamente as mesmas coisas e se arrogam falar em nome do povo. São tipicamente populistas e nacionalistas. E Jair, assim como Hugo, já fez diversos discursos contra a privatização, chegando a sugerir que FHC deveria ser fuzilado por ter privatizado a Telebrás. Tal como Hugo Chávez, porém com menos poder, Bolsonaro também já mentiu sobre diversos assuntos e defende princípios que em geral não pratica. O venezuelano, antes de ser eleito, jurava que não nacionalizaria nenhuma empresa, que deixaria a imprensa livre e que iria devolver o poder após cinco anos. Bolsonaro mente de forma diferente, mas mente. Sua falsa oposição ao governo PT é até bem convincente, mas a realidade é que Jair está no PP desde sempre, e o partido que ele representa sempre foi base aliada do governo petista. Da mesma forma, o deputado faz frequentes discursos anti-corrupção, mas está no partido de Paulo Maluf - há contradições severas entre a ação e a prática.

De uns tempos para cá, Bolsonaro percebeu - como vários políticos - o crescimento da vertente liberal no país e começou a fingir uma aproximação. Muitos leigos, ávidos por "alguém que se oponha", acabam engolindo essa história. Mas ninguém leva em consideração o fato de que nas votações mais polêmicas o deputado quase sempre se abstém ou simplesmente não se pronuncia. Hugo Chávez, por outro lado, provou que mentia quando fez tudo o que pode para permanecer por tempo vitalício no poder, e quando nacionalizou bancos e protegeu toda a economia. Jairzinho faria o mesmo nas terras tupiniquins se tivesse o poder. Ele entregaria todo o controle da economia nas mãos de um Estado militar e iria colocar de volta às pautas escolares a disciplina de educação moral e cívica, trazendo à tona todo o ritual de devoção ao autoritarismo.

Há, ainda, outra similaridade forte entre ambos: seus fãs. Os fanáticos da extrema-direita e da extrema-esquerda são tão diferentes, mas tão diferentes, que quase se chocam no diagrama da ferradura. Os fãs de Bolsonaro são rápidos no gatilho para criticar qualquer erro cometido pela esquerda (não que eu discorde), mas quando um erro exatamente igual é cometido pelo próprio "Bolsomito" a legião de seguidores corre para justificar a atitude. O malabarismo moral é tão absurdo que chega a ser hilário, pois é exatamente o que a esquerda faz para defender o PT e o PSOL. Se você mostrar aquele vídeo em que Lula mentiu na campanha de 2002 sobre ser contra o assistencialismo, onde ele fala que bolsa-escola é moeda de campanha, petistas saltarão em sua defesa e deixarão a razão de lado se preciso for. Da mesma forma, quando você aponta os erros cometidos pelos regimes socialistas, surgem todos os tipos de desculpas. É uma elasticidade moral de dar inveja.

O fato é que, aceitem ou não, Bolsonaro não é nada de especial. É um político, oportunista como todos os outros políticos. É uma pessoa esperta, raposa velha, disposta a tudo para conquistar seu espaço e garantir os luxos pelo resto de sua vida. Se ele realmente discordasse das pautas progressistas de seu partido poderia sair dele a hora que quisesse. Ele inclusive teria votos suficientes para se eleger em qualquer legenda. Se ali está, é por querer ficar.

Vídeo de Bolsonaro dizendo que FHC deveria ser fuzilado



Entrevista em que Hugo Chávez mentiu gravemente


7 de setembro de 2015

A praxeologia contra o purismo irracional

Purismo irracional é todo aquele comportamento que ignora a busca por resultados melhores em prol de manter intacta a doutrina que se segue. Um purista irracional age como um religioso fanático. Ele não faz concessões, não abre mão de nada, nem mesmo por questões que lhe seriam estratégicas. Ele arrisca perder tudo apenas para não ceder a uma perda menor. Trazendo isto para o contexto liberal, o purista é aquele indivíduo que definitivamente comprou uma "cartilha" de princípios éticos dos quais não pretende se livrar jamais. E em uma situação real, onde nada é perfeito e tudo tende ao caos, o purista libertário irracional acaba por não entender como positivas as mudanças que evidentemente lhe são positivas ou menos negativas. Tratemos disso logo depois.

A maioria das pessoas, sobretudo pessoas racionais ou, pelo menos, pessoas não completamente apaixonadas e fanáticas por alguma coisa, costuma agir de modo a melhorar suas condições e alcançar uma situação de maior conforto em relação à sua situação anterior. Se hoje um trabalhador recebe apenas R$ 1.200,00 por mês e esta situação lhe é suficientemente agradável, a tendência é que ele se conforme com isso e não busque melhorar. Mas, se esta situação lhe for desconfortável, o natural é que ele faça justamente o oposto, buscando mudar a condição para um grau desejado ou, pelo menos, mais aceitável em relação ao anterior. Assim compreende-se a atividade humana sob o viés da praxeologia, teoria desenvolvida pelo teórico liberal Ludwig von Mises.

Deste ponto de vista, o purismo irracional é anti-praxeológico, justamente por isso é irracional. Um libertário purista quer o fim do Estado e ele quer isso agora. Tudo bem. Eu também quero. Mas o ato de querer é um desejo, e os meios para se alcançar este desejo, ou seja, os mecanismos para se chegar ao resultado esperado, precisam seguir algum tipo de ação que leve em consideração o processo e... o resultado. Ter menos Estado é melhor do que ter mais Estado. Mais liberdade é melhor do que menos liberdade. Logo, é inegável que uma conquista, ainda que pequena, desde que nos leve a uma situação melhor em comparação com a situação anterior, é totalmente aceitável e até desejável. Se alguém chega ao ponto de não perceber que vencer uma batalha ainda é melhor do que perder todas, então esta pessoa atingiu um nível de irracionalidade que já não faz mas sentido algum.

Entenda: Os puristas não estão moralmente errados. O Estado é ilegítimo, sim. E ele é ilegítimo em qualquer aspecto. O problema em seguir essa vertente do purismo que ignora a razão e o bom senso é que os resultados alcançados são e serão sempre nulos. O mundo tem puristas deste tipo desde sempre. Mas desafio qualquer um a mostrar quais foram os resultados, quais as conquistas atingidas, pois tenho absoluta certeza de que o número seja próximo de zero, talvez até negativo, justamente porque este purismo é tão irracional que serve como munição política na mão daqueles que destoam desta ideologia. A falta de razão vira motivo de chacota.

A mentalidade estatista e anti-capitalista não será vencida com esse tipo de combate. Uma batalha, para ser vencida, precisa de força mas também precisa de razão, de estratégia e de um ponto de partida. Ninguém vence a guerra em um só dia. Por isso é uma estupidez sem tamanho apontar as armas para quem está do mesmo lado, enquanto é muito mais lógico e até conveniente usufruir das pessoas que atuam em seu favor e concentrar forças nos adversários de verdade, que em nosso caso são os estatólatras. 

Seguindo uma mentalidade praxeológica, mais racional, portanto, o futuro tende a ser melhor do que o presente. Talvez, com um pouco de empenho e sorte, cheguemos a ver um mundo em que os debates e toda a guerra política se concentrem entre conservadores, liberais e libertários, com a completa extinção da esquerda jurássica e do nacionalismo tupiniquim. E se esse dia chegar, então o purismo terá seu espaço para diminuir ainda mais o Estado e talvez, quem sabe, fazê-lo sumir de uma vez por todas. Esta é a minha melhor visão otimista para o futuro, mas é com muito esforço que a faço, pois realmente acredito que o mundo tenda apenas a piorar.